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Revista Partes ano II janeiro de 2003 n.29

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Educação
Pela educação
por Júlio Bernardo Machinski
Uma investigação acerca das possíveis origens dos
problemas verificados na sociedade brasileira, provavelmente, irá apontar a melhoria na qualidade de ensino e a democratização do acesso à educação como aspectos fundamentais para a eliminação de incoerências atualmente observáveis na organização social de nosso país.
É realmente inquietante o fato de nossa sociedade insistir em concentrar sua atenção em problemas superficiais, empreendendo discussões e iniciativas que buscam soluções imediatas e ignorando, muitas vezes, as causas subjacentes.

No entanto, a origem de vários fatores que geram o
desequilíbrio da vida social, como a violência, o
desemprego e a corrupção geral dominante nas várias estruturas administrativas e governamentais do país, perpassa pela ineficiência do sistema educacional brasileiro. O preço pago pela pouca seriedade no tratamento dado à questão é bastante alto e pode ser representado pela reincidência constante de problemas antigos que marcaram a história do Brasil: paternalismo, racismo, intolerância, tendência à oligarquia, desigualdade social derivada da má distribuição de rendas, passividade da população diante de episódios vergonhosos envolvendo governantes, abuso de poder e autoridade por alguns ocupantes de cargos nos três
poderes, crimes eleitorais, uso indevido da máquina
pública, má administração de recursos, entre tantos
outros.

Uma sociedade é composta por estruturas físicas, leis, hierarquias, calendários, organizações dos mais
variados ramos e eventos das mais variadas naturezas que ovimentam o organismo social. À exceção dos elementos aturais, tudo aquilo existente e verificável no seio da sociedade é produto do que chamamos cultura, e por trás
desse patrimônio está o homem, autor do conjunto de obras que regulam e decidem o desenvolvimento de uma comunidade. Portanto, um projeto que intente minimizar as mazelas sociais brasileiras deve concentrar esforços na formação do indivíduo, estabelecendo ações que visem à melhoria da qualidade dos mecanismos de transmissão do conhecimento.
Através da mídia acompanhamos, esporadicamente, o surgimento de programas governamentais voltados à educação que, na maioria das vezes, funcionam como meros paliativos e conseguem resultados práticos pouco consistentes. Além disso, tais programas dão a falsa impressão de que muito tem sido feito pelo setor. No entanto, o fracasso do sistema nacional de educação, espelhado nas estatísticas que apontam os altos índices de analfabetismo e evasão, e o desprestígio do profissional docente, verificável nos baixos salários pagos e na deficiência da oferta de condições de trabalho adequadas, desfazem essa impressão.
O primeiro passo para uma transformação significativa o cenário social brasileiro é oferecer à população os meios para que cada indivíduo possa satisfazer suas necessidades mais primárias. Não há como exigir um bom desempenho escolar de um aluno mal alimentado.
Proporcionadas as condições favoráveis ao desenvolvimento físico pleno da criança, o próximo passo será alimentá-la intelectualmente a fim de que se torne um cidadão apto a participar ativamente das escolhas que determinam o rumo de seu país. A participação da família nesse processo é de suma relevância.

Mais do que um "dia da família na escola", é premente a necessidade de implantar-se a consciência de que o próprio ambiente familiar é uma escola, o lugar onde se aprende a importância do conhecimento, o prazer da leitura, o valor da arte, o respeito à opinião alheia e uma infinidade de valores outros que determinarão o comportamento e o sucesso pessoal e profissional do adulto.
 



Júlio Bernardo Machinki
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