O Brasil possui cerca de 6.000 municípios, que produzem, em média, 230
mil toneladas de lixo todos os dias. São Paulo, a maior cidade do país, produz sozinha
15 mil toneladas de resíduos sólidos a cada 24 horas, ou se preferir, quase 7% de todo o
lixo brasileiro.
Como destino para esse volume pasmem - a capital paulista tem
apenas dois aterros sanitários que, pelas contas de técnicos e ambientalistas, estarão
com sua capacidade esgotada nos próximos cinco anos.
A prefeitura, depois de anos sem qualquer projeto nessa área, resolveu
mexer os pauzinhos para evitar um colapso no sistema. A primeira medida, no entanto, foi
bastante impopular: a criação de uma taxa mensal, entre R$ 6,14 e R$ 61,36, calculada a
partir da média de geração de lixo em cada região da cidade. Resultado: críticas por
parte dos moradores e da imprensa e queda da popularidade da prefeita.
Polêmicas à parte, o bom da história veio algumas semanas depois. A
superexposição do assunto na mídia fez com que o lixo virasse tema de conversas nos
quatro cantos do município. Embora a taxa não tenha deixado de pesar no bolso dos
paulistanos, muita gente já começou a entender que o problema do lixo é realmente grave
e que a solução não virá somente a partir de iniciativas do poder público. Ao
contrário, depende de atitudes e mudanças de comportamento que estão ligados ao
dia-a-dia de cada um de nós, queiramos ou não.
Nesse sentido, uma das ações alternativas mais conhecidas é a coleta
seletiva do lixo para posterior reciclagem dos materiais, que gera renda para as famílias
de catadores e prolonga a vida útil dos aterros. Ela é, sem dúvida, uma ação que deve
ser incentivada em larga escala; mas é importante reconhecer também que a separação
dos resíduos não muda a escala de produção do lixo e, assim, não corta o mal pela
raiz.
Portanto, o fato de pagarmos uma taxa pela coleta e destinação mais
adequadas do lixo não significa que podemos encostar a cabeça no travesseiro e dormir
tranqüilos. Resolver o problema do lixo implica muito mais que isso. A melhor maneira de
combater os efeitos nocivos dos resíduos no meio ambiente do qual fazemos parte,
só para lembrar consiste em diminuir a quantidade de lixo que produzimos, evitando
o desperdício. Existem inúmeras maneiras de se fazer isso, a maioria delas extremamente
simples, sem nenhum tipo de radicalismo.
Em poucas palavras, precisamos aprender a consumir com
responsabilidade. Uma avaliação crítica dos produtos que colocamos no carrinho do
supermercado, por exemplo, diz muito sobre nossa relação com o meio ambiente. Frutas
embaladas em bandejas de isopor, biscoitos envolvidos em pacotinhos individuais dentro de
outro saco plástico, garrafas PET etc., sem falar nas sacolinhas que levamos para casa e
nem sempre reutilizamos, pelo menos, para armazenar o lixo doméstico.
Por outro lado, o marketing verde está crescendo a cada dia e muita
gente anda fazendo suas compras pensando no lixo que será gerado após o consumo dos
produtos. Tais hábitos ajudam a pressionar os empresários a investirem em produtos
ambientalmente mais corretos. Detalhes pequenos que fazem toda a diferença e, no decorrer
do tempo, podem trazer uma noite de sono mais serena e por que não a
redução da taxa do lixo.
Luz e PAZ,
Até a próxima!