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Revista Partes ano II julho/agosto de 2002 n.24

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   Bexiga 

   por
Antonio Carlos Lucena (touchê)

 

- Te mato!
Grita Carmela
E as janelas
Arregalam olhos
Na tarde do Bexiga.

 - Te mato, fanciullo!
Estilhaça o ar
A voz de Carmela
De saia levantada
Correndo atrás
 De seu irmão
Moleque safado
Como tatu
Enfiando o focinho
Onde num é chamado.

 - Te mato, maledetto!
A correria continua
Bairro adentro
E ao seu redor
Nas ruas
Pepas e Conchetas
Confabulam.

 



Antonio Carlos Lucena, o Touchê foi poeta, essencialmente. Ficou pouco por aqui para nos deliciar com suas Jujubas, para latir na calçada e como em suas próprias palavras escrevendo como " um ato de amor, um misto de prazer e angústia, que depois de pronto é preciso soltar no mundo. É preciso arriscar sempre, assumir o que se escreve até as últimas conseqüências, não trair a poesia, ir à luta, abrir espaços e conquistar corações."



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