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Revista Partes ano III abril de 2003 n.32

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Sócio Ambiental


Lixo: a mão no bolso e a cabeça no travesseiro?
por Giuliana Capello


O Brasil possui cerca de 6.000 municípios, que produzem, em média, 230 mil toneladas de lixo todos os dias. São Paulo, a maior cidade do país, produz sozinha 15 mil toneladas de resíduos sólidos a cada 24 horas, ou se preferir, quase 7% de todo o lixo brasileiro.

Como destino para esse volume – pasmem - a capital paulista tem apenas dois aterros sanitários que, pelas contas de técnicos e ambientalistas, estarão com sua capacidade esgotada nos próximos cinco anos.

A prefeitura, depois de anos sem qualquer projeto nessa área, resolveu mexer os pauzinhos para evitar um colapso no sistema. A primeira medida, no entanto, foi bastante impopular: a criação de uma taxa mensal, entre R$ 6,14 e R$ 61,36, calculada a partir da média de geração de lixo em cada região da cidade. Resultado: críticas por parte dos moradores e da imprensa e queda da popularidade da prefeita.

Polêmicas à parte, o bom da história veio algumas semanas depois. A superexposição do assunto na mídia fez com que o lixo virasse tema de conversas nos quatro cantos do município. Embora a taxa não tenha deixado de pesar no bolso dos paulistanos, muita gente já começou a entender que o problema do lixo é realmente grave e que a solução não virá somente a partir de iniciativas do poder público. Ao contrário, depende de atitudes e mudanças de comportamento que estão ligados ao dia-a-dia de cada um de nós, queiramos ou não.

Nesse sentido, uma das ações alternativas mais conhecidas é a coleta seletiva do lixo para posterior reciclagem dos materiais, que gera renda para as famílias de catadores e prolonga a vida útil dos aterros. Ela é, sem dúvida, uma ação que deve ser incentivada em larga escala; mas é importante reconhecer também que a separação dos resíduos não muda a escala de produção do lixo e, assim, não corta o mal pela raiz.

Portanto, o fato de pagarmos uma taxa pela coleta e destinação mais adequadas do lixo não significa que podemos encostar a cabeça no travesseiro e dormir tranqüilos. Resolver o problema do lixo implica muito mais que isso. A melhor maneira de combater os efeitos nocivos dos resíduos no meio ambiente – do qual fazemos parte, só para lembrar – consiste em diminuir a quantidade de lixo que produzimos, evitando o desperdício. Existem inúmeras maneiras de se fazer isso, a maioria delas extremamente simples, sem nenhum tipo de radicalismo.

Em poucas palavras, precisamos aprender a consumir com responsabilidade. Uma avaliação crítica dos produtos que colocamos no carrinho do supermercado, por exemplo, diz muito sobre nossa relação com o meio ambiente. Frutas embaladas em bandejas de isopor, biscoitos envolvidos em pacotinhos individuais dentro de outro saco plástico, garrafas PET etc., sem falar nas sacolinhas que levamos para casa e nem sempre reutilizamos, pelo menos, para armazenar o lixo doméstico.

Por outro lado, o marketing verde está crescendo a cada dia e muita gente anda fazendo suas compras pensando no lixo que será gerado após o consumo dos produtos. Tais hábitos ajudam a pressionar os empresários a investirem em produtos ambientalmente mais corretos. Detalhes pequenos que fazem toda a diferença e, no decorrer do tempo, podem trazer uma noite de sono mais serena e – por que não – a redução da taxa do lixo.

Luz e PAZ,

Até a próxima!

 

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Giuliana Capello, é jornalista e guarda-parque
giulianacapello@ig.com.br

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