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Revista Partes ano II novembro de 2002 n.27

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Poesia


Mãos dadas

por Carlos Drummond de Andrade


Não serei o poeta de um mundo caduco.
Também não cantarei o mundo futuro.
Estou preso à vida e olho meus companheiros.
Estão taciturnos mas nutrem grandes esperanças.
Entre eles, considero a enorme realidade.
O presente é tão grande, não nos afastemos.
Não nos afastemos muito, vamos de mãos dadas.

Não serei o cantor de uma mulher, de uma história, não direi os suspiros ao anoitecer, a paisagem vista da janela, não distribuirei entorpecentes ou cartas de suicida, não fugirei para as ilhas nem serei  raptado por serafins.
O tempo é a minha matéria, o tempo presente, os homens presentes, a vida presente.
 

 


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Carlos Drummond de Andrade
Nascido em Itabira (MG), em 31 de outubro de 1902. Morreu em 17 de agosto  de 1987.


Escute o poema em MP3


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