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Revista Partes ano II setembro de 2002 n.25

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O pagador de promessa
por Alfredo Ramos

O negócio era o seguinte, dois pontos: vamos ver se piora e aí, mudamos tudo.

O sujeito fora incumbido - pôr si mesmo - de salvar a firma onde trabalhava. Imaginou então que a única maneira de resolver esta inusitada situação, era radicalizar. Imbuído de bons propósitos, chegou até ao patrão e enfático disse:

- Meu caro patrão, a firma está indo muito mal e não vejo perspectivas de melhora, a não ser que...

- Sim, estou ouvindo - disse o patrão.

- A não ser que o senhor tire umas férias prolongadas e fique eu aqui, colocando a casa em ordem...

O patrão arregalou os olhos e disse:

- Mais é muita petulância sua! Então a firma vai mal porque eu sou o culpado da incompetência dos empregados?

- Na verdade - disse o salvador da firma - na verdade, vai mal pôr este e outros motivos. Mas não é este o caso. O senhor tira umas férias, damos uma remuneração fixa pôr mês a título de pro-labore, e o senhor vai passear bem longe daqui, deixando que eu e os empregados tiremos a firma do vermelho.

Desnorteado, o patrão largou tudo e foi embora.

Ausentado pôr diversos dias da empresa, sem dar a mínima resposta ao Salvador da Firma, este resolveu tocar o barco como se fosse realmente a única coisa importante a fazer. E logo começou a mudar tudo.

Dispensou funcionários, baixou salários e o principal que tinha a realizar, produzir e fazer a firma também, não conseguiu. O que era pior com o patrão, ficara insustentável mais ainda com o salvador da firma.

O patrão que tinha ficado ausente da sua empresa, uma noite liga para o Salvador da Firma, e pede para ele ir até a Rodovia dos Trabalhadores, à altura do km 60, buscá-lo, sem especificar os motivos. Lá chegando o funcionário, encontra na beira da estrada o seu patrão fingindo carregar uma grande cruz sobre os ombros. Espantado, ele indaga:

- Mas o que o senhor faz aqui, só, a esta hora da madrugada?

- Estou cansado... Queria ir pagar uma promessa até Aparecida, mas pensando bem e conforme você andou dizendo, sou mesmo um incompetente em tudo o que faço. Assim, seu pilantra, trouxe na realidade essa cruz para você - que se julga tão competente, sim - e a carregue para mim até Aparecida...

O patrão, entrou no carro rapidinho, abandonou o funcionário salvador da firma, numa escura madrugada, só, sem qualquer recurso e em plena estrada deserta, para ele aprender que, quem não cumpre o prometido, nem promessa consegue pagar.

Feliz pôr ter-se vingado do empregado que o subestimara, saiu cantando pneus e zombando:

- Braziiiiiiiiiiiiiiiiiil, zil, zil, zil, zil -

 


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Alfredo Ramos é editor do site www.sampanostra.com


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