| O pacote
dela A prefeita Marta Suplicy divulgou, no final de agosto, um pacote de medidas
ligadas à questão do meio ambiente na cidade de São Paulo. Foram assinados dois
decretos: o primeiro criou o Programa Municipal de Qualidade Ambiental e o segundo
estabeleceu o controle rigoroso do uso de áreas suspeitas de contaminação do solo, por
utilização industrial anterior, e que só obterão licenciamento depois de sondagens e
laudo de avaliação elaborados pelo empreendedor. Isto é muito bom, estamos alertas
depois dos casos Shell e Condomínio Mauá.
Solos explosivos
A adoção de medidas firmes servem como uma ação preventiva da atual Administração
na tentativa de impedir que ocorram na Capital situações de impacto ambiental como já
verificado em outras localidades, como em Paulínia, Bauru e Mauá, já retratados em
outras ocasiões nesta coluna, em que projetos imobiliários foram desenvolvidos em áreas
que antes abrigavam produção industrial e que, mesmo após desativação e aterramento,
ainda reuniam suspeita de contaminação.
Uso da água e energia
O destaque do Programa Municipal de Qualidade Ambiental é a racionalização do uso da
água e de eletricidade de forma planejada e sem perda de conforto e qualidade do ambiente
de trabalho. Com a implantação do Programa de Uso Racional da Água, por exemplo, em
parceria com a Sabesp, nos 31 parques municipais, haverá uma considerável economia no
consumo e de recursos financeiros da ordem de R$ 700 mil ao ano.
Compra ambientalmente correta
A intenção da prefeitura é a de exercer o seu poder de compra, exigindo produtos
ambientalmente adequados ou parando de comprar materiais nocivos ao ambiente. Como
exemplo, o município pode comprar papel reciclado, estimulando o aumento da produção e
o barateamento do seu custo.
A prefeita Marta Suplicy enfatizou ainda uma outra ação estabelecida no decreto que
cria o programa: a Prefeitura também deixará de comprar mogno que, após décadas de
exploração descontrolada, sofre risco de extinção.
Coleta seletiva de lixo
A prefeitura promete investir cerca de R$ 50 milhões em sistema de coleta seletiva de
lixo em parceira com a iniciativa privada. Serão implantados 31 centros de reciclagem
um em cada subprefeitura - equipados com prensas, balanças, empilhadeiras e
caminhões. Perto dos centros estarão instalados vários PEV Postos de Entrega
Voluntária, onde a população poderá levar seu lixo seco para serem coletados por
caminhões do centro.
As cooperativas de catadores serão responsáveis pela administração dos centros,
triagem do lixo e venda do material. O dinheiro da comercialização será distribuído
integralmente entre os catadores das cooperativas.
Parques Públicos
A secretária do meio ambiente do município, Stella Goldenstein, apresentou na
ocasião do lançamento do Pacote Marta Ambiental, uma exposição, ilustrada com mapa,
sobre as áreas onde a Prefeitura, por meio de recursos próprios e em parceria com a
iniciativa privada, pretende implantar 28 novos parques públicos na cidade. Já citamos
nesta coluna este projeto. Lembrando: a maioria está localizada na periferia da Capital,
em regiões extremamente carentes de áreas verdes.
O pacote nosso
Nós, mortais devemos ficar atentos. As ações ambientais não podem apenas ser fruto
de modismos. A preocupação com o meio ambiente deixa, aos poucos, de ser motivo de
chacota, para se tornar uma preocupação de todos. Nem é preciso saber o que é o
Aqüífero Guarani. Basta, para os simples mortais, a certeza que a escassez está
próxima e que temos que urgentemente defender e agir com visão de preservação
ambiental. Nós também devemos fazer nossos pacotes ambientais...
Hidroelétricas e seus impactos
Modelo ultrapassado
Sob o pretexto de acabar com o risco de racionamento, o governo continua favorecendo o
modelo-primário-exportador que é o da energia abundante e barata para as exportações
primárias, subsidiada por nós, consumidores domésticos que, evidentemente, pagamos um
alto preço.
É certo que as modificações feitas pelo homem no âmbito natural, normalmente causam
grandes impactos e destruição trazendo enormes prejuízos para a biodversidade. A
construção de uma barragem e o represamento dos rios, afetam a vida das plantas e dos
animais. Cerca da 93% de energia elétrica no Brasil vem de grandes barragens.
O represamento
Um dos grandes problemas da construção de hidroelétricas e a necessidade de
barragens. Um rio represado causa a inundação de uma extensa área, mudança no curso e
volume das águas dos rios, eliminando grandes porções de mata natural, prejudicando a
criação/reprodução de peixes. O represamento de um rio chega a alterar o clima da
região.
Barragens não atingem objetivos
Um relatório independente da Comissão Mundial de Barras (CMB) lançado em Londres em
novembro de 2000 demonstra que as barragens não atingem os objetivos prometido, fornecem
menos áreas do que o projetado. As barragens custam muito mais caro e levam muito tempo
para serem concluídas.
O governo brasileiro apesar de ter participado do trabalho da CMB não achou as suas
conclusões convenientes. Continua com sua política de destruição ambiental e social
proporcionada pelas grandes barragens.
Alternativas mais limpas
As alternativas existem. Indústrias como as de ferro-ligas e siderúrgicas consomem
quantidades enormes de energia elétrica e precisam de 50 a 70 vezes mais energia para
gerar o mesmo número de emprego (IEE/USP) que as indústria texteis ou de alimentos e
bebidas.
Investir em energia limpa (solar, eólica), pequenas barragens, usinas de bio-massa,
sistema de co-geração utilizando gás natural, e programas eficazes de conservação de
energia.
Impactos sociais
A construção de grandes hidrelétricas só vem provocar o aumento da população nas
grandes cidades. As famílias de agricultores abandonam suas atividades, suas comunidades
são destruídas e ou desestruturadas. Os governos, assim como as empresas deveriam ter em
mente que a ecoproteção compensa, pois os benefícios econômicos decorrentes da
preservação da natureza superam os custos cada vez maior de projetos de conservação de
áreas naturais para o uso humano.
Cresce oferta de orgânicos
A oferta de produtos orgânicos no Brasil vem superando todas as expectativas. Cresce
50% ao ano. A agricultura orgânica surge como uma excelente alternativa de cultivo em
áreas de preservação ambiental. Nessa área ainda predomina a produção familiar. Vale
a pena esperar. Os preços com o tempo tendem a diminuir e ficar mais atraente para a
população.
Excede?
E a Shell, heim, cada dia que passa complica a sua situação. A empresa está sendo
investigada pelo Ministério Público estadual pela possível contaminação por produtos
químicos tanto em Paulínia e Vila Carioca, no Ipiranga.
500 moradores da Vila Carioca estão sob suspeita de contaminação e em Paulínia, cerca
de 220 pessoas que moravam no Recanto dos Pássaros. Esperaremos o desfecho.
Gilberto da Silva
Gilberto@partes.com.br |