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Revista Partes ano II julho/agosto de 2002 n.24

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 por
Adilson Luiz Gonçalves

A conquista de uma sociedade igualitária que assegure a cada cidadão condições efetivas de realização de suas potencialidades é uma meta que só pode ser atingida com real espírito humanista e um agudo senso de oportunidade.
A experiência demonstra que o equilíbrio social é o principal fator de prosperidade dos países do, assim chamado, primeiro mundo. Em todos essas
nações - agregadas, hoje, dos "Tigres Asiáticos" - o salto de qualidade foi obtido graças à priorização da educação pelas iniciativas pública e privada.
O resultado foi uma notória diminuição da marginalidade e da violência urbana.

A educação é, portanto, a base de uma sociedade dinâmica e cidadã! A ascendência social ou grupal, a nobreza e a riqueza herdada, aliás, podem
garantir as melhores escolas, os melhores empregos públicos, as melhores festas, as melhores roupas, cultura de roteiro turístico, mas não garantem,
necessariamente, inteligência e genialidade, dinamismo, desenvolvimento econômico e social para o país. Em suma, não asseguram a formação de cidadãos úteis à sociedade. Prova disso é que são poucos os reinos onde as famílias reais governam, raros os governos e empresas públicas eficientes e eficazes (normalmente, só o são no discurso de seus líderes) e, em mercados
competitivos, são raras as empresas familiares bem sucedidas.

Até a metade do século XX, a falta dessa consciência nas classes dominantes foi a principal responsável pelas convulsões sociais que redundaram, por vezes, em grandes tragédias.
O analfabetismo tornava as pessoas escravas de sistemas perversos e do carisma de lideranças inconseqüentes ou mal-intencionadas.
A popularização e expansão dos meios de comunicação permitiram a disseminação do conhecimento e a oportunidade de ascensão social e profissional.
Os benefícios traduziram-se em desenvolvimento, prosperidade e conforto para todos.
O final do século passado trouxe o advento da Informática. Com ela o que já era dinâmico atingiu velocidades que beiram os limites da imaginação humana.

A Era da Informação veio com toda a força, mudando conceitos e exigindo adaptação rápida e complexa.
A necessidade de equipamentos e formação recriou, de certa forma, as mesmas circunstâncias anteriores. A diferença é que, hoje, não falamos mais em analfabetismo, pura e simplesmente; a modernidade incorporou novos termos ao nosso vocabulário. Agora, trata-se de "analfabetismo digital" e "exclusão digital!". Coincidentemente, a falta de acesso a recursos de informática e a demissão em massa de profissionais das áreas de produção convencionais - substituídos por sistemas robotizados - trouxe de volta a tensão social, com novos sistemas perversos e novas lideranças carismáticas e oportunistas.

A democratização da Informática é, hoje, um dos principais fatores de reequilíbrio social, não pelo paternalismo que as iniciativas governamentais
normalmente demonstram, mas por proporcionar o acesso de todos ao conhecimento e o despertar de potencialidades e talentos que podem ser
imediatamente aproveitados pelo mercado de trabalho, com baixo investimento e inestimável valor social.

 



Adilson Luiz Gonçalves
Engenheiro, Professor Universitário e Perito-Avaliador
Santos - SP



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