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Revista Partes ano II maio de 2002 n.22

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  Cikel conquista mais um prêmio nacional
por Ruth Rendeiro

 

O fato de ser a única madeireira na Amazônia a aproveitar tudo o que é extraído na floresta e ainda possuir o certificado do FSC (Conselho de Manejo Florestal) foi decisivo para que a Cikel Brasil Verde vencesse uma das modalidades do prêmio Planeta Casa, criado há doze anos pela revista Casa Cláudia. A cerimônia de entrega do prêmio e homenagens aos vencedores aconteceu na última quinta-feira, no Museu Brasileiro de Escultura em São Paulo.

Há exatamente um ano, a Cikel Brasil Verde S. A certificava a maior área de floresta nativa do Brasil, recebendo do FSC (Forest Stewardship Council, Conselho de Manejo Florestal) o cobiçado "selo verde". Ostentar o selo significa que todo o trabalho desenvolvido em Paragominas, na fazendo Rio Capim, é ambientalmente adequado, socialmente benéfico e economicamente viável.

A área certificada é totalmente sustentável, fechando o ciclo de 30 anos de recuperação natural da floresta e dá suporte à demanda de produtos e subprodutos florestais a partir de técnicas de manejo e colheita inovadoras. Além do manejo e exploração florestal, outras medidas foram adotadas com foco na preservação da fauna e floresta da área, entre as quais, a coleta e destinação de lixo, tratamento de água, conservação dos recursos hídricos, ampliação de distintos benefícios sociais e implantação de aspectos relevantes na segurança e medicina do trabalho de seus empregados. Um investimento de mais de 600 mil dólares que incluíram mais de 200 horas de treinamento para os que atuam na empresa. É inegável que o manejo é mais caro nos primeiros anos, mas torna-se mais lucrativo a longo prazo.

Ela possui cinco unidades industriais no Pará e Maranhão estruturadas para serrar- para abastecer a produção de pisos, molduras, móveis, lambris e outros-, tornear - para fabricar compensados - e faquear -processo aplicado em madeiras nobres.

Hoje o seu principal mercado consumidor são os países europeus e a partir da certificação do FSC a empresa ampliou as variedades de espécies comercializadas, assim como garantiu uma segurança aos compradores e está permitindo que madeiras pouco conhecidas sejam utilizadas, substituindo a pressão às espécies nobres, exploradas excessivamente. O "selo verde" garante também a origem sustentável da madeira.

A maior indústria de madeira serrada da América Latina tem como uma de suas prioridades a parceria, considerada uma página à parte na história dessa empresa 100% nacional que iniciou suas atividades há 27 anos em Açailândia, Maranhão e que hoje possui 2.200 funcionários diretos, diversas fazendas e indústrias madeireiras, distribuídas em diversos municípios na região Norte do país.

Os dirigentes fazem questão de ressaltar o papel das parcerias. A Fundação o Floresta Tropical - FFT foi a primeira. Em seguida outras passaram a integrar o projeto com destaque para a Embrapa, através do seu centro de Belém (Embrapa Amazônia Oriental), tendo à frente o pesquisador José Natalino Macedo Silva, PhD em Silvicultura e Manejo Florestal. Neste caso específico o foco foram os trabalhos de pesquisa florestal em conjunto com outras instituições de interesse mútuo como a Organização Internacional de Madeiras Tropicais (ITTO) e o Centro para Pesquisa Florestal Internacional (Cifor).

Paulatinamente outros profissionais e instituições foram se integrando ao projeto, como a Agência de Desenvolvimento da Amazônia (ex-SUDAM), Universidade de Dresden (Alemanha) e Departamento de Desenvolvimento Internacional do Reino Unido (DFID), Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam), Secretaria Executiva de Ciência, Tecnologia e Meio Ambiente do Estado do Pará (SECTAM) e a Prefeitura de Goianésia do Pará, Faculdade de Ciências Agrárias do Pará (Fcap) e o projeto Dendrogene, resultado da cooperação técnica entre a Embrapa Amazônia Oriental e o Dfid..

Um dos diferenciais do trabalho desenvolvido pela Cikel Brasil Verde na Amazônia foi o compromisso que assumiu de só cortar árvores com um diâmetro mínimo de 55 cm, 10 cm acima do exigido na legislação. E, além da certificação florestal, a empresa, também fez jus ao certificado de cadeia de custódia, ou seja, a unidade da Cikel em Paragominas, Pará (fazenda Rio Capim ) passou por uma avaliação em sua linha de produção que envolve desde a árvore da floresta até chegar ao produto final, garantindo-lhe quatro certificados internacionais junto as suas filiais, tornando-se a empresa que detém o maior número de credenciamento via FSC no Brasil.

Na prática este credenciamento consiste em verificar se a madeira utilizada na manufatura provém de uma floresta certificada, já que um fabricante pode produzir, em uma mesma empresa, produtos feitos com madeira certificada e outros com madeira não certificada.

PRÊMIOS

Embora seja recente (pouco mais de dois anos), o investimento começa a ser reconhecido nacional e internacionalmente. Em dezembro do ano passado, a Cikel Brasil Verde foi uma das vencedoras do Prêmio da Confederação Nacional da Indústria, CNI. Intitulado "Gestão Sócio Ambiental da Maior Área de Manejo Florestal na Amazônia- O Caso da Cikel Brasil Verde S/A", o projeto foi o vencedor na categoria Ecologia/Modalidade Projetos Cooperativos entre ONG’s e a Iniciativa Privada e agora recebe mais um prêmio, o da Planeta Casa, criado pela. revista Casa Cláudia

O prêmio surgiu a partir da necessidade de divulgar produtos para a casa que fossem afinados com a conservação dos recursos naturais.. Em 2000 ficou evidente o aumento dos produtos considerados ambientalmente corretos e já disponíveis nas lojas Com o prêmio pretende-se, segundo ficou ressaltado na cerimônia em São Paulo, também estimular o consumo consciente a fim de proteger e conservar os recursos naturais.

A Cikel Brasil Verde foi a vencedora na modalidade "Ações Efetivas Cuidado com o Meio Ambiente e Bem-Estar" que relatou o projeto que nasceu com o objetivo de suprir a demanda de produtos e subprodutos florestais utilizando técnicas de manejo e colheitas inovadoras para melhorar a produtividade da floresta e ainda atenuar os impactos ambientais nas atividades de exploração. (Texto: Ruth Rendeiro, jornalista, DRT-Pa : 609 E-mail – ruthrend@amazon.com.br)

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