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Revista Partes ano II março de 2003 n.31

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Amar é preciso.
por Adilson Luiz Gonçalves


Engenheiros adoram compreender o motivo e o sentido das coisas para, depois sintetizá-las e sistematizá-las.
Seria possível fazer isso com o amor? Vejamos:

Hipótese 1: O amor é Matemática.
Se for estaremos criando uma nova escola, que subverte todos as certezas lógicas de Descartes e outros, pois, dentre outras coisas, como podemos justificar a soma abstrata de dois seres que resulta um único... ou três... ou mais, mas que nunca deve resultar dois?

Hipótese 2: O amor é Física.
Mas como justificar a união de corpos e almas que, quando ocorre, não conseguimos diferenciar onde começa um e termina o outro, contradizendo a máxima de que não podem ocupar o mesmo espaço ao mesmo tempo?

Hipótese 3: O amor é Estatística e Probabilidade.
Pode não ser, mas sua existência correspondida é diretamente proporcional à felicidade, à paz e a tudo que nos é caro e desejado. Também está sujeito a arranjos, combinações e permutas, mas se os objetivos não forem comuns serão meras manipulações de dados, que não se sustentam com o tempo.

Hipótese 4: O amor é Química.
Nesse caso, há alguma coerência, pois átomos se juntam para formar substâncias e substâncias se unem para formar misturas.
Eureka! O amor é um amálgama, tanto no sentido químico como no sentido humano! Ele pode despertar o oculto e domesticar o revolto.
Mas, como todo o amálgama, precisamos cuidar para que a mistura não se desfaça e perca suas propriedades mágicas. Temos que controlar sua dosagem e mantê-lo em constante movimento até encontrar a proporção ideal, para que um elemento não anule as propriedades do outro ou a mistura se desfaça. É como leite com chocolate.
Quando encontramos a proporção ideal todos que o provam gostam e repassam, naturalmente, de pais para filhos, de filhos para netos até à eternidade, cada um ensinando, adaptando e dando seu toque pessoal à fórmula básica universal.
É isso: o amor tem que ser cultivado, cuidado, festejado, aprimorado e, sobretudo, vivido! E todos nós podemos - e devemos - contribuir com nossa ciência, nosso entusiasmo e nossa crença absoluta em seu poder transformador.
O amor tem que ser sinônimo de felicidade, de cumplicidade e compromisso com o outro e com a vida, de renúncia ao que não soma e de adesão incondicional ao que frutifica, de respeito às individualidades e consolidação do que converge.
É certo, e triste, que o amor possa desandar, que a mistura se desfaça, que os sentimentos enfraqueçam na rotina, nas atribulações, no individualismo, na ausência de diálogo e nas crises existenciais - toda a sociedade está sujeita a isso, o que pior ainda quando se converte em ressentimento, ódio, remorso ou violência, que fere, inclusive inocentes -, mas também é, sempre, possível corrigir, revolver e reciclar essa mistura, de maneira que volte a nos alimentar e satisfazer além de inspirar aos que dela frutificarem ou provem de seu convívio inspirador.

Mas amar não é uma ciência exata, embora sua sublimação seja exatamente o que buscamos e queremos demonstrar. Que seja, então, apenas um verbo, mas conjugado apenas em dois tempos: Presente e Futuro, todos mais que perfeitos e imperativos. E que, nele, toda a voz seja sempre ativa, pois, tanto quanto viver, amar é preciso!

 
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Adilson Luiz Gonçalves
Engenheiro e Professor Universitário Santos - SP
algbr@ieg.com.br

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