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Revista Partes ano II março de 2003 n.31

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Sócio Ambiental


Educação ambiental: amar para conservar

por Giuliana Capello


Tbilisi, URSS, 1977. Durante a Conferência Intergovernamental nascia o termo Educação Ambiental, com os seguintes princípios: orientar para a resolução de problemas ambientais de forma crítica e ativa; considerar o meio ambiente em sua totalidade, ou seja, incluir o homem na natureza; atingir todas as idades, dentro e fora da escola e sob enfoque interdisciplinar.

Brasil, 1988. A nova Constituição Federal abençoa a nação com um capítulo sobre Meio Ambiente (art. 225) e dá ao poder público a incumbência de promover a educação ambiental em todos os níveis de ensino e a conscientização pública para a preservação do meio ambiente.

De novo Brasil, 2001. Ano da maior campanha de educação ambiental do país: o apagão. Durante meses, a mídia deu aulas sobre como racionar energia elétrica com pequenas atitudes em casa e no trabalho. O assunto teve sua glória, mas acabou condenado ao mesmo destino de todos que alcançam a fama num relâmpago: o esquecimento.

A pergunta é: por quê? Será que um aumento de conhecimento a respeito dos desastres e riscos ambientais é suficiente para que haja uma mudança de valores e, principalmente, de atitudes? Pesquisas feitas recentemente em metrópoles européias e norte-americanas revelam que não basta saber, o imprescindível é sentir.

Saber das conseqüências de um acidente numa usina nuclear, por exemplo, é bem diferente de carregar nos braços uma criança deformada pela contaminação do urânio. E nem é preciso ir tão longe.

Sem que exista uma proximidade afetiva entre o fato e o dia-a-dia de cada um de nós, as notícias e campanhas ambientais estão fadadas a serem consumidas como fast food: em segundos e sem a mastigação adequada. Até porque, no caso das notícias, geralmente elas vêm no recheio do sanduíche, entre os resultados do campeonato de futebol e a previsão do tempo.

É preciso entender que pouco adianta tentar provocar uma mudança comportamental a partir do medo (o medo de não ter mais água pura para beber ou ar para respirar, medo de uma epidemia ou de mais um apagão). Num primeiro momento, até pode surtir algum efeito, especialmente se o bolso do cidadão estiver sendo ameaçado. Mas passada a iminência do problema, os velhos padrões voltam a dominar.

A verdadeira transformação deve vir a partir do exercício do amor, ou seja, da compaixão e do respeito pelo planeta e pelo próximo, seja ele um ser humano, uma bromélia ou um macaco-prego. Em outras palavras, amar para conservar.

"Só conhecemos bem quando nutrimos afeto e nos sentimos envolvidos com aquilo que queremos conhecer", escreveu Leonardo Boff, um dos principais expoentes das questões ambientais no Brasil, em seu livro "Saber Cuidar" (Ed. Vozes). O cuidado traz responsabilidade e gratidão e, mais do que isso, constrói uma nova ética humana.

Assim, para que a educação ambiental seja realmente praticada é necessário que suas atividades envolvam sentimento. Melhor do que falar da floresta é passear por ela. Somente dessa forma estaremos contribuindo para o cumprimento da maior missão da educação ambiental: deixar de existir, simplesmente por ter se tornado inata ao homem.

 

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Giuliana Capello, é jornalista e guarda-parque
giulianacapello@ig.com.br


 


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