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Revista Partes ano II dezembro de 2002 n.28

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Crônicas

Crônica sobre o Pequeno Buda
por Paulo de Abreu Lima


A história de Jesse, Raju e Gita

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O sentido da busca
O sentido do diferente
O sentido da identidade
O sentido da idade
O sentido da beleza
O sentido da humildade
O sentido da bondade
O sentido da doação
Quantos sentidos...

Vários sentidos existem e vários sentidos são buscados. Esse parece ser o movimento das crianças e a razão da busca de seu crescimento. Quais seriam os sentidos para Jesse, Raju e Gita? Eles buscaram ou foram buscados?

Quem eram as crianças?

Eram crianças como quaisquer outras. Pequenas, de nove, dez ou onze anos. A única diferença é que tinham nascido em lugares distantes e diferentes. Eram crianças que gostavam de brincar. Cada uma do seu jeito. Jesse gostava de brincar de game boy e jogar baseball. Raju gostava de cantar e correr e tinha jogos diferentes que Jesse nunca tinha visto. Gita, como as meninas da terra de Jesse, também gostava de brincar de boneca; provavelmente bonecas um pouco diferentes, mas com certeza bonecas, quando experimentavam o gosto e o jeito de ser adultos e cuidar de alguém menor.

As crianças, portanto, eram crianças que gostavam de brincar e de buscar; a bem da verdade, elas buscavam de um jeito diferente daquele ao qual os adultos buscam; elas buscavam, não tentando entender, mas sentindo e vivendo cada segundinho de uma forma muito particular e plena de intensidade e alegria.

Mas algo especial e característico tinha nas três crianças: Gita era meiga, Raju alegre e Jesse pensativo.

O primeiro encontro

Começa uma busca: nos Estados Unidos, no Nepal e na Índia. A busca de um sentido muito diferente e meio "sem sentido" para nós, cristãos e ocidentais. Um sentido de encontro e continuidade que era a re-encarnação de um importante Lama nas três crianças. Um sentido especialmente estranho para os pais de Jesse, pois que eram americanos, ocidentais e pragmáticos. Diferentes dos pais de Gita e Raju, estes orientais e, com certeza, com percepções diferentes de sentidos diferentes dos ocidentais.

O primeiro encontro, portanto, é de surpresa e também de muita responsabilidade. Dois sentidos se despontam: um sentido para os pais e um sentido para as crianças. O sentido para os pais – quaisquer que sejam sua origem – sempre é um sentido de preocupação que envolve proteção e cuidados. O sentido para as crianças é sempre um sentido de prazer, euforia, movimento, deleite e descoberta. Mesmo com muita responsabilidade as crianças encaram o desafio: buscam mais e profundamente um sentido que nem é muito claro para elas, aparentemente, mas que parece ser uma aventura de descoberta e muita alegria.

A dúvida

Aparece uma dúvida. As crianças passam a conhecer a estória de Buda. Uma estória às vezes bonita, às vezes assustadora. Uma estória de crescimento e brincadeira, mas também uma estória de sofrimento. Conhecê-la assusta. O susto cria dúvida e a dúvida põe em dúvida o movimento. Mas são apenas crianças e já têm dúvidas?? Será que suas dúvidas são delas próprias? Não são dos adultos? Acho que não...São movimentos e sentidos que Jesse, Raju e Gita tiveram o privilégio e a sorte de experimentar e conhecer bem antes – ou talvez no tempo certo – que outras crianças.

Os primeiros sentidos e a compreensão

Quando imersos no ambiente do templo – onde seus guias tibetanos os ajudam a conhecer e sentir cada espaço especial daquele lugar – os sentidos passam a ter , para cada um deles, um significado muito importante e diferente do que nunca eles poderiam imaginar: sentido da busca, sentido do diferente, sentido da identidade, sentido da idade, sentido da beleza, sentido da humildade, sentido da bondade, sentido da doação, sentido do sofrimento, sentido do desprendimento, sentido da perda, sentido da presença. Muitos sentidos...sentidos de inteireza nos quais as crianças não pensam...apenas vivem, pois isto é o que importa para elas. E esta experiência fazia muito sentido: reencarnar e abraçar o sentido daquele Lama era algo muito vivo; muito mais que um pensamento.

O abraço

Do sentido para o abraço foi um pulo. Um pulo de clareza e aquela beleza e simplicidade de brinquedo que só as crianças têm. Aquela doçura e aquele olhar misto de investigação e atenção e imenso interesse em descobrir, encontrar e realizar. Acho que são estas três coisas, exatamente, que fizeram Gita, Raju e Jesse, tão sérios, tão adultos e crianças, simplesmente e seriamente comprometidas com o sentido que lhes foi confiado. Um sentido muito especial no qual um amigo muito importante e confidente, como Lama Norbu, traduziu e proporcionou para eles: fé, amor, doação, simplicidade e humildade. Felizes Gita, Raju e Jesse que encontraram um Lama Norbu na vida podendo encontrar e abraçar coisas tão importantes e raras. 

Dedico esta crônica para o Bruno, que acabou de chegar e com certeza abraçará todas estas coisas importantes em nossa vida.

Paulo de Abreu Lima
Partes / dezembro.2002


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O que é budismo
Thubten Chodron
Editora Nova Era
228 páginas
Preço: R$ 27,00

Estou feliz em ter conhecimento da existência de O que é budismo, de Thubten Chodron. Este livro foi escrito principalmente para as pessoas que desejam compreender os princípios do budismo e saber aplicá-los às suas vidas.

Sua Santidade, o XIV Dalai Lama, extraído do Prefácio do livro O que é Budismo

O que é budismo apresenta uma série de perguntas e respostas que esclarecem dúvidas comuns entre grande parte dos ocidentais que se interessam pelo tema e entre aqueles que já estudam ou praticam o Budismo, mas ainda encontram dificuldades em entender alguns aspectos da religião.

Abordando conceitos, dogmas e termos presentes no Budismo, o livro traz para a vida prática os ensinamentos de Buda e os frutos que deles advém. Os tradicionais termos em páli e sânscrito estão aqui explicados e desmitificados numa linguagem simples e atrativa, assim como temas ligados à família, emoções, ética, religiosidade, entre outros. Seja lendo a obra do início ao fim ou mesmo consultando diretamente os itens que mais interessam, o leitor encontrará descritos os principais pontos de vista dos budistas.

o que é budismo mostra a beleza e a profundidade da tradição budista tibetana, despertando a curiosidade e a admiração dos leitores sem, no entanto, visar ser uma introdução completamente abrangente ao Budismo. Embora ofereça respostas, o livro reafirma a concepção budista de que é preciso contemplarmos pergunta e resposta repetidamente, até enxergá-las a partir de todos os ângulos possíveis, antes de integrá-las às nossas vidas.
Thubten Chodron estuda e pratica o Budismo na Índia e no Nepal desde 1975. Monja budista tibetana, nascida nos Estados Unidos, foi professora no Amitabha Buddhist Centre, em Cingapura, antes de lecionar na Dharma Friendship Foundation, em Seattle. Chodron viaja por todo o mundo conduzindo retiros de meditação e fazendo palestras sobre os ensinamentos de Buda. É autora de Open Heart, Clear Mind e Working with Anger.


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