| A guerra pela água já começou O
Fórum
No dia 22 de março comemorou-se o Dia Mundial da Água.
A data adquiriu um significado especial por dois motivos: primeiro, pelo fato da Unesco
(Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura) ter
declarado 2003 o Ano Internacional da Água Doce e segundo, pela realização
entre os dias 16 a 23 de março do III Fórum Mundial da Água, em Kyoto, Japão.
Mudanças gerenciais
A Unesco defende mudanças radicais na forma como os
recursos hídricos são geridos pelos governos. Diversos países têm dificuldades em
manter intactos os seus reservatórios. Em Bangladesh, na Índia, 1,2 milhão de pessoas
já apresentaram sinais de intoxicação devido ao alto nível de poluição dos rios. No
mundo cerca de 3 bilhões de pessoas têm que usar água contaminada.
Tentativa de acordos
Em Kyoto, chefes de Estado, cientistas, empresários e
representantes de organizações multilaterais e movimentos sociais reuniram-se para
discutir a crise mundial de água e estabelecer acordos que garantam o acesso universal à
água de qualidade. Cerca de 1,5 bilhão de pessoas no mundo sofrem com a escassez deste
produto valioso, outros 2,4 bilhões não têm acesso a nenhuma rede de saneamento.
Interesses econômicos
Encontro como este de Kyoto sempre é dominado por
interesses econômicos com privilégios para grandes projetos em detrimento de pequenos
investimentos em zonas locais e com resultados mais satisfatórios.
Cerca de 24 mil pessoas participaram do encontro em Kyoto
e apesar de todos os esforços não avançaram em temas cruciais, como investimento na
saúde dos ecossistemas, que é a base da sustentabilidade na gestão dos recursos
hídricos; proteção às fontes de água; saneamento e cooperação internacional no
manejo de rios internacionais. No paralelo, em Cotia, na região metropolitana de São
Paulo, ambientalistas realizaram o Fórum Social das Águas e posicionaram-se contra a
privatização do saneamento.
Perdas nacionais
No Brasil há muita água. Os lençóis freáticos tupiniquim guardam o equivalente a toda
água doce existente no mundo. Há, também uma péssima distribuição e muito
desperdício. Estas perdas são contabilizadas desde a sua extração, passando pela
distribuição e uso.
As empresas brasileiras de saneamento têm perdas
próximas de 30% do volume de água em suas redes de distribuição. Algumas aproxima-se
de 50%. Haja ineficiência! Não é à toa que tem muita gente "babando" para
que as empresas estaduais sejam privatizadas.
A Sabesp perde 15% (já chegou a perder 43%) em perdas
físicas e mais 20% em ligações clandestinas. Mas o maior desperdício está no uso
irracional da água, dentro das casas e das empresas.
Melhoras urgentes
Os serviços de saneamento precisam ser melhorados. Uma reforma urgente no setor precisa
ser levada à cabo. Privatizar, por mais que seja sedutor, não resolve. A água deve ter
uma tutela estatal, pois o recurso é de todos. Falta comprometimento político, melhor
uso dos recursos financeiros e uma educação continuada pelo uso racional da água.
Estrutura iraquiana
Não é só no petróleo que os "invasores" do Iraque estão de olho. O Iraque
é um dos países árabes com a melhor e mais organizada estrutura hidráulica. Há muito
mais que simples óleo brotando em Bagdá.
Livre do poderio "sadânico", outros países da
região só tem a ganhar com a "livre concorrência" (leia-se Israel).
Este é o primeiro passo dos muitos e futuros conflitos
pela exploração dos recursos hídricos, sobretudo naqueles que ultrapassam rios e
aqüíferos fronteiriços.
Gilberto da Silva
gilberto@partes.com.br |