|
Redação
Fonte: Assessoria de Imprensa da PMSP
A
prefeita Marta Suplicy assinou decreto que torna de interesse público
a casa de Sérgio Buarque de Holanda, no Pacaembu, dando início
ao processo de desapropriação, feito em comum acordo com a viúva
de Sérgio Buarque, Maria Amélia, e seus filhos Ana, Miúcha,
Cristina, Sérgio e Chico Buarque. A data celebra o centenário do
historiador, autor de "Raízes do Brasil" e
"Caminhos e Fronteiras". A casa onde o historiador viveu
em São Paulo sempre foi um reduto da música, com memoráveis
saraus e agora dará lugar à Discoteca da Música Brasileira, um
espaço de pesquisa da música popular, com acervos que podem
chegar a 70 mil CDs, de acordo com o
projeto da Prefeitura de São Paulo.
"Esta casa é um marco, não só por Sérgio Buarque de
Holanda e dona Maria Amélia, mas também por ter sido a residência
de grandes músicos. A casa estava sem utilização pela família
há mais de 20 anos, aguardando o movimento de algum governo que
se dispusesse a reconhecer a obra de Sérgio Buarque. Fico feliz
por poder fazer esta desapropriação. Sérgio Buarque de
Holanda foi um grande historiador, reconhecido hoje
internacionalmente", disse a prefeita.
O imóvel será pago e reformado pela Secretaria Municipal da
Cultura e vai
abrigar, logo de início, o acervo da Discoteca Oneyda Alvarenga,
que deverá
ser digitalizado, assim como o material sonoro doado pela família
de Sérgio
Buarque. A pesquisa folclórica do modernista Mário de Andrade,
que hoje está
sendo digitalizada pela Secretaria Municipal da Cultura e pela
Fundação
Vitae, também deverá se juntar ao acervo da Discoteca da Música
Brasileira.
A Missão de Pesquisas Folclóricas de Mário de Andrade e a
Discoteca Oneyda
Alvarenga (que conta com 85 mil discos de vinil, 40 mil
partituras, 1.100
compact discs e 500 fitas cassete) fazem parte, atualmente, dos
acervos
contidos e administrados pelo Centro Cultural São Paulo. Para
digitalizar os
acervos, mobiliar a casa com equipamentos de som e tornar a
pesquisa
disponível pela Internet, a Secretaria Municipal da Cultura está
à procura
de parceiros da iniciativa privada.
Valsa no Tico-Tico
A música começou a fazer parte da vida de Sérgio Buarque de
Holanda muito
antes do gosto pela história e pelas raízes do Brasil. Aos 9
anos de idade,
o pequeno Sérgio publicava, na revista Tico-Tico, sua primeira
obra: uma
valsa, intitulada "Vitória-Régia". A composição pode
ser ouvida pela
Internet, no site Cem Anos de Sérgio Buarque de Holanda,
desenvolvido pela
Unicamp (www.unicamp.br/siarq/sbh <http://www.unicamp.br/siarq/sbh>),
universidade que também guarda a biblioteca do historiador.
O link para a partitura é www.unicamp.br/siarq/sbh/partitura.htm
<http://www.unicamp.br/siarq/sbh/partitura.htm>
Casa
A casa de Sérgio Buarque de Holanda foi construída em 1929, em
um terreno de
400 m2. O projeto de reforma está sendo elaborado pela equipe do
Departamento de Patrimônio Histórico da Secretaria Municipal da
Cultura.
Sérgio Buarque mudou-se com a família para a casa em 1957, ano
em que escreveu "Caminhos e Fronteiras".
O processo de desapropriação pode levar, pelos trâmites burocráticos,
até 90 dias. O custo estimado da desapropriação é de R$ 400
mil. O tempo previsto
para a reforma também será de três meses. |