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Revista Partes ano II novembro de 2002 n.27

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Ser ou não ser livre
por Adilson Luiz Gonçalves
Após as recentes declarações de megainvestidores e membros de alto escalão do governo dos EUA sobre as perspectivas das eleições brasileiras, alguém tem dúvida da tentativa de manipulação das intenções de voto para atender à interesses externos?
Até o tradicional plano de contingência secreto tem tom ameaçador e sombrio!
Mesmo a antes celebrada ALCA deixou de ser uma opção negociável de amplos e   difusos benefícios ("boa para todos") para se transformar em única
alternativa ao comércio com pingüins!

O que será que eles estão planejando? Financiar um novo golpe de estado?
Declarar guerra ao Brasil por ligações - sem provas - com a Al Qaeda? Proibir a ida de brasileiros à Disneylândia? Será que pensam ser uma "boa
idéia" transformar o Brasil em seu 51º estado ou, mais provavelmente, num território, como Porto Rico: deles, mas não como eles?
O Brasil terá um presidente que atenda às aspirações da maioria da sociedade ou, apenas, mais um na extensa relação de mamulengos do poder econômico internacional e de oligarquias patrícias?

Seguindo a tradição de "sobriedade diplomática" dos EUA - tanto na solução de problemas internos (Guerra da Secessão, massacre de índios, racismo
institucionalizado até os anos 1960, etc.) quanto externos (militarismo intervencionista, financiamento de golpes de estado e de ditaduras corruptas e opressoras, bombas de Hiroshima e Nagazaki, bloqueios econômicos desumanos, etc.) - as transformações mundiais e as resistências ao seu jugo "suave" logo levarão o Presidente Bush a pedir autorização ao Congresso para declarar guerra ao mundo ou a qualquer um que contrarie a sua vontade!

Aos EUA cabe reavaliar sua política hegemônica e neurótica, que pode cooptar governantes, mas não consegue conter tensões sociais nem a progressiva e agressiva aversão de que são alvo; ao Brasil cabe tentar, mais uma vez, assumir o comando de seu destino, rompendo as rédeas que nos são impostas
desde a independência. Este deve ser o principal compromisso de qualquer candidato! E devemos
cobrar isso deles, pois para o Brasil erguer-se precisa, antes de tudo, parar de ficar de joelhos!
E por falar em independência, talvez esteja na hora de substituirmos o lema:

"Deitado, eternamente, em berço esplêndido..." (que, ultimamente, mais se assemelha a uma cama de faquir) pelo: "Brava gente brasileira! Longe vá temor servil!".
 


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Adilson Luiz Gonçalves
Engenheiro e Professor Universitário
Santos - SP


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