especial%20ambiente.jpg (15995 bytes)

.

Revista Partes ano II janeiro de 2003 n.29

  Principal
 Agenda
 Comportamento
 Cotidiano
 Cultura
 Econotas
 Editorial
 Educação
 Em Questão
 Esportes
 Humor
 Links
 Nossa Língua
 Outras edições
 Poesia, Crônicas etc
 Política
 Reflexão
 Serviços
 Sócio Ambiental
 Terceira Idade
 Turismo
   Participe
 Cartas
 Fórum
 Fale Conosco
   Especiais
 Gilberto Freyre
 Eleições 2000
  Meio Ambiente
 Igrejas
 Assédio Moral

Educação


Como fabricamos maus leitores

por Vicente Martins


Os resultados do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), deste ano (2002), são conclusivos e preocupantes: a escola de educação básica, pública ou privada, no Brasil, é uma fábrica de maus leitores. Falta aos jovens o domínio da leitura compreensiva, isto é, ler e entender o que lê. Tarefa básica da escola, mas difícil de ser apreendida pelo aluno. A leitura é uma habilidade complexa.
Os dados do Enem 2002 demonstram que a maioria dos participantes fracassa na hora de ler e responder objetivamente as questões de múltipla escolha e não apresentam, também, boa argumentação na hora de redigir sobre temas da atualidade como o direito de votar.

Por que os jovens alunos fracassam? O primeiro ponto a considerar é o seguinte: a concepção de leitura gerada no meio escolar tem sido nefasta para o aprendizado das habilidades lingüísticas (ler, escrever, falar, escutar e entender).
A escola tem concebido a leitura como um simples ato de ler, isto é, de decodificar o sistema lingüístico, ora soletrando vogais e consoantes ora reconhecendo as letras como signos gráficos, como ocorre na educação infantil.
O aprendizado da leitura, porém, se efetiva, no ensino fundamental e no ensino médio, somente com a compreensão leitora. Há, realmente, leitura, quando o aluno lê o texto e dá sentido ao texto lido.
Sem que tenham a leitura compreensiva, os jovens brasileiros, na sua maioria, limitam-se, na hora do exame nacional, a fazer uma leitura superficial e fragmentada do enunciado das questões, o que explica a opção por alternativas de resposta dissociadas do contexto da questão e escolha de afirmações e argumentos contraditórios e mutuamente excludentes.

Apesar das cinco edições do Enem, da divulgação de resultados pedagogicamente catastróficos e vergonhosos para todos que fazem o aparelho escolar, indicando e denunciando baixos níveis de leitura e escrita, a escola brasileira insiste em marcar passo: preocupa-se cada vez
mais, de forma iníqua, com a propaganda de seus belos e suntuosos prédios, sua infra-estrutura e, o mais grave, suas propostas pedagógicas e seus professores voltam-se exclusivamente para o domínio de gramática e escrita ortográfica.
Os alunos, realmente escrevem o que a escola quer, mas pouco deles, especialmente os jovens do ensino médio, compreendem o que mundo da leitura requer das pessoas com o olhar crítico e argumentativo sobre os grandes temas da vida em sociedade e da contemporaneidade. Os dados do Enem 2002 revelam, portanto, o quanto nossa escola está na contramão dos ideais da sociedade letrada. É uma exigência da sociedade informática a leitura compreensiva, fundamental para o desenvolvimento humano dos jovens, seu exercício de cidadania e qualificação para o mundo do trabalho.


Fonte webliográfica:

MARTINS, Vicente. (2002). " Somos todos maus leitores". Disponível na Internet: http://diariodonordeste.globo.com/. Acessado em 12 de dezembro de 2002.

  Leia nesta edição Curso Rápido sobre Dislexia


vicentemartins.jpg (16325 bytes)


Vicente Martins
Professor da Universidade Estadual Vale do Acaraú
vicente.martins@uol.com.br

Escoreio.gif (6450 bytes)tamos recebendo contribuições dos leitores para a revista. Envie-nos seu artigo, crônica, conto, poesia, ensaio, notícias ou reportagem para publicação.
Envie já a sua contribuição

separador_lateraldireita.jpeg (4768 bytes)

Leia nesta edição
Pela educação
por Júlio Bernardo Machinski


© copyright revista partes 2000-2003