Praticamente,
é uma regra dos países bem desenvolvidos possuírem uma identidade cultural e
patriótica intransponível. Da qual, em tese, todos têm de se adaptar voluntariamente,
ou então, de modo forjado. Deste modo, criando um ambiente genuinamente provinciano, sem
meias léguas.
O Brasil, bem como os demais países subdesenvolvidos, embora tenham-na,
parece ter 'medo' e ou 'vergonha' de assumir a sua própria identidade nacionalista. No
entanto, é preciso ser analisado a fundo o caminho irreversível, catastrófico e
ideológico à que isto nos leva. Uma vez que a impregnação cultural, é, talvez, a mais
perigosa de todas.
Houve uma época em nosso país, no grande movimento literário liderado por Oswald de
Andrade(1890 - 1954), o "antropofagismo"; seguido pelo poeta Mário de
Andrade(1893 - 1945), do qual se propunha a inteira utilização dos meios nacionais
brasileiros como fonte de identidade cultural. Este movimento, tinha como paradigma tornar
a figura do índio épica, inclusive adotar o tupi como idioma oficial. De modo que, fosse
dirimido deste país, o 'americanismo' dissidente. Deste movimento, surgiram frases
protestantes indiscutivelmente geniais. Tal como: "Tupi or not tupi, that is the
question"; que fazia uma sátira quanto às nossas decisões, sempre munidas de
pareceres internacionais. Movimentos como este, só fazem enobrecer àqueles que realmente
prezam e têm sede de seus costumes; de seu próprio país.
Atualmente, comemos 'hot-dog', 'cheese-burger'. Vestimos roupas 'fashion'; além de
outras mais. Boa parte de nosso cinema(90%), é ocupado por produções cinematográficas
americanas, ou estrangeiras. Restando apenas uma pequena fatia para nossas pobres
produções nacionais; que cada vez mais sucumbem em busca de apoio, sem nada encontrar.
Vencendo, deste modo, a lei comercial; que desfavorece por completo nossas estruturas
culturais. Concluindo este assunto, a maior honraria que podemos receber, e que é
cobiçada invejosamente todo ano, chama-se 'Oscar'. Infelizmente, nosso famigerado
'Kikito' não atende as necessidades avarentas do dia-a-dia. Somente o grandioso 'Oscar'
é capaz de projetar internacionalmente um produtor cinematográfico. Nosso 'Kikito',
serve apenas de 'consolo' para produtores falidos emocionalmente; para não passar em
branco, de mãos vazias.
Sem querer menosprezar nosso grandioso prêmio, pelo contrário. O principal objetivo
destas palavras é ensinar, ou "resgatar", o verdadeiro valor que ele possui,
isto é, o de ser brasileiro. A vertente da nossa cultura deve ser mantida em sua raiz,
sem corrupções de identidade. O grande problema enfrentado é a necessidade de
averbação de nossa própria cultura. A partir do momento em que o senso de nacionalismo
for despertado em nossa população, seja do modo que for, certamente teremos rapidamente
o povo se orgulhando daquilo que realmente é nosso. Deixando de lado, assim, o
preconceito contra esta figura tão original e única, que é o nosso índio brasileiro.
Às vezes se faz necessário ocorrer grandes catástrofes, para, então, alguma
providência ser engendrada. E já que o povo tanto admira a cultura americana, vamos
citá-la: nos ataques de 11 de setembro de 2001, o mundo em geral, pode assistir atônito
ao que seria um dos maiores resgates da hegemonia norte-americana, passando ali a vigorar
puramente a emoção, o patriotismo.
Do ponto de vista humanista, logicamente a guerra é a mais terrível barbárie que o
ser humano pode causar. Porém, analisando-a na questão do "despertar para seu
próprio valor", não há nada tão efetivo quanto elas para resgatar o amor à
pátria. Agora, será que somente uma guerra poderia salvar nossa nação e trazer de
volta a velha paixão pela bandeira?
Isto, irrefutavelmente, são apenas algumas das inumeráveis crises que podem ser
citadas de nossa falência ideológica e cultural. Que exala a putrefez; quanto mais o
tempo passa, mais fede. Resta-nos apenas, seguindo deste modo, esperar a carniça
tornar-se pó e evaporar. E o que é pior, assistindo, de camarote, a glória alheia do
chamado "primeiro mundo".
Não se trata de que agora teremos de usar camisetas dizendo: 'Eu tomo
cana-de-açúcar'. Ou então, 'Eu como pirão!', para protestar, ou então declarar
guerras em busca de identidade própria. No entanto, cabe citar que, se ideologicamente
apenas, os outros países dominar-nos por mais tempo; vamos à bancarrota. E isto, está
mais próximo do que se imaginava há um tempo atrás. Muito cuidado...