O negócio era o seguinte, dois pontos: vamos ver se piora e aí, mudamos
tudo.
O sujeito fora incumbido - pôr si mesmo - de salvar a firma onde
trabalhava. Imaginou então que a única maneira de resolver esta inusitada situação,
era radicalizar. Imbuído de bons propósitos, chegou até ao patrão e enfático disse:
- Meu caro patrão, a firma está indo muito mal e não vejo perspectivas de melhora, a
não ser que...
- Sim, estou ouvindo - disse o patrão.
- A não ser que o senhor tire umas férias prolongadas e fique eu aqui, colocando a
casa em ordem...
O patrão arregalou os olhos e disse:
- Mais é muita petulância sua! Então a firma vai mal porque eu sou o culpado da
incompetência dos empregados?
- Na verdade - disse o salvador da firma - na verdade, vai mal pôr este e outros
motivos. Mas não é este o caso. O senhor tira umas férias, damos uma remuneração fixa
pôr mês a título de pro-labore, e o senhor vai passear bem longe daqui, deixando que eu
e os empregados tiremos a firma do vermelho.
Desnorteado, o patrão largou tudo e foi embora.
Ausentado pôr diversos dias da empresa, sem dar a mínima resposta ao
Salvador da Firma, este resolveu tocar o barco como se fosse realmente a única coisa
importante a fazer. E logo começou a mudar tudo.
Dispensou funcionários, baixou salários e o principal que tinha a
realizar, produzir e fazer a firma também, não conseguiu. O que era pior com o patrão,
ficara insustentável mais ainda com o salvador da firma.
O patrão que tinha ficado ausente da sua empresa, uma noite liga para
o Salvador da Firma, e pede para ele ir até a Rodovia dos Trabalhadores, à altura do km
60, buscá-lo, sem especificar os motivos. Lá chegando o funcionário, encontra na beira
da estrada o seu patrão fingindo carregar uma grande cruz sobre os ombros. Espantado, ele
indaga:
- Mas o que o senhor faz aqui, só, a esta hora da madrugada?
- Estou cansado... Queria ir pagar uma promessa até Aparecida, mas pensando bem e
conforme você andou dizendo, sou mesmo um incompetente em tudo o que faço. Assim, seu
pilantra, trouxe na realidade essa cruz para você - que se julga tão competente, sim - e
a carregue para mim até Aparecida...
O patrão, entrou no carro rapidinho, abandonou o funcionário salvador
da firma, numa escura madrugada, só, sem qualquer recurso e em plena estrada deserta,
para ele aprender que, quem não cumpre o prometido, nem promessa consegue pagar.
Feliz pôr ter-se vingado do empregado que o subestimara, saiu cantando
pneus e zombando:
- Braziiiiiiiiiiiiiiiiiil, zil, zil, zil, zil -