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Revista Partes ano II março de 2003 n.31

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Nada de desperdício

por Gilberto da Silva


Dá para acreditar?
O governo paulista prometeu, no dia 25 de fevereiro, que não haverá inundações no rio Tietê nos próximos dez anos.
Segundo o governo, com 30% das obras de ampliação da calha já concluídas ficou assegurado, por este período, que não haverá transbordamentos. É ver para crer. Só falta avisar – e combinar com - São Pedro.

Rodoanel: debate suspenso
Dia 24 de fevereiro seria dia de debate sobre o Rodoanel. Seria, mas não foi. Pela terceira vez uma audiência foi suspensa, a nova será realizada no dia 12 de março, na capital. Haverá próxima audiência? Polêmicas e mais polêmicas sobre uma obra tão necessária quanto perigosa para o meio ambiente urbano. Construir, prever as ocupações futuras e seus impactos não é uma operação fácil.

Nada de lavar o carro
Quem lavar a calçada ou o carro – um hábito antigo do paulistano – poderá pagar multa de R$ 100,00. Lei aprovada na Câmara Municipal estabelece multa para o esbanjador. No lugar do desperdício, utilize pouca água e pano limpo para limpar seu carro. Hábitos também podem ser mudados. Desperdício da água se dá em nível local: nas ruas, nas casas, nos quintais.

Freio puxado
Durante reunião do Conselho Estadual de Recursos Hídricos, o presidente da ANA – Agência Nacional das Águas, Jerson Kelman afirmou: "São Paulo é um vagão com freio de mão puxado" e pediu aos conselheiros que assumissem a responsabilidade histórica para viabilizar a implantação da cobrança estadual para o uso da água.
O projeto de lei que regulamenta a questão está adormecido na Assembléia Legislativa desde 2000.
Quanto mais tempo demorarmos para tomar uma posição sobre a cobrança pela utilização da água, mais caro será reutilizar a água existente no mundo.

Finita e estratégica
Não custa lembrar que a água é um recurso finito e que esta escassez é quantitativa e qualitativa. Basta ver que não há mais água limpa em qualquer cidade urbana do Brasil. O nosso desenvolvimento é insustentável, devido ao crescimento desordenado das cidades. Quem mais pagará pela falta de água será as classes menos favorecidas, os excluídos. O pensamento de que a água é abundante no Brasil é um das maiores dores de cabeça dos ambientalistas.

Transgênicos
O governo brasileiro precisa tomar um posicionamento rápido na questão da comercialização e plantio de organismos geneticamente modificados (OGMs) no Brasil. É bom lembrar que os ministros de Lula estão com posições diferentes, a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, é contrária ao cultivo de transgênicos, mas o ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues, tem posição pessoal mais favorável e aguarda definição do governo para liberar o plantio.

gilberto@partes.com.br

 

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Gilberto da Silva, é jornalista e sociólogo. Editor da revista Partes
gilberto@partes.com.br



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