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Revista Partes ano II novembro de 2002 n.27

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Um Brasil da Silva, ou para os Silvas?
Leia o Editorial
lula.jpg (1355 bytes)NYT: O próximo presidente do Brasil

Luiz Inácio Lula da Silva se tornou o primeiro presidente de esquerda do Brasil quando ganhou a eleição do último domingo com uma ampla margem de vantagem. Como o Brasil foi governado por uma ditadura militar há apenas duas décadas, e Lula foi um opositor do regime e chegou a ser preso, sua eleição é um tributo à triunfante consolidação da democracia na maior nação da América do Sul.

As preocupações econômicas, no entanto, ameaçam ofuscar o histórico feito. O presidente eleito, que assumirá em janeiro, está trabalhando com afinco para assegurar aos investidores e aos mercados financeiros que ele não é um agitador marxista descuidado.

Apesar do tom relativamente moderado que Lula adotou em sua quarta disputa para a Presidência, os investidores temiam que o ex-líder sindicalista poderia não reconhecer a dívida externa brasileira ou reverter a liberalização econômica do presidente Fernando Henrique Cardoso.

Neste ano, o real, moeda brasileira, perdeu 30% de seu valor, grande parte por causa da preocupação com um governo Lula. Com a dívida pública do país vinculada ao dólar, é imperativo que se reverta essa tendência. Do contrário, o Brasil poderá enfrentar um doloroso default seguindo os passos da Argentina, mas com consequências mais devastadoras para a economia mundial.

Lula, que andará numa corda bamba para satisfazer a demanda reprimida por gastos sociais em um momento de austeridade, suavizou seus pontos de vista e prometeu executar suas obrigações com o país.

Investidores estrangeiros e instituições financeiras devem proporcionar um "respiro" ao novo governo e ser compreensivos com a política de equilíbrio entre o econômico e o social. É interesse de todos que o Brasil não apenas cresça, mas cresça com uma sociedade mais justa.

Quanto à administração Bush, o triunfo de Lula representa uma oportunidade singular num momento em que os latino-americanos têm se sentido negligenciados por Washington. O presidente Bush deve se empenhar com diálogos cordiais e respeitosos sobre o acordo comercial do hemisfério, e ser mais compreensivo com a situação econômica do país. Tal postura poderia ajudar a frustrar aqueles que desejam que o ressurgimento da esquerda na América do Sul seja acompanhado do ressurgimento do anti-americanismo.

(Editorial do jornal americano The New Tork Times de 30/10/2002)  

Editorial do The New York Times de 30/10/2002

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