O presidente brasileiro Lula, em discurso ante os participantes do evento,
reconheceu que sua meta é impulsionar o esquerdismo e o socialismo no mundo inteiroO
3º Fórum Social Mundial de Porto Alegre (janeiro 23-28, 2003) consolidou-se como um dos
maiores e mais poderosos "catalizadores" revolucionários da História, um novo
Leviatã cujos ativistas mais influentes têm o objetivo de expandir o socialismo em
nível mundial. O conceito do FSM enquanto "catalizador", para recuperar o
"papel histórico da esquerda socialista", foi usado pelo filósofo marxista
húngaro István Mészáros, que teve destacada participação no 3º FSM, onde lançou
seu livro "O século XXI: socialismo ou barbárie?" As cifras, por si mesmas,
impressionam, duplicando as do 2º FSM efetuado no ano passado: 100 mil ativistas
representando 5.717 organizações não-governamentais (ONGs) de 156 países, em torno de
1.300 seminários, conferências e oficinas, boa parte dos quais abordando temas dedicados
a "desconstruir" os fundamentos da civilização cristã.
O sociólogo brasileiro Emir Sader, membro do conselho internacional do Fórum Social
Mundial, manifestou que em 2003 a "esquerda latino-americana" tem uma
oportunidade histórica única para impulsionar transformações socialistas no
continente, alentada pela vitória de Luiz Inácio Lula da Silva e de Lucio Gutiérrez no
Equador, e pela perspectiva de triunfos eleitorais de esquerda em outros países da
região. Segundo Sader, um dos mais influentes e radicais dirigentes do movimento
contestatório, "2003 promete ser o ano mais importante para o continente desde
1973" quando, com a queda do marxista chileno Allende, "se consolidou a virada
para a direita, com o fracasso das últimas tentativas de esquerda".
O próprio presidente brasileiro Sr. Lula da Silva, em discurso improvisado ante
dezenas de milhares de participantes do FSM que o ovacionavam, confessou sua meta de
impulsionar o esquerdismo e o socialismo no mundo inteiro: "Tenho a nítida noção
do que a nossa vitória representa de esperança, não apenas aqui dentro, mas para a
esquerda em todo o mundo e sobretudo para a esquerda na América Latina". Acrescentou
estar consciente da "da esperança que os socialistas do mundo inteiro têm no
sucesso do nosso Governo" e deixou entrever um preocupante ânimo intervencionista
internacionalista: "Espero dar minha contribuição para que outros companheiros
ganhem as eleições em outros países do mundo".
Depois de condenar o chamado "bloqueio" norte-americano ao regime de Cuba, e
sem dizer uma palavra sobre a causa do drama cubano, que é o brutal "bloqueio"
interno imposto pelo comunismo ao povo de ilha-cárcere há 44 anos, o presidente Lula
concluiu em um tom quase messiânico: "O Fórum Social Mundial é o maior evento
político realizado na História contemporânea. E eu não tenho dúvida nenhuma de que
ele vai contribuir, de forma decisiva, para que a gente mude a História da
Humanidade".
Todavia, graças a Deus, nem tudo corre sobre trilhos para os membros do 3º FSM e seu
publicitário aliado, o presidente Lula. Por exemplo, o desprestígio internacional da
"revolução bolivariana" do presidente Chávez, da Venezuela, transformou-se
quase em um pesadelo para as esquerdas. O próprio Lula reconheceu com inusual franqueza,
chegando a sugerir que se Chávez caísse, ele poderia ser o próximo: "Amanhã será
minha vez "...
Nos próximos artigos transcreveremos entrevistas e testemunhos inéditos de
participantes do 3º FSM, que revelam suas metas, planos e estratégias, seus segredos
mais guardados, suas dificuldades e seu "calcanhar de Aquiles".