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Revista Partes ano II março de 2003 n.31

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ESTRANGEIRISMOS EM MAIO - Por isso - Pra - Que nem - Muita vez.
por Maria Tereza de Queiroz Piacentini
J. Poloni, de Pirajuí – SP, pede um esclarecimento: Sempre que colocam data nas mensagens que recebo, a grafia do mês inicia com letra minúscula. Está certo? Não seria correto "maio" ao invés de "Maio" no meio da frase?

Sem dúvida, seria e é correto. No Brasil valem ainda as regras estabelecidas no Formulário Ortográfico de 1943 (oficial), que na observação do § 3º - 49 reza: "Os nomes dos meses devem escrever-se com inicial minúscula: janeiro, fevereiro (...) e dezembro". Essa questão é particular a cada língua; no inglês, por exemplo, convencionou-se que a inicial é maiúscula. E como estamos a comprar programas de informática em inglês, acabamos nos submetendo ao computador, que gradualmente nos impinge as normas e a cultura do exterior. Nós brasileiros talvez estejamos aceitando isso de modo muito cômodo, deixando nosso idioma se descaracterizar.

Entretanto, políticos, intelectuais e jornalistas vêm se manifestando sobre o assunto. Em julho de 2000 o premiado escritor Deonísio da Silva, na sua coluna semanal na Cidade Virtual de São Carlos (www.terra.com.br/cidades) escreveu:

"É o boom do bumbum! A moda brasileira é a mais sexy do mundo. Às vezes até exagera e o fashion vira strip-tease", disse a crítica de moda Regina Guerreiro a propósito do mais recente Morumbi Fashion, quando as 23 grifes mais famosas apresentaram, em São Paulo, suas coleções de primavera e verão para o ano de 2001. Ela também exagerou. Em quatro frases utilizou cinco palavras inglesas. Mas falava em português. Tudo que disse poderia ser aportuguesado, mas nossos dicionários não conseguem acompanhar o esplendor da língua portuguesa e as palavras nascidas das novas atividades."

Exemplo de colonialismo cultural que chegou às raias do absurdo: no saguão de um supermercado de Florianópolis uma imobiliária promovia suas vendas com enorme painel: "Compre aqui os imóveis mais light da cidade"! Já não bastam as comidas "light" e "diet", que raras pessoas sabem exatamente do que se trata, e agora temos imóveis "leves" ou "brandos"?!

É contra tais abusos que se insurge o projeto de lei n° 1676/1999, de autoria do deputado Aldo Rebelo. Vale a pena conhecê-lo na íntegra e discutir sua aprovação.


Respostas breves a leitores diversos:

• Convencionou-se que o certo é POR ISSO, em duas palavras. Mas "por ventura" já se uniu numa só: PORVENTURA. Ortografia é isso aí, não se discute...

• É correta a contração PRA (‘para a’) em determinados contextos – na linguagem coloquial, na reprodução de um diálogo, na propaganda, em frases-feitas tipo "bom pra chuchu" – mas então não coloque o acento agudo no ‘a’.

• Em frases comparativas usa-se QUE NEM no lugar de COMO apenas na fala coloquial (vulgar ou popular) como recurso expressivo: "Você agiu que nem uma criança!" No português formal diga: "Eu sou como você, tal como ela é".

• A locução adverbial MUITA VEZ está correta, mas é certamente menos usual que seu plural MUITAS VEZES.
 
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Maria Tereza de Queiroz Piacentini, autora dos livros "Só Vírgula" e "Só Palavras Compostas", é diretora do Instituto Euclides da Cunha


© copyright revista partes 2000-2003