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Revista Partes ano II junho de 2002 n.23

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 Onde está a democracia? 
 por Bruno Machado

2002, ano de eleições presidenciais. Época em que o eleitor é soterrado por uma verdadeira avalanche de informações, seja ressaltando as qualidades de um candidato ou levando os podres deste mesmo ao grande público. Dossiês, notícias plantadas, alianças, especulações, vale tudo na corrida rumo ao palácio do planalto. Mas deixando um pouco de lado o jogo sujo já característico deste “esporte”, vamos falar um pouco sobre voto e democracia.

O mundo hoje vive um momento delicado, o ‘império americano” de George W. Bush, não tem mais pudores em se declarar como tal, na falida Argentina  40% da população vive abaixo da linha de pobreza segundo relatórios da ONU e enquanto isso golpes militares sacodem a nossa Venezuela. O Brasil, pelo menos até agora, consegiu se manter o mais incólume possível neste panorama que abala as estruturas da América Latina. Resta-nos saber até quando. E é justamente aí que entram as eleições presidenciais que se sucederão em outubro.

Na guerra eleitoral, ao que foi demonstrado até agora, não se mede esforços para beneficiar o candidato oficial da sucessão, José Serra. Um polêmico investimento do BNDES nas Organizações Globo trataram de destruir a lua-de-mel entre a então governadora do Maranhão, Roseana Sarney, e a empresa de Roberto Marinho. Enquanto isso José Inácio Lula da Silva alia-se ao fiel escudeiro de Paulo Maluf (arquiinimigo dos petistas) ,sobe nas pesquisas de intenção de voto e divide as facções internas de seu partido, o PT.

Em quem votar? Se o eleitor possui por um lado a opção atraente de eleger um candidato que não possui vínculos com o neo-liberalismo, por outro, existem as crises que assolam a América Latina pairando como um fantasma sobre nossas cabeças. Sabe-se que para o Consenso de Washington não existe nada pior do que o sucesso de Duhalde na Argentina, a permanência de Hugo Chávez na Venezuela e...a ascensão de um governo de esquerda no Brasil. Quem quer correr o risco de contribuir para uma “ QUEBRA” generalizada? É isso que nos é imposto todos os dias via rádio, jornal, tv e internet.

Podemos perguntar então: onde está a democracia? No terrorismo ideológico dos meios de comunicação em conjunto com os EUA e o governo federal? De nada adiantam as eleições diretas, o voto livre e secreto, se diariamente o povo é manipulado por aqueles que detém o poder. Existe todo um interesse dos EUA em manter um governo neo-liberal- aos seus pés- na América Latina, assim como há um explícito jogo de interesses  entre a Globo e o Estado cada vez que a emissora do plim-plim veicula uma matéria sobre os escândalos da Lunus, ou acerca do caos e da miséria que assolam a Argentina. Para os Tucanos de FHC permanecerem no poder, vale tudo...exceto, é claro, a utilização de fins democráticos. 

 


Bruno Machado, estudante  de jornalismo e mora em Ibiúna, interior de São Paulo. 


© copyright revista partes 2002