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A
teoria econômica define como produto de oferta inelástica, aquele cuja quantidade
ofertada no mercado permanece constante, independentemente da variação do preço e da
demanda.
A cachaça Havana (atual Anísio Santiago), produzida desde 1943, por Anísio Santiago, na
Fazenda Havana, em Salinas/MG, é o típico produto que se encaixa neste conceito
econômico de oferta e procura.
A famosa bebida é tida como sinônimo de cachaça artesanal de qualidade, e considerada
referência no mercado brasileiro para esse produto ao longo das últimas décadas. Em
suma, é a mais elitizada das cachaças artesanais brasileiras.
A marca "Havana" encontra-se sob disputa judicial desde meados de 2001, estando
suspensa a comercialização do produto com o nome "Havana". Enquanto aguarda
manifestação definitiva do Poder Judiciário, a cachaça é comercializada como o nome
do produtor da cachaça "Anísio Santiago".
Trata-se de uma cachaça de elevado padrão de qualidade, pouco disponível no mercado
dada a sua pequena produção (não ultrapassa 10 mil litros/safra) e preço bastante
elevado, se comparada ao preço de outras marcas produzidas no Município de Salinas e
região norte-mineira.
Ao longo das últimas décadas, face ao aumento da demanda pelo produto e a oferta
limitada, a cachaça Havana/Anísio Santiago tornou-se a mais cara do gênero no mercado
nacional.
Questiona-se muito o fato do produto ser tão caro, e ainda assim, havendo demanda, do por
que Anísio Santiago não aumentar a oferta, atendendo à lógica da lei da oferta e
procura.
Em contradição a essa lógica do mercado, o produtor não aceita subordinar-se ao
princípio de que para toda demanda existe uma oferta correspondente.
À sua maneira, Anísio Santiago, para manter o alto padrão de qualidade da cachaça,
não aceita aumentar a produção, apesar de ter estrutura para tal. Na visão do
produtor, levando-se em conta unicamente o fator preço, a sua produção de 10 mil
litros/safra equivale à produção de 150 mil litros, de qualquer outro grande produtor
de cachaça no Município de Salinas e região. A diferença é que a demanda pela sua
cachaça é constante, apesar de ser reprimida pela inelasticidade da oferta do produto.
Apesar do comportamento controverso, Anísio Santiago representa o pequeno empresário
agro-industrial do interior norte-mineiro, cuja importância no desenvolvimento regional
local é primordial, tendo em vista que consegue agregar valor ao seu produto, através da
qualidade, aumentar a sua renda e manter um nível de empregabilidade estável aos
funcionários que trabalham em sua propriedade.
É o típico empresário rural que deu certo , que soube enfrentar a ausência de qualquer
tipo de incentivo governamental, bem como as intempéries da conjuntura econômica
brasileira nos últimos 50 anos, transformando uma cachaça de alto valor agregado em um
produto mitológico em todos os cantos do Brasil e do exterior.
O mercado sabe valorizar este tipo de produto e, independentemente do preço, vai sempre
demandar por qualidade em detrimento da quantidade. Se uma garrafa da cachaça
Havana/Anísio Santiago custa, em média 120 reais, e ainda assim, há demanda, apesar de
reprimida, é um sinal claro de que a decisão em privilegiar a qualidade em detrimento da
quantidade foi correta. Os apreciadores de cachaça de qualidade agradecem.
Os governos, federal, estadual e municipal, através de estratégias de incentivos,
deveriam expandir as atividades produtivas agro-industrial familiar, com o objetivo de
aumentar a renda e agregar valor aos produtos dos pequenos e médios produtores rurais, a
exemplo de Anísio Santiago.
Tais incentivos, a médio e longo prazo, oportunizariam a ocupação para um expressivo
contingente de mão-de-obra, evitaria o êxodo rural e promoveria o desenvolvimento
sócio-econômico, possibilitando a expansão das economias locais.
Atualmente, Salinas é conhecida nacionalmente pela qualidade da cachaça artesanal ali
produzida, tendo Anísio Santiago, um destacado papel na divulgação do nome do
município em todos os cantos do Brasil. |