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Revista Partes ano II julho/agosto de 2002 n.24

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 Pensar e escrever 
 por
Fernando Marrey

A mente do ser humano trabalha em tempo ininterrupto, mesmo quando adormece-se a lentidão corporal e mental facilitam o trabalho reflexivo, a atividade intelectual ocorre o tempo inteiro sem descanso, deste processar em "palavras escritas" um aprendizado do escritor: buscar na profundeza na mente a tormenta criadora. Em meu tempo, remédios foram introduzidos em minha pessoa, na tentativa de interromper o processo mental: o pensar, o refletir, o processar informação, o transformar, o reinventar passando para o papel o resultado da mente ativada. A frustração do escritor opera-se na impossibilidade de reproduzir inteligível tantos pensamentos à serem compreendidos pelos leitores.

No tempo de Marx pensar o escrever era privado, podia o pensador deixar fluir as idéias, sem restrição do controle dos seres que o circundavam, e posterior ameaça de morte no próximo sair de casa. Na era da informação controlada, e, também censurada (o jornal onde Marx escrevia foi fechado pelo governo) opera-se desde o processar mental e sua passagem ao papel tecnológico, o computador aberto à todos. Publica-se o pensamento que flui palavra por palavra, frase após frase, parágrafo após parágrafo, texto após texto; tempo onde furtam idéias, registram como suas através do patentear raciocínio, a propriedade privada do conhecimento informacional, a modernidade despida de privacidade. A propriedade da mente é pública, o acesso dos poderosos que detém o controle e portanto poder de invasão nos computadores alheios, censurando a mente de quem detém a febre de pensar e escrever: num contexto pessoal de tormenta. Receio da própria mente, conduzir no interpretar à reflexão, divergente da aceitabilidade mundana sofrendo a reação de todos os modos e meios modernos. A destruição do todo individual, com o intuito de desvirtuar a mente, de desesperar o espírito e reverberar a traição mental - no transcurso limitado de tentar passar para o papel os meandros da profundeza cerebral - pensar e escrever, censurado pelo isolamento imposto ao corpo e a mente. É liberdade condicional - limitada.

A tempos que não durmo oito horas seguidas - o dormonid induziu ao sono, petrificou o corpo e mente - relaxar, contudo fez recordar, no transcurso do sono tempos onde os remédios conduziam o cérebro - resquício da maior atrocidade desta modernidade traiçoeira. Tempos onde o choro era ininterrupto sem largar a febre do pensar e escrever, destorcido de veracidade natural - a psiquiatria política contaminou. A lucidez por mínima que fosse conferiu forças a solidão - após a internação o abandono geral: ficou o remédio de efeito prolongado introduzido no corpo - segurar esta onda um isolamento cruel e desumano, tempos de tortura a luz do dia, sem marcas aparentes. A invasão domiciliar na captura do enfermo psicológico à condução ao choque - a fuga salvadora - num contexto de sentimento de perda afetiva da vida - ainda sobrevivi. A invasão da propriedade privada introduzindo escutas e câmaras marca estratégia no observar intimidade e posterior destruição por estímulo externo nos membros familiares.  Imiscuir-se pela política fraudulenta e sistematicamente enojada tarefa tendente à venalidade - meu espaço é integridade no contínuo politizar a massa impedida de educação e inspiração de qualidade de vida. Marx - A miséria do pensador, a morte de seus filhos e as publicações póstumas: a saída nos tempos de fuga da Alemanha para França. A modernidade tecnológica impede fuga soberana. 

Conclusão: pensar e escrever o que a mente desejar, sem restrição de gênero e espécie, dentro da invasão de privacidade - o instantâneo conhecimento do pensamento escrito. Quem o tempo possibilite preservar minha vida dentro do contexto legal do país: Livre convicção filosófica; pensando e escrevendo.   Fernando, Pensador.

 



Fernando Marrey é jornalista.



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