"A inveja, como o
vento, açoita sempre os cumes mais altos"
(Vergílio, poeta latino - 70 19 A.C)
A inveja é, sem dúvida, o mais antigo sentimento que se tem notícia,
depois do amor. Pela inveja o mal entrou no mundo, pela inveja Caim matou Abel*1, pela
inveja sofremos diariamente.
Podemos definir a inveja como "desgosto ou pesar pelo bem ou
felicidade de outrem, desejo violento de possuir o bem alheio".
Acredito que muitas vezes as pessoas não tem bem definido o que é a
inveja, confundindo-a com o desejo de ser feliz tanto quanto o outro o é. Ou seja,
ambicionamos conseguir as mesmas coisas de alguém e isto não é inveja, desde que por
meios justos trabalhemos para tal, e além de tudo esse desejo é reconhecer em si
próprio a capacidade da conquista.
Agora, a inveja é, repetindo, o desejo violento de se possuir o bem
alheio, e sempre que há a inveja ela vem acompanhada da maldade.
Ora, se sentimos tristeza pela felicidade alheia, esse sentimento é
desprovido de amor, portanto só pode haver ódio, e onde há o ódio há também o mal.
Se assim não fosse, a inveja não seria considerada um pecado. Independente da religião,
sabemos que a inveja nasce no mal e se torna um vício e fonte de muitos outros males.
E como distinguir a inveja da ambição?
A ambição acompanha os guerreiros, os fortes. Podemos ter objetivos
para alcançar algo, no entanto, se não temos a ambição, ou seja, o anseio ardente que
nos impulsionará para a realização concreta dos nossos planos, estes não passarão de
ilusões.
A ambição é necessária na vida e não podemos nos envergonhar de
dizer que a temos. Muitas vezes as pessoas receiam falar que a possuem, com medo de serem
chamadas de egoístas ou algo que o valha, justamente pela incompreensão do seu
significado.
Diferentemente dos ambiciosos temos os invejosos, que são, em grande
parte, gananciosos e neste ponto é que reside toda a confusão, porque a ganância,
normalmente nascida da inveja, também é uma ambição, porém, desmedida.
Veja, a ambição é salutar, desde que tenha limites. É sempre bom
observamos que existe uma linha tênue que separa o bem do mal.
Dizem que a inveja mata e mata mesmo. A História nos mostra que ela é
destruidora, destrói um único indivíduo como toda a humanidade, e também sabemos que
do coração é que brota todo e qualquer sentimento, portanto, está em nossas mãos
decidir pelo bem ou pelo mal. Precisamos perceber que nossas inclinações perversas que
obscurecem a consciência e corrompem nossa avaliação do certo e do errado, acontecem
sempre que nos distanciamos do Amor.
Alguém pode estar questionando porque iniciamos dizendo que a inveja
nos faz sofrer diariamente e a resposta está nas injustiças, nas desigualdades, no
orgulho, nas discórdias que ameaçam sem cessar a paz e causam as guerras.
Se desejamos um mundo melhor devemos nos afastar do mal, usar o nosso
livre arbítrio em favor do bem, e não permitir que a cobiça seja um açoite cruel ao
nosso próximo.