Tbilisi,
URSS, 1977. Durante a Conferência Intergovernamental nascia o termo Educação Ambiental,
com os seguintes princípios: orientar para a resolução de problemas ambientais de forma
crítica e ativa; considerar o meio ambiente em sua totalidade, ou seja, incluir o homem
na natureza; atingir todas as idades, dentro e fora da escola e sob enfoque
interdisciplinar.
Brasil, 1988. A nova Constituição Federal abençoa a nação com um
capítulo sobre Meio Ambiente (art. 225) e dá ao poder público a incumbência de
promover a educação ambiental em todos os níveis de ensino e a conscientização
pública para a preservação do meio ambiente.
De novo Brasil, 2001. Ano da maior campanha de educação ambiental do país: o
apagão. Durante meses, a mídia deu aulas sobre como racionar energia elétrica com
pequenas atitudes em casa e no trabalho. O assunto teve sua glória, mas acabou condenado
ao mesmo destino de todos que alcançam a fama num relâmpago: o esquecimento.
A pergunta é: por quê? Será que um aumento de conhecimento a respeito dos desastres
e riscos ambientais é suficiente para que haja uma mudança de valores e, principalmente,
de atitudes? Pesquisas feitas recentemente em metrópoles européias e norte-americanas
revelam que não basta saber, o imprescindível é sentir.
Saber das conseqüências de um acidente numa usina nuclear, por exemplo, é bem
diferente de carregar nos braços uma criança deformada pela contaminação do urânio. E
nem é preciso ir tão longe.
Sem que exista uma proximidade afetiva entre o fato e o dia-a-dia de cada um de nós,
as notícias e campanhas ambientais estão fadadas a serem consumidas como fast food:
em segundos e sem a mastigação adequada. Até porque, no caso das notícias, geralmente
elas vêm no recheio do sanduíche, entre os resultados do campeonato de futebol e a
previsão do tempo.
É preciso entender que pouco adianta tentar provocar uma mudança comportamental a
partir do medo (o medo de não ter mais água pura para beber ou ar para respirar, medo de
uma epidemia ou de mais um apagão). Num primeiro momento, até pode surtir algum efeito,
especialmente se o bolso do cidadão estiver sendo ameaçado. Mas passada a iminência do
problema, os velhos padrões voltam a dominar.
A verdadeira transformação deve vir a partir do exercício do amor, ou seja, da
compaixão e do respeito pelo planeta e pelo próximo, seja ele um ser humano, uma
bromélia ou um macaco-prego. Em outras palavras, amar para conservar.
"Só conhecemos bem quando nutrimos afeto e nos sentimos envolvidos com aquilo que
queremos conhecer", escreveu Leonardo Boff, um dos principais expoentes das questões
ambientais no Brasil, em seu livro "Saber Cuidar" (Ed. Vozes). O cuidado traz
responsabilidade e gratidão e, mais do que isso, constrói uma nova ética humana.
Assim, para que a educação ambiental seja realmente praticada é necessário que suas
atividades envolvam sentimento. Melhor do que falar da floresta é passear por ela.
Somente dessa forma estaremos contribuindo para o cumprimento da maior missão da
educação ambiental: deixar de existir, simplesmente por ter se tornado inata ao homem.