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Revista Partes ano II - fevereiro de 2003 - n.30

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Culto ao nacionalismo

por Bruno Garcia Andadre


Praticamente, é uma regra dos países bem desenvolvidos possuírem uma identidade cultural e patriótica intransponível. Da qual, em tese, todos têm de se adaptar voluntariamente, ou então, de modo forjado. Deste modo, criando um ambiente genuinamente provinciano, sem meias léguas.

O Brasil, bem como os demais países subdesenvolvidos, embora tenham-na, parece ter 'medo' e ou 'vergonha' de assumir a sua própria identidade nacionalista. No entanto, é preciso ser analisado a fundo o caminho irreversível, catastrófico e ideológico à que isto nos leva. Uma vez que a impregnação cultural, é, talvez, a mais perigosa de todas.

Houve uma época em nosso país, no grande movimento literário liderado por Oswald de Andrade(1890 - 1954), o "antropofagismo"; seguido pelo poeta Mário de Andrade(1893 - 1945), do qual se propunha a inteira utilização dos meios nacionais brasileiros como fonte de identidade cultural. Este movimento, tinha como paradigma tornar a figura do índio épica, inclusive adotar o tupi como idioma oficial. De modo que, fosse dirimido deste país, o 'americanismo' dissidente. Deste movimento, surgiram frases protestantes indiscutivelmente geniais. Tal como: "Tupi or not tupi, that is the question"; que fazia uma sátira quanto às nossas decisões, sempre munidas de pareceres internacionais. Movimentos como este, só fazem enobrecer àqueles que realmente prezam e têm sede de seus costumes; de seu próprio país.

Atualmente, comemos 'hot-dog', 'cheese-burger'. Vestimos roupas 'fashion'; além de outras mais. Boa parte de nosso cinema(90%), é ocupado por produções cinematográficas americanas, ou estrangeiras. Restando apenas uma pequena fatia para nossas pobres produções nacionais; que cada vez mais sucumbem em busca de apoio, sem nada encontrar. Vencendo, deste modo, a lei comercial; que desfavorece por completo nossas estruturas culturais. Concluindo este assunto, a maior honraria que podemos receber, e que é cobiçada invejosamente todo ano, chama-se 'Oscar'. Infelizmente, nosso famigerado 'Kikito' não atende as necessidades avarentas do dia-a-dia. Somente o grandioso 'Oscar' é capaz de projetar internacionalmente um produtor cinematográfico. Nosso 'Kikito', serve apenas de 'consolo' para produtores falidos emocionalmente; para não passar em branco, de mãos vazias.

Sem querer menosprezar nosso grandioso prêmio, pelo contrário. O principal objetivo destas palavras é ensinar, ou "resgatar", o verdadeiro valor que ele possui, isto é, o de ser brasileiro. A vertente da nossa cultura deve ser mantida em sua raiz, sem corrupções de identidade. O grande problema enfrentado é a necessidade de averbação de nossa própria cultura. A partir do momento em que o senso de nacionalismo for despertado em nossa população, seja do modo que for, certamente teremos rapidamente o povo se orgulhando daquilo que realmente é nosso. Deixando de lado, assim, o preconceito contra esta figura tão original e única, que é o nosso índio brasileiro.

Às vezes se faz necessário ocorrer grandes catástrofes, para, então, alguma providência ser engendrada. E já que o povo tanto admira a cultura americana, vamos citá-la: nos ataques de 11 de setembro de 2001, o mundo em geral, pode assistir atônito ao que seria um dos maiores resgates da hegemonia norte-americana, passando ali a vigorar puramente a emoção, o patriotismo.

Do ponto de vista humanista, logicamente a guerra é a mais terrível barbárie que o ser humano pode causar. Porém, analisando-a na questão do "despertar para seu próprio valor", não há nada tão efetivo quanto elas para resgatar o amor à pátria. Agora, será que somente uma guerra poderia salvar nossa nação e trazer de volta a velha paixão pela bandeira?

Isto, irrefutavelmente, são apenas algumas das inumeráveis crises que podem ser citadas de nossa falência ideológica e cultural. Que exala a putrefez; quanto mais o tempo passa, mais fede. Resta-nos apenas, seguindo deste modo, esperar a carniça tornar-se pó e evaporar. E o que é pior, assistindo, de camarote, a glória alheia do chamado "primeiro mundo".

Não se trata de que agora teremos de usar camisetas dizendo: 'Eu tomo cana-de-açúcar'. Ou então, 'Eu como pirão!', para protestar, ou então declarar guerras em busca de identidade própria. No entanto, cabe citar que, se ideologicamente apenas, os outros países dominar-nos por mais tempo; vamos à bancarrota. E isto, está mais próximo do que se imaginava há um tempo atrás. Muito cuidado...

 


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Bruno Garcia Andrade é escritor, perito em informática e acadêmico do curso de Direito da Universidade Luterana do Brasil(ULBRA), no Rio Grande do Sul.
E-mail: bgandrade@globo.com

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