A
história de Jesse, Raju e Gita

O sentido da busca
O sentido do diferente
O sentido da identidade
O sentido da idade
O sentido da beleza
O sentido da humildade
O sentido da bondade
O sentido da doação
Quantos sentidos...
Vários sentidos existem e vários sentidos são buscados. Esse
parece ser o movimento das crianças e a razão da busca de seu crescimento. Quais seriam
os sentidos para Jesse, Raju e Gita? Eles buscaram ou foram buscados?
Quem eram as crianças?
Eram crianças como quaisquer outras. Pequenas, de nove, dez ou onze anos. A única
diferença é que tinham nascido em lugares distantes e diferentes. Eram crianças que
gostavam de brincar. Cada uma do seu jeito. Jesse gostava de brincar de game boy e jogar
baseball. Raju gostava de cantar e correr e tinha jogos diferentes que Jesse nunca tinha
visto. Gita, como as meninas da terra de Jesse, também gostava de brincar de boneca;
provavelmente bonecas um pouco diferentes, mas com certeza bonecas, quando experimentavam
o gosto e o jeito de ser adultos e cuidar de alguém menor.
As crianças, portanto, eram crianças que gostavam de brincar e de buscar; a bem da
verdade, elas buscavam de um jeito diferente daquele ao qual os adultos buscam; elas
buscavam, não tentando entender, mas sentindo e vivendo cada segundinho de uma forma
muito particular e plena de intensidade e alegria.
Mas algo especial e característico tinha nas três crianças: Gita era meiga, Raju
alegre e Jesse pensativo.
O primeiro encontro
Começa uma busca: nos Estados Unidos, no Nepal e na Índia. A busca de um sentido
muito diferente e meio "sem sentido" para nós, cristãos e ocidentais. Um
sentido de encontro e continuidade que era a re-encarnação de um importante Lama nas
três crianças. Um sentido especialmente estranho para os pais de Jesse, pois que eram
americanos, ocidentais e pragmáticos. Diferentes dos pais de Gita e Raju, estes orientais
e, com certeza, com percepções diferentes de sentidos diferentes dos ocidentais.
O primeiro encontro, portanto, é de surpresa e também de muita responsabilidade. Dois
sentidos se despontam: um sentido para os pais e um sentido para as crianças. O sentido
para os pais quaisquer que sejam sua origem sempre é um sentido de
preocupação que envolve proteção e cuidados. O sentido para as crianças é sempre um
sentido de prazer, euforia, movimento, deleite e descoberta. Mesmo com muita
responsabilidade as crianças encaram o desafio: buscam mais e profundamente um sentido
que nem é muito claro para elas, aparentemente, mas que parece ser uma aventura de
descoberta e muita alegria.
A dúvida
Aparece uma dúvida. As crianças passam a conhecer a estória de Buda. Uma estória
às vezes bonita, às vezes assustadora. Uma estória de crescimento e brincadeira, mas
também uma estória de sofrimento. Conhecê-la assusta. O susto cria dúvida e a dúvida
põe em dúvida o movimento. Mas são apenas crianças e já têm dúvidas?? Será que
suas dúvidas são delas próprias? Não são dos adultos? Acho que não...São movimentos
e sentidos que Jesse, Raju e Gita tiveram o privilégio e a sorte de experimentar e
conhecer bem antes ou talvez no tempo certo que outras crianças.
Os primeiros sentidos e a compreensão
Quando imersos no ambiente do templo onde seus guias tibetanos os ajudam a
conhecer e sentir cada espaço especial daquele lugar os sentidos passam a ter ,
para cada um deles, um significado muito importante e diferente do que nunca eles poderiam
imaginar: sentido da busca, sentido do diferente, sentido da identidade, sentido da idade,
sentido da beleza, sentido da humildade, sentido da bondade, sentido da doação, sentido
do sofrimento, sentido do desprendimento, sentido da perda, sentido da presença. Muitos
sentidos...sentidos de inteireza nos quais as crianças não pensam...apenas vivem, pois
isto é o que importa para elas. E esta experiência fazia muito sentido: reencarnar e
abraçar o sentido daquele Lama era algo muito vivo; muito mais que um pensamento.
O abraço
Do sentido para o abraço foi um pulo. Um pulo de clareza e aquela beleza e
simplicidade de brinquedo que só as crianças têm. Aquela doçura e aquele olhar misto
de investigação e atenção e imenso interesse em descobrir, encontrar e realizar. Acho
que são estas três coisas, exatamente, que fizeram Gita, Raju e Jesse, tão sérios,
tão adultos e crianças, simplesmente e seriamente comprometidas com o sentido que lhes
foi confiado. Um sentido muito especial no qual um amigo muito importante e confidente,
como Lama Norbu, traduziu e proporcionou para eles: fé, amor, doação, simplicidade e
humildade. Felizes Gita, Raju e Jesse que encontraram um Lama Norbu na vida podendo
encontrar e abraçar coisas tão importantes e raras.
Dedico esta crônica para o Bruno, que acabou de chegar e com certeza
abraçará todas estas coisas importantes em nossa vida.