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Revista Partes ano II - fevereiro de 2003 - n.30

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3º Fórum Social Mundial: gigantesco "catalizador" revolucionário.
por agência Cubdest, Flórida
O presidente brasileiro Lula, em discurso ante os participantes do evento, reconheceu que sua meta é impulsionar o esquerdismo e o socialismo no mundo inteiro

O 3º Fórum Social Mundial de Porto Alegre (janeiro 23-28, 2003) consolidou-se como um dos maiores e mais poderosos "catalizadores" revolucionários da História, um novo Leviatã cujos ativistas mais influentes têm o objetivo de expandir o socialismo em nível mundial. O conceito do FSM enquanto "catalizador", para recuperar o "papel histórico da esquerda socialista", foi usado pelo filósofo marxista húngaro István Mészáros, que teve destacada participação no 3º FSM, onde lançou seu livro "O século XXI: socialismo ou barbárie?" As cifras, por si mesmas, impressionam, duplicando as do 2º FSM efetuado no ano passado: 100 mil ativistas representando 5.717 organizações não-governamentais (ONGs) de 156 países, em torno de 1.300 seminários, conferências e oficinas, boa parte dos quais abordando temas dedicados a "desconstruir" os fundamentos da civilização cristã.

O sociólogo brasileiro Emir Sader, membro do conselho internacional do Fórum Social Mundial, manifestou que em 2003 a "esquerda latino-americana" tem uma oportunidade histórica única para impulsionar transformações socialistas no continente, alentada pela vitória de Luiz Inácio Lula da Silva e de Lucio Gutiérrez no Equador, e pela perspectiva de triunfos eleitorais de esquerda em outros países da região. Segundo Sader, um dos mais influentes e radicais dirigentes do movimento contestatório, "2003 promete ser o ano mais importante para o continente desde 1973" quando, com a queda do marxista chileno Allende, "se consolidou a virada para a direita, com o fracasso das últimas tentativas de esquerda".

O próprio presidente brasileiro Sr. Lula da Silva, em discurso improvisado ante dezenas de milhares de participantes do FSM que o ovacionavam, confessou sua meta de impulsionar o esquerdismo e o socialismo no mundo inteiro: "Tenho a nítida noção do que a nossa vitória representa de esperança, não apenas aqui dentro, mas para a esquerda em todo o mundo e sobretudo para a esquerda na América Latina". Acrescentou estar consciente da "da esperança que os socialistas do mundo inteiro têm no sucesso do nosso Governo" e deixou entrever um preocupante ânimo intervencionista internacionalista: "Espero dar minha contribuição para que outros companheiros ganhem as eleições em outros países do mundo".

Depois de condenar o chamado "bloqueio" norte-americano ao regime de Cuba, e sem dizer uma palavra sobre a causa do drama cubano, que é o brutal "bloqueio" interno imposto pelo comunismo ao povo de ilha-cárcere há 44 anos, o presidente Lula concluiu em um tom quase messiânico: "O Fórum Social Mundial é o maior evento político realizado na História contemporânea. E eu não tenho dúvida nenhuma de que ele vai contribuir, de forma decisiva, para que a gente mude a História da Humanidade".

Todavia, graças a Deus, nem tudo corre sobre trilhos para os membros do 3º FSM e seu publicitário aliado, o presidente Lula. Por exemplo, o desprestígio internacional da "revolução bolivariana" do presidente Chávez, da Venezuela, transformou-se quase em um pesadelo para as esquerdas. O próprio Lula reconheceu com inusual franqueza, chegando a sugerir que se Chávez caísse, ele poderia ser o próximo: "Amanhã será minha vez "...

Nos próximos artigos transcreveremos entrevistas e testemunhos inéditos de participantes do 3º FSM, que revelam suas metas, planos e estratégias, seus segredos mais guardados, suas dificuldades e seu "calcanhar de Aquiles".

 


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