Especial sobre Assédio Moral

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Revista Partes ano II - janeiro de 2003 - n.29

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Sob o signo da esperança

por Adilson Luiz Gonçalves


O ano de 2003 nasce, para o Brasil, sob o signo da esperança!
Depois de décadas nas mãos de líderes eleitos pelo poder econômico ou militar - comprometidos com interesses sectários - a democracia brasileira comprova sua maturidade crescente com a opção pelo novo, pela mudança de rumo, pela consciência plena da influência do povo no destino da nação.
Não se trata de estabelecer pesos e medidas para direita, esquerda e centro - demonizando uma ou deificando outra -, mas de provar que a alternância de poder é tão viável no Brasil como em qualquer país considerado democrático e desenvolvido, sem risco às instituições e ao equilíbrio econômico.
Prova dessa evolução está na substituição do discurso radical e envelhecido da tomada do poder pelas armas, por uma crença obstinada no poder do voto, que levou o atual presidente ao governo de uma nação num momento especialmente complexo para o país e para o mundo.
O povo entendeu, finalmente, o poder do voto como expressão de sua vontade e está disposto a atuar, em vez de permanecer como mero espectador-vítima dos fatos.
Muitos temem que o Brasil se torne uma nova Argentina ou Venezuela - os que perdem o poder sempre anunciam o caos -, mas o que levou nossos vizinhos ao seu estado atual não foram as ideologias políticas, mas, sim, a corrupção, a ganância de grupos à serviço de interesses escusos e a falta de união continental.
Como a África, a América Latina tem sido, ao longo dos séculos, mero laboratório do princípio maquiavélico do "dividir para imperar".
Não temos que temer o futuro, mas tomar suas rédeas!
No mais, o quadro político brasileiro também demonstra a maturidade do eleitor: pelo equilíbrio na divisão de poder entre partidos, pela retração de partidos fisiológicos e pela derrocada de personagens que pautaram sua vida pública em escândalos, no enriquecimento ilícito e na vaidade pessoal.
O mesmo partido governava o Brasil e São Paulo. Os mesmos partidos disputaram o segundo turno em ambos. A esperança de mudança de Lula foi eleita, a competência de Alckmin foi reconhecida.
Alguns podem acreditar que não haverá sintonia entre o governo federal e o estadual. Pode ser...
Aí estaremos diante da segunda, e mais importante, fase da democracia brasileira: a demonstração de maturidade dos políticos, que precisam aprender que a esperança não tem partido político ou ideologia.
A terceira fase cabe a todos nós: construir, juntos, uma nação justa, em que tenhamos orgulho de ser brasileiros em todos os momentos, e não apenas nos festivos; onde a ascensão social seja possível pelo empenho e competência, e não pela herança ou apadrinhamento; e onde os valores morais e éticos estejam acima da rapina dos obcecados pelo poder.
O ano de 2003 é o início de um novo período de nossa história. É quase como um rito de passagem na maioridade da democracia brasileira.
Os céticos preferem acreditar no sombrio, enquanto os esperançosos apontam para o horizonte. Só o tempo e nosso empenho - pois não somos mais espectadores - mostrarão aonde chegaremos. De certo, temos, apenas, a certeza de que não serão tempos medíocres.
Bem-vindo 2003!

 


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Adilson Luiz Gonçalves
Engenheiro e Professor Universitário
Santos - SP

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