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Língua |
ESTRANGEIRISMOS
EM MAIO - Por isso - Pra - Que nem - Muita vez.
por Maria Tereza de Queiroz Piacentini |
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J.
Poloni, de Pirajuí SP, pede um esclarecimento: Sempre que colocam data nas
mensagens que recebo, a grafia do mês inicia com letra minúscula. Está certo? Não
seria correto "maio" ao invés de "Maio" no meio da frase?
Sem dúvida, seria e é correto. No Brasil valem ainda as regras estabelecidas no
Formulário Ortográfico de 1943 (oficial), que na observação do § 3º - 49 reza:
"Os nomes dos meses devem escrever-se com inicial minúscula: janeiro, fevereiro
(...) e dezembro". Essa questão é particular a cada língua; no inglês, por
exemplo, convencionou-se que a inicial é maiúscula. E como estamos a comprar programas
de informática em inglês, acabamos nos submetendo ao computador, que gradualmente nos
impinge as normas e a cultura do exterior. Nós brasileiros talvez estejamos aceitando
isso de modo muito cômodo, deixando nosso idioma se descaracterizar.
Entretanto, políticos, intelectuais e jornalistas vêm se manifestando sobre o assunto.
Em julho de 2000 o premiado escritor Deonísio da Silva, na sua coluna semanal na Cidade
Virtual de São Carlos (www.terra.com.br/cidades) escreveu:
"É o boom do bumbum! A moda brasileira é a mais sexy do mundo. Às vezes até
exagera e o fashion vira strip-tease", disse a crítica de moda Regina Guerreiro
a propósito do mais recente Morumbi Fashion, quando as 23 grifes mais famosas
apresentaram, em São Paulo, suas coleções de primavera e verão para o ano de 2001. Ela
também exagerou. Em quatro frases utilizou cinco palavras inglesas. Mas falava em
português. Tudo que disse poderia ser aportuguesado, mas nossos dicionários não
conseguem acompanhar o esplendor da língua portuguesa e as palavras nascidas das novas
atividades."
Exemplo de colonialismo cultural que chegou às raias do absurdo: no saguão de um
supermercado de Florianópolis uma imobiliária promovia suas vendas com enorme painel:
"Compre aqui os imóveis mais light da cidade"! Já não bastam as
comidas "light" e "diet", que raras pessoas sabem exatamente do que se
trata, e agora temos imóveis "leves" ou "brandos"?!
É contra tais abusos que se insurge o projeto de lei n° 1676/1999, de autoria do
deputado Aldo Rebelo. Vale a pena conhecê-lo na íntegra e discutir sua aprovação.
Respostas breves a leitores diversos:
Convencionou-se que o certo é POR ISSO, em duas palavras. Mas "por
ventura" já se uniu numa só: PORVENTURA. Ortografia é isso aí, não se discute...
É correta a contração PRA (para a) em determinados contextos
na linguagem coloquial, na reprodução de um diálogo, na propaganda, em frases-feitas
tipo "bom pra chuchu" mas então não coloque o acento agudo no
a.
Em frases comparativas usa-se QUE NEM no lugar de COMO apenas na fala coloquial
(vulgar ou popular) como recurso expressivo: "Você agiu que nem uma criança!"
No português formal diga: "Eu sou como você, tal como ela é".
A locução adverbial MUITA VEZ está correta, mas é certamente menos usual que
seu plural MUITAS VEZES. |
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Maria Tereza de Queiroz Piacentini, autora dos livros
"Só Vírgula" e "Só Palavras Compostas", é diretora do Instituto
Euclides da Cunha |
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