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Revista Partes ano II setembro de 2002 n.25

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"Oh yeah Fhürer!"
por Bruno Machado


Na segunda metade dos anos 40 a humanidade viveu um dos períodos mais negros de sua história contemporânea. Com a ascensão de governos fascistas na Europa e a eclosão da segunda guerra mundial, as tropas nazistas lideradas por Adolf Hitler promovem um verdadeiro massacre por toda a região; a discriminação e segregação racial são características deste período marcado pela perseguição aos Judeus, comunistas, ciganos e todos aqueles que não se encaixassem nos moldes da "RAÇA PURA" pregada pelos nazistas.

Os campos de concentração, onde milhares de pessoas sofriam as piores degradações que possam ser imaginadas, se espalham por toda a Europa. Confinadas, as minorias perseguidas por Hitler viviam em péssimas condições, além de receberem tratamento cruel e desumano que incluía uma alimentação escassa, longas jornadas de trabalho pesado e sessões de tortura diárias. Até o final da guerra, mais de seis milhões de Judeus haviam sido exterminados nos campos de concentração nazistas como o de Auschwitz, por exemplo.

No Brasil, a gestão ditatorial de Getúlio Vargas mantinha estreitos laços com os demais governos nazi-fascistas europeus; alarmado com a ameaça comunista promovida por grupos revolucionários como a COLUNA PRESTES, o governo Brasileiro passa a travar relações ainda mais íntimas com o partido nazista; documentos referentes a este período denunciam até mesmo a presença de agentes da GESTAPO, a polícia secreta de Hitler, em terras brasileiras.

Uma grande evidência desta relação entre o Estado Novo de Getúlio Vargas e a Nação Ariana dos nazistas é o episódio envolvendo a prisão e deportação para a Alemanha de Olga Benario Prestes, esposa de Luís Carlos Prestes e militante do partido Comunista. Olga foi capturada após uma mega-operação organizada pela polícia Brasileira, na tentativa de fechar o cerco aos comunistas. Permaneceu em cárcere até ser entregue aos alemães, em plena gestação de sua filha Anita. Judia e comunista, Olga acabou executada no campo de Ravensbrück na Alemanha meses após a entrega de sua filha à avó paterna.

O caso Olga, além de demonstrar uma clara vingança pessoal do governo Vargas para com o líder revolucionário Luís Carlos Prestes,nos dá uma visão ampla das dimensões assustadoras do nazi-fascismo, cujas raízes se estenderam desde a Europa até pontos longíquos como a América do Sul. Estas ramificações ainda são presentes em várias localidades do planeta,em países da Europa como Áustria e Itália, por exemplo, grupos de extrema direita estão no poder.O primeiro ministro Austríaco Jörg Haider causou polêmica e protestos ao elogiar o método de trabalho utilizado durante o regime nazista, enquanto Silvio Berlusconi- da Itália- possui claras ligações com grupos xenófobos.

A maior ameaça de uma nova explosão de ódio e racismo, porém, vem dos EUA. Após os ataques terroristas de 11 de Setembro uma onda de paranóia e xenofobia vêm marcando o país,(que já possuía grupos de ódio como a Ku Klux Klan) aumentando a perseguição a estrangeiros, principalmente aqueles de descendência árabe. A posição assumida pelos EUA desde então pode ser comparada com a postura adotada pelos nazistas durante a segunda grande guerra: Ou se está a favor dos EUA ou então está contra a nação mais poderosa do planeta.

Sob o pretexto de uma "guerra contra o terror", tropas americanas promovem uma devassa em países árabes como o Afeganistão, milhares de civis são massacrados diariamente em nome da NAÇÃO DO BEM; rótulo adotado pelos EUA, ao posicionarem-se contra os países árabes que configuram um suposto EIXO DO MAL, outro rótulo imposto pelo governo Norte Americano após os atentados terroristas. É oportuno lembrar que a nação do BEM que invadiu e devastou o Afeganistão sob o pretexto de vencer o MAL, é a mesma que assiste diariamente ao massacre do povo palestino no Oriente Médio e se limita a fazer vistas grossas.Ou seja, o estigma do BEM, assim como a sua velha luta contra o MAL só parece funcionar quando convém ao Presidente George W. Bush.

O mesmo que há poucos meses aprovou uma política de proteção nacional, onde as liberdades individuais dos cidadãos foram colocadas em risco.Assim como na Alemanha de Hitler, nos EUA de George Bush qualquer cidadão pode ser preso sem possuir qualquer acusação formal contra sua pessoa; basta alguém apontar um dedo em sua direção. Nas semanas que decorrentes ao atentado contra o World Trade Center, cidadãos de origem árabe foram perseguidos, agredidos e até mesmo presos. Uma prova explícita de que A NAÇÃO DO BEM não hesita em colocar seus interesses acima de tudo, classificando de maneira arbitrária, baseada em preconceitos e estereótipos,como pertencentes ao MAL indivíduos inocentes.

Sendo assim, será que existem diferenças entre a Nação do Bem defendida por George Bush e a Nação Ariana defendida por Hitler? Ambas não caem num mesmo lugar comum? As perseguições sofridas pelos Árabes não seriam uma nova modalidade daquelas sofridas pelos Judeus durante o regime Nazista? Assim como fez Adolf Hitler, George Bush escancara suas intenções de colocar o mundo (ainda mais) aos pés dos EUA.

Dos inimigos comunistas que provocaram terror e paranóia até o final dos anos oitenta, aos árabes de 2002; o governo americano é famoso por usar a velha tática do INIMIGO EXTERNO para manipular a massa ao seu favor. Assim como Hitler se utilizava dos ecos da crise de 1929 para controlar o povo alemão, transformando a nação em um verdadeiro rebanho do ódio.Coincidência ou não, estas semelhanças entre o Führer Alemão e o Cowboy Texano devem alertar todos nós para um possível e provável renascimento dos ideais nazi-fascistas na América, e o que é mais alarmante: nas mãos da nação mais poderosa do mundo.


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Bruno Machado
19 anos, estudante de jornalismo e guitarrista da banda de hardcore Mr.Bozo
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E-mail: contosdomanicomio@hotmail.com

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