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Revista Partes ano III abril de 2003 n.32

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Educação


I
dentidades e especificidades do ensino de línguas - uma visão crítica
Sérgio Nunes de Jesus


Ao longo do processo "diacrônico - sincrônico" o conhecimento vulgar quanto o científico, manifestam-se sob fenômenos genéricos, a medida que possam justificar, explicar, induzir ou até mesmo aplicar leis e predizer com segurança eventos futuros (Ruiz: 1991,92). Assim, observa-se os objetivos hipotéticos de um trabalho, visto no prisma do ensino. Sendo válido lembrar que tais fatores indicam pressupostos na lembrança de laboratórios e instrumentos de pesquisa, sistematizando a expressão ‘conhecimento científico’ (Ruiz: 1991, 93); onde a automação lingüística explicaria todo o seu processo de produção já estabelecido.

Partindo do ponto de vista concernente, cada criação é ideologicamente tendenciosa em qualquer aspecto fenomenológico de um determinado texto, pois o questionar implícito do saber científico torna-se importante na melhoria da construção do ensino; interpretando e estabelecendo um apoio sistêmico sem conclusão prévia. Isso dar-se-á pela garantia de sua existência científica na história; selecionando e ao mesmo tempo ignorando a construção do "saber descritivo – explicável", dentro das articulações "diacrônicas e sincrônicas" da própria ciência.

Observa-se no entanto, "reflexões correntes" (Possenti: 1984, 31) designando referências básicas que, a língua estará sempre como um objeto de estudo para a melhoria no ensino; característica de um "método" que sustente sua fundamentação que deverá ser clara e acessível; onde a aprendizagem será estabelecida de forma genérica no ensino da língua.

Assim, ao questionar-se o ensino da língua é válido perceber sua dimensão "cosmotiva" dentro da visão educacional, pois sem a mesma não haveria um sentido praxiológico na investigação científica do seu cunho referencial; a hermenêutica "através das aproximações sucessivas e medidas pela consciência" (Beltran:1987, 32). Em relação a isto, é de crucial importância refletir que:

"a trajetória de explicação significativa não é um caminho suave nem contínuo. Envolve o passar de um nível para outro pelo salto de pensamento, no qual não há segurança nem certeza de chegada a uma meta predeterminada, mas apenas tentativa. Isto evoca o sentido que a palavra grega methodos originalmente expressa" (Martins: 1984, 74).

Tais evidências deixam bem claras as concepções "empírico-cultural", observando e distinguindo os fatores fenomenológicos da objetividade científica, segundo (Habermas: 1965, 143). Outrossim, "as teorias pagam seu preço às ideologias a que se ligar; ou seja, o estruturalismo exclui o papel do falante no sistema lingüístico, define a língua como meio de comunicação o que implica que não há interlocutores, mas emissores e receptores, codificadores e decodificadores...além disso concebe a língua como espelho do pensamento, o que implica fazer uma semântica de base lógica privilegiando o valor de verdade dos enunciados...excluindo todas as outras funções da linguagem" (Possenti: 1984, 31). Dessa forma, segundo Foucault, "o discurso não é simplesmente o que traduz as lutas ou sistemas de dominação mas o por que, aquilo pelo que se luta, o poder cuja posse se procura"; sendo assim a língua será ‘multi-facetária’ nas acepções político-culturais.

Observa-se que, a democratização do ensino é cada vez mais peculiar, possibilitando culturas elitizadas de fatores pragmáticos e emergentes de uma necessidade que encontra-se norteada não só de "alunos-elite", mas também de professores; os mesmos cooptados para esse tipo de camada social, que quase sempre esquece dos ‘miseráveis’ ou da "plebe-escolar", possuindo assim a maior camada receptora a qual mesmo atropelada no paradigma educacional por profissionais despreparados intelectualmente, procurando estabelecer o máximo de compreensão básica possível para tal situação. Vale ressaltar também que a língua é a base para os conhecimentos teóricos na diversificação oral de sua prática, sobre a nomenclatura da capacidade do raciocínio, dentro de uma "auto-reflexão-histórica" constituída por conseguinte, pelo objeto da ciência através do seu processo educacional lingüístico da língua estudada.

Contudo, tais reflexões hermenêuticas direciona "a língua como uma atividade cognitiva que interage no processo da aprendizagem" (Leffa: 1989, 211), tendo como principal vertente definir os métodos de forma consciente da mesma "através de explicitação de suas regras e situações reais (Leffa: 1989, 212); obtendo-se por deveras, o fator discursivo a partir de uma linguagem que possa produzir uma pluralidade de sentidos dentro de um texto considerando os enunciados e a relevância de sua contribuição "sócio-lingüística" da interação "indivíduo-meio", por meio de uma leitura significativa e transformadora.

 

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Sérgio Nunes de Jesus é graduado em Letras pela FFCLC/UNEB, Campus VI, Caetité-Bahia; especialista em Metodologia e Didática do Ensino Superior e Língua Portuguesa pela UNESC/RO, Psicopedagogia UNIR/RO e Mestrando em Lingüística pela UNIR/Guajará-Mirim-RO; Professor do Departamento de Letras da UNESC/RO e Pedagogia/Administração da FAP/RO; professor do ensino médio do Colégio Decisão, Pimenta Bueno/RO; atualmente pesquisa sobre a Semântica na Linguagem Jurídica-Literária e no Dialogismo Polifônico em Bakhtin.

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