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Revista Partes ano II julho/agosto de 2002 n.24

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A Casa Sérgio Buarque

Redação Fonte: Assessoria de Imprensa da PMSP 

A prefeita Marta Suplicy assinou decreto que torna de interesse público a casa de Sérgio Buarque de Holanda, no Pacaembu, dando início ao processo de desapropriação, feito em comum acordo com a viúva de Sérgio Buarque, Maria Amélia, e seus filhos Ana, Miúcha, Cristina, Sérgio e Chico Buarque. A data celebra o centenário do historiador, autor de "Raízes do Brasil" e "Caminhos e Fronteiras". A casa onde o historiador viveu em São Paulo sempre foi um reduto da música, com memoráveis saraus e agora dará lugar à Discoteca da Música Brasileira, um espaço de pesquisa da música popular, com acervos que podem chegar a 70 mil CDs, de acordo com o
projeto da Prefeitura de São Paulo.

"Esta casa é um marco, não só por Sérgio Buarque de Holanda e dona Maria Amélia, mas também por ter sido a residência de grandes músicos. A casa estava sem utilização pela família há mais de 20 anos, aguardando o movimento de algum governo que se dispusesse a reconhecer a obra de Sérgio Buarque. Fico feliz por poder fazer esta desapropriação. Sérgio Buarque de
Holanda foi um grande historiador, reconhecido hoje internacionalmente", disse a prefeita.

O imóvel será pago e reformado pela Secretaria Municipal da Cultura e vai
abrigar, logo de início, o acervo da Discoteca Oneyda Alvarenga, que deverá
ser digitalizado, assim como o material sonoro doado pela família de Sérgio
Buarque. A pesquisa folclórica do modernista Mário de Andrade, que hoje está
sendo digitalizada pela Secretaria Municipal da Cultura e pela Fundação
Vitae, também deverá se juntar ao acervo da Discoteca da Música Brasileira.

A Missão de Pesquisas Folclóricas de Mário de Andrade e a Discoteca Oneyda
Alvarenga (que conta com 85 mil discos de vinil, 40 mil partituras, 1.100
compact discs e 500 fitas cassete) fazem parte, atualmente, dos acervos
contidos e administrados pelo Centro Cultural São Paulo. Para digitalizar os
acervos, mobiliar a casa com equipamentos de som e tornar a pesquisa
disponível pela Internet, a Secretaria Municipal da Cultura está à procura
de parceiros da iniciativa privada.

Valsa no Tico-Tico
A música começou a fazer parte da vida de Sérgio Buarque de Holanda muito
antes do gosto pela história e pelas raízes do Brasil. Aos 9 anos de idade,
o pequeno Sérgio publicava, na revista Tico-Tico, sua primeira obra: uma
valsa, intitulada "Vitória-Régia". A composição pode ser ouvida pela
Internet, no site Cem Anos de Sérgio Buarque de Holanda, desenvolvido pela
Unicamp (www.unicamp.br/siarq/sbh <http://www.unicamp.br/siarq/sbh>), universidade que também guarda a biblioteca do historiador.

O link para a partitura é www.unicamp.br/siarq/sbh/partitura.htm <http://www.unicamp.br/siarq/sbh/partitura.htm>

Casa
A casa de Sérgio Buarque de Holanda foi construída em 1929, em um terreno de
400 m2. O projeto de reforma está sendo elaborado pela equipe do
Departamento de Patrimônio Histórico da Secretaria Municipal da Cultura.
Sérgio Buarque mudou-se com a família para a casa em 1957, ano em que escreveu "Caminhos e Fronteiras".

O processo de desapropriação pode levar, pelos trâmites burocráticos, até 90 dias. O custo estimado da desapropriação é de R$ 400 mil. O tempo previsto
para a reforma também será de três meses
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