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Revista Partes ano II novembro de 2002 n.27

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Econotas

De balões e incêndios: perigos
por Gilberto da Silva

Alerta

A Defesa Civil do Município de São Paulo está alertando a população paulista para o elevado risco de incêndio em matas, decorrente das condições climáticas que facilitam a rápida propagação do fogo. Segundo o serviço de meteorologia da Defesa Civil, uma massa de ar quente e seco, que atua no Estado desde a última semana, provoca a redução de umidade na maior parte das regiões. Esta redução nos índices de umidade é mais acentuada no noroeste paulista, onde as temperaturas elevadas favorecem a evaporação e o déficit hídrico do solo, deixando seca a vegetação e facilitando a ocorrência de incêndios.

Cuidados

A Defesa Civil elenca uma série de procedimentos tais como: não jogue cigarros ou fósforos acesos nas margens das rodovias; não solte balões, não acenda fogueiras; evite qualquer tipo de queimada; apague qualquer tipo de fogo próximo às florestas e às paisagens ou às margens da rodovias, mesmo que não pareça perigoso (incêndios de pequenas proporções podem ser apagados com água ou abafados com terra); a qualquer sinal de fumaça suspeita, avise o Corpo de Bombeiros imediatamente pelo fone 193, ou disque Mata Fogo no 0800-113560.

Balões

Os balões têm sido os maiores vilões deste período, apesar de proibido. É bonito ver um balão no ar. Entretanto, devemos ter claro o perigo que representa a prática de soltar balões. Uma brincadeira perigosa. Tão perigosa como soltar pipa com cerol. Se o cerol mata pessoas violentamente, o fogo resultante da queima dos balões extermina vidas, espécies

Combustível

O álcool combustível pode abrir as portas do Brasil para o mercado mundial. O álcool cresce enquanto a ampliação do mercado de açúcar vai perdendo a força. Este é um importante filão, pois proporciona a redução da dependência do petróleo. Temos que correr, se bobearmos, em breve, outros países irão copiar o Brasil e passar a produzir álcool para combustível. A produção mundial de álcool é de 20 bilhões de litros. O Brasil produz a metade e os Estados Unidos, 7 milhões de litros.

Reservas

O Ibama reconheceu 384 reservas naturais de propriedades particulares. São áreas privadas que recebem vários benefícios e isenções e, também, financiamentos bancários para desenvolver projetos ecológicos com acompanhamento técnico do Ibama.

Estas áreas são preservadas para proteger a biodiversidades da caatinga, a mata atlântica ou o cerrado.

Eleições

A questão ambiental passou batida nestas eleições. Exceto em alguns cadernos de candidaturas, os postulantes à presidência praticamente ignorou a questão. Parece que marqueteiro desconhece a problemática ambiental. As flutuações do mercado são passageiras, a devastação pode ser um caminho sem retorno. Nem mesmo as candidaturas para o governo estadual trataram o tema com sua devida importância. Foi usada apenas como pegadinha para enrolar candidatos. Esta situação precisa mudar.

Xaxim

Lei do vereador João Antônio (PT) aprovada na Câmara Municipal proíbe o comércio de vasos de xaxim na capital. A lei 13.442 pretende proteger o xaxim, que é uma espécie da mata atlântica, e contribui para evitar o desmatamento. A proposição do vereador atende uma antiga reivindicação das entidades ligadas ao meio ambiente.

Fim?

Cada dia que passa sobre menos terras virgens e vida selvagem no planeta -a maioria delas na Amazônia. Todas somadas, estima-se que representem apenas 17% da superfície da Terra.
Os outros 83% da área do planeta já são utilizados para o sustento da humanidade, por meio de agricultura, mineração ou extrativismo (inclusive pesca e caça). Cerca de 98% das terras aráveis se encontram tomadas pela agricultura, com forte predominância de apenas três lavouras: arroz, trigo e milho. Cad6e a diversidade?
Embora sejam somente estimativas, essas estatísticas testemunham que não tem precedentes na história a escalada no consumo de recursos naturais ao longo do século 20. A conclusão – que enfatizo sempre - é que o mundo se encontra numa grave crise ambiental. Segundo o naturalista Edward O. Wilson, a extensão do padrão de consumo americano a todos as pessoas da Terra exigiria três planetas adicionais.
Gilberto da Silva
gilberto@partes.com.br

 


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Gilberto da Silva é editor da revista Partes
gilberto@partes.com.br


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