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Revista Partes ano II julho/agosto de 2002 n.24

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 A responsabilidade brasileira e a Agenda 21
 por Gilberto da Silva

Rio +10
De 26 de agosto a 4 de setembro acontece na cidade sul-africana, Johannesburgo, a Cúpula 2002 – Conferência Mundial sobre o Desenvolvimento Sustentável. A conferência irá reunir centenas de participantes entre líderes de países, chefes de Estado, delegações nacionais, líderes de ONGs e empresários. Passado dez anos da realização da ECO-92, realizada no Rio de Janeiro, que resultou na confecção da Agenda 21 — um excelente plano de ação para problemas como desmatamento, poluição, pobreza etc — a reunião da cúpula será uma oportunidade para as nações realizarem um balanço das posições tomadas na Eco-92. 

Agenda 21 em revista
Uma das propostas da Cúpula Rio +10 é justamente tentar tirar do papel as excelentes intenções da Agenda 21, que por falta de empenho, principalmente dos países mais ricos, não foram efetivadas.  Gerar políticas para a promoção do crescimento sem precisar destruir a natureza é uma tarefa primordial.

A agenda brasileira 
A nova agenda 21 do Brasil, a ser apresentada em Johannesburgo, estabelece seis áreas temáticas: agricultura sustentável, cidades sustentáveis, infra-estrutura e integração regional, gestão dos recursos naturais, redução das desigualdades sociais e ciência e tecnologia. O eixo é a sustentabilidade. O que é o desenvolvimento sustentável? È a forma harmônica de crescer, sem causar grandes danos à natureza e seus habitantes.

Alguns pontos da agenda brasileira
Relaciono aqui alguns eixos da Agenda 21 brasileira: A) promover uma campanha nacional contra o desperdício; incentivar mecanismos de certificação e procedimentos voluntários de monitoramento chamando a sociedade para a responsabilidade social, principalmente das empresas; B) incorporar a dimensão ambiental aos eixos de desenvolvimento, promover o acesso a terra e a agricultura familiar; C) limitar a concessão de crédito para a expansão agrícola e implantar corredores de biodiversidade; D) assegurar a preservação dos mananciais pelo estabelecimento de florestas protetoras e proteger as margens de rios, recuperando as suas matas ciliares. 

Parque Nacional de Tumucumaque
FHC comprometeu-se a criar antes da realização da cúpula de Johannesburgo, o Parque Nacional Montanhas do Tumucumaque, no Amapá.. A região do Tumucumaque abrange uma área de 3.877.393 ha do Estado do Amapá e uma pequena parte do Pará, na margem direita do Rio Jari, e possui uma grande variedade de espécies de flora e fauna e o mais alto índice de preservação do planeta. É uma área do tamanho do estado do Rio de Janeiro. A área ainda é pouco conhecida e mantém pelo menos 37 espécies de lagartos, 350 espécies de aves e sete de primatas, o que corresponde respectivamente a 41,5%, 31,3% e 12,2% destas espécies na Amazônia Brasileira.  Será o maior parque de floresta tropical do mundo.

A aliança vilã
A inocente aliança de casamento pode ser uma vilã na destruição da Terra. O programa “Paixão pelo Consumo” exibido numa rede de televisão a cabo deu como exemplo de destruição da natureza a famosa e tradicional troca de alianças de ouro na hora do casamento.
Cerca de 20 milhões de pessoas se casam a cada ano no mundo. Se cada casal trocarem alianças de ouro de 12 gramas esta simples troca significará um rombo de 2,5m por 1,8m no ato da exploração do ouro. Um buraco e tanto!

Reflexão
“O ser humano, nos últimos três séculos, fundamentalmente nas últimas décadas, inventou o princípio da autodestruição. Se ele agilizar as 60 mil armas atômicas, químicas e biológicas que já estão construídas e estocadas, poderá eliminar, várias vezes, a biosfera”. Carl Sagan, cientista americano.

 



Gilberto da Silva sociólogo, jornalista. É editor da Revista Partes. e-mail:gilberto@partes.com.br 


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