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Revista Partes ano II maio de 2002 n.22

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A democracia já começou?

Por Bruno Garcia Andrade.


Legalmente, pelo menos ao que dizem, o sistema democrático brasileiro passou a vigorar no ano de 1985, logo após a tumultuada eleição de Tancredo Neves através do Colégio Eleitoral e que nem chega a tomar posse devido a uma doença que o leva à morte, assim assumindo o então vice-presidente José Sarney. Outros nacionalistas afirmam que, a "verdadeira transição democrática" só se completa em 1988, com a promulgação da nova Constituição brasileira. No entanto, tudo leva a crer que ambos estão equivocadamente incorretos.

A forma de governo contemporânea, prega uma imagem de total liberdade perante o povo, afirmando por exemplo, que no passado, jornalistas tinham que publicar "piadas" ao invés de "crônicas", era inadmissível fazer qualquer crítica ao modo de governo. O que não deixa de ser verdade, mas também não pode ser levado em conta, quando a questão é evolução. Não podemos de forma alguma ficar prendendo-nos a fatos do passado, que são importantes, sem dúvida, mas que não nos leva a lugar algum, nem muito menos pode ser equiparado com os dias atuais.

Deveria ser analisado por exemplo o critério das eleições, que são de extrema importância para o país, e atuais , que é o melhor. Como pode um país julgar-se democrático e fazer do voto algo obrigatório, tendo o eleitor que expressar sua opinião frente a um político mesmo que não a tenha? Ainda sofrendo o golpe de ter que ver seu voto sendo computado para o candidato da presidência, ou, no caso do governo regente, caso não vá à urna.

Outra questão bastante estranha adotada nas duas últimas eleições é a urna eletrônica, que jamais fora experimentada em outros países, tendo como "cobaia" o Brasil, um país de terceiro mundo. O fato mais intrigante no entanto é que os Estados Unidos, um país considerado por todos os demais e por seu próprio presidente como a potência mundial, ou seja, um país não só apto, mas também detentor de maior parte da tecnologia, continua no modelo de voto por cédulas de papel e ainda por cima contagem manual. Nas últimas eleições inclusive, antes da confirmação da vitória ainda bastante duvidosa do presidente George W. Bush sobre seu então oponente Al Gore, realizaram duas vezes a contagem, para somente após anunciarem a vitória de Bush. Estaria os Estados Unidos agindo antagonicamente a tecnologia, sendo que a detêm quase que por completo? Cremos que não.

Aliás, antes de aderir ao método das urnas eletrônicas, o Governo Federal brasileiro fez alguma enquete ou votação solicitando a opinião popular? Que democracia é essa!

Criaram recentemente uma espécie de "cota para negros" em faculdades de todo o país, alegando entre os fatos, que há racismo na hora da escolha de candidatos, que brancos teriam a preferência nas vagas. Na verdade, "criar" a cota para negros que é a forma de racismo mais suja que pode existir. Pois primeiramente não deveria haver nem cota para brancos, muito menos para negros, índios ou qualquer raça que seja. Em segundo lugar, analisar de fora pode ser muito fácil, mas pense no ambiente que se criará entre os alunos, gerando assim uma falta de tranqüilidade necessária para a boa prática dos estudos. E isto, é mais uma demonstração da falta de censo democrático.

Na região do Sertão nordestino, foram comprovadas formas de persuasão humana para com os eleitores nas últimas campanhas para governador. Em entrevista, moradores alegaram terem sido conduzidos até a urna eletrônica por um "capanga" de um candidato apontando uma arma durante todo o processo, induzindo-os a votar no candidato de sua escolha. Segundo eleitores, já na porta do estabelecimento, haviam sujeitos encapuzados pré – estabelecidos a realizar o ato sucedido.

Agora, qual é a saída para esses pobres eleitores; se forem votar, serão "obrigados" a escolher um candidato contrário a sua vontade, caso não vá, automaticamente contará mais um voto para o candidato do governo atual.

É aquela velha história: " Se correr o bicho pega, se ficar o bicho come"....

Isto não é democracia.

A verdade é uma, todos sabemos que os fatos ocorrem, se não tomamos providência é por livre e espontânea vontade(será?).

As eleições estão aí à porta, basta agora rezar para não ser conduzido por nenhum "capanga", que seu voto ocorrerá democraticamente....

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 Bruno.colunista@ig.com.br

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