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Revista Partes ano II junho de 2002 n.23

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 As incertezas ambientais de cada dia 
 por Gilberto da Silva

 A escassez bem perto de nós

As questões relacionadas com a qualidade, a escassez e a gestão das águas centralizam as atenções. É um assunto que vem tomando um espaço na mídia. Temos que olhar atentamente para nossas represas aqui, bem na nossa frente: Billings e Guarapiranga, que nos dá o princípio da vida, morrem lentamente.

 Incertezas ambientais

Vivemos um período de incertezas e de desproteção social e ambiental. A população está exposta aos riscos decorrentes das substâncias perigosas (vejam os mais recentes casos da Shell e dos postos de gasolinas), do saneamento básico, das moradias em encostas e em beiras de cursos d´água sujeitos a enchentes (como nos vários bairros aqui da zona sul). De repente acordamos e descobrimos que estamos morando em cima de um depósito explosivo, que pode ir aos ares a qualquer momento.

Pobres sofrem mais

Pode parecer chover no molhado, mais os pobres sofrem mais, pois são os que têm menor acesso ao ar puro, à água potável, ao saneamento básico e à segurança fundiária. Expulsas de suas áreas de moradia e trabalho, perdendo o acesso à terra, às matas e aos rios, sendo enxotados por grandes projetos hidrelétricos, madeireiros, entre outros estes grupos aportam nas cidades grandes preenchendo os espaços verdes, com suas necessárias moradias.

 Bom livro

O livro Sustentável Mata Atlântica – a Exploração de seus Recursos Florestais pela Editora SENAC, organizado por Luciana Simões e Clayton Lino, é inédita pelo seu enfoque e pelo panorama que oferece. A coletânea, de que participam 16 autores, inclui estudos de caso de várias espécies da floresta, tais como palmito, erva-mate, piaçava entre outras. Aos aspectos social e econômico, muitas vezes relegados a segundo plano.  Boa dica para quem quer ficar mais ligado no assunto

 Transgênicos

É uma vergonha pesquisadores renomados se prestarem a um papel de defensor de projetos polêmicos. No Brasil, entre 1997 e 2000, a EMBRAPA (empresa do governo) torrou R$ 1 milhão (dinheiro público, meu, seu, nosso!) em pesquisas para adaptar a soja da Monsanto (empresa multinacional) às condições brasileiras. Onde vamos parar?

 Tabela básica

A poluição ambiental, principalmente aquela ocasionada pela falta de tratamento de esgoto, é um dos principais fatores que colaboram com a degradação dos recursos hídricos no Brasil. Coletar o lixo e tratar o esgoto é um processo muito caro e requer altos investimentos. Mas você pode dar uma forcinha, jogando seu lixo no lixo!

 Tempo de decomposição do lixo na natureza

Papel

3 a 6 meses

Pano

6 meses a 1 ano

Filtro de cigarro e chiclete

5 anos

Caixas de leite ou suco

5 anos

Latas do chapa de ferro (óleo sardinha, ervilha etc.)

10 anos

Madeira pintada

13 anos

Couro

25 a 40 anos

Saco plástico

40 anos

Garrafa plástica

100 anos

Vidro

nunca

Borracha

nunca

Espuma de nylon

nunca

Pilhas comuns e baterias de celular (além do alto poder de contaminação pode provocar sérias doenças).

nunca

 Reflexão

“A consciência ecológica levanta-os um problema duma profundidade e duma vastidão extraordinárias. Temos de defrontar ao mesmo tempo o problema da Vida no planeta, o problema da sociedade moderna e o destino do Homem. Isto nos obriga a repor em questão a própria orientação da civilização ocidental. Na aurora do terceiro milênio, é preciso compreender que revolucionar, desenvolver, inventar, sobreviver, viver, morrer, anda tudo inseparavelmente ligado” (Edgar Morin)

 



Gilberto da Silva sociólogo, jornalista é editor da Revista Partes. e-mail:gilberto@partes.com.br 


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