|
O
ano de 2003 nasce, para o Brasil, sob o signo da esperança!
Depois de décadas nas mãos de líderes eleitos pelo poder econômico ou militar -
comprometidos com interesses sectários - a democracia brasileira comprova sua maturidade
crescente com a opção pelo novo, pela mudança de rumo, pela consciência plena da
influência do povo no destino da nação.
Não se trata de estabelecer pesos e medidas para direita, esquerda e centro - demonizando
uma ou deificando outra -, mas de provar que a alternância de poder é tão viável no
Brasil como em qualquer país considerado democrático e desenvolvido, sem risco às
instituições e ao equilíbrio econômico.
Prova dessa evolução está na substituição do discurso radical e envelhecido da tomada
do poder pelas armas, por uma crença obstinada no poder do voto, que levou o atual
presidente ao governo de uma nação num momento especialmente complexo para o país e
para o mundo.
O povo entendeu, finalmente, o poder do voto como expressão de sua vontade e está
disposto a atuar, em vez de permanecer como mero espectador-vítima dos fatos.
Muitos temem que o Brasil se torne uma nova Argentina ou Venezuela - os que perdem o poder
sempre anunciam o caos -, mas o que levou nossos vizinhos ao seu estado atual não foram
as ideologias políticas, mas, sim, a corrupção, a ganância de grupos à serviço de
interesses escusos e a falta de união continental.
Como a África, a América Latina tem sido, ao longo dos séculos, mero laboratório do
princípio maquiavélico do "dividir para imperar".
Não temos que temer o futuro, mas tomar suas rédeas!
No mais, o quadro político brasileiro também demonstra a maturidade do eleitor: pelo
equilíbrio na divisão de poder entre partidos, pela retração de partidos fisiológicos
e pela derrocada de personagens que pautaram sua vida pública em escândalos, no
enriquecimento ilícito e na vaidade pessoal.
O mesmo partido governava o Brasil e São Paulo. Os mesmos partidos disputaram o segundo
turno em ambos. A esperança de mudança de Lula foi eleita, a competência de Alckmin foi
reconhecida.
Alguns podem acreditar que não haverá sintonia entre o governo federal e o estadual.
Pode ser...
Aí estaremos diante da segunda, e mais importante, fase da democracia brasileira: a
demonstração de maturidade dos políticos, que precisam aprender que a esperança não
tem partido político ou ideologia.
A terceira fase cabe a todos nós: construir, juntos, uma nação justa, em que tenhamos
orgulho de ser brasileiros em todos os momentos, e não apenas nos festivos; onde a
ascensão social seja possível pelo empenho e competência, e não pela herança ou
apadrinhamento; e onde os valores morais e éticos estejam acima da rapina dos obcecados
pelo poder.
O ano de 2003 é o início de um novo período de nossa história. É quase como um rito
de passagem na maioridade da democracia brasileira.
Os céticos preferem acreditar no sombrio, enquanto os esperançosos apontam para o
horizonte. Só o tempo e nosso empenho - pois não somos mais espectadores - mostrarão
aonde chegaremos. De certo, temos, apenas, a certeza de que não serão tempos medíocres.
Bem-vindo 2003! |