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Ano III n.33 maio de 2003

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::Editorial::
Nos tempos da ação totalitária
por Gilberto da Silva
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Pensando em seus atos, Helena.
Um outro modelo econômico é possível, a sociedade quer que o governo Lula enfrente o desafio de construir um novo modelo de desenvolvimento não renunciando à soberania nacional.
Que o governo não se dobre aos interesses escusos do capital financeiro. Refletir sobre os impasses do novo governo não é apenas tarefa para petistas, mas sim, de todo cidadão.
Um homem, um escritor, um Prêmio Nobel da Literatura. Um comunista.
Um homem, um revolucionário, um grande orador. Um ditador.
Um homem, um operário, um Presidente de um país latino. Um socialista.
Assim, três destinos, três ideais, três lutadores que nos ensinam, mais do que nunca, a importância da reflexão. Cada um com suas razões. Acima dos três, o mestre superior, dono do mundo: o texano.

Saramago, dono da fina e forte pena de escritor, sem vírgulas ou travessão, condena Fidel e a prática do paredão. Do alto da sua serenidade, da sua crítica afiada sabe muito bem separar o trigo do joio.

Parada para Bush, Lula, Fidel e demais governantes: refletir sobre os seus atos

Nosso tempo é o tempo da reflexão num tempo de ações totalitárias. Democratas, não há motivo para sorrir.

CARTA AO PRESIDENTE LULA

Caro Presidente

Essa carta lhe é endereçada por pessoas que o prezam, admiram sua trajetória política e desejam prestar-lhe toda ajuda, a fim de que o Senhor possa corresponder às enormes esperanças que sua vitória despertou no povo brasileiro.

 

Cientes da situação econômico-financeira do país temos uma clara percepção das dificuldades internas e externas que tem levado o governo a editar medidas de restrição de gastos e elevação de juros. Sabemos, além disso, que a globalização provocou modificações substantivas na economia mundial e que será muito difícil desenvolver o país sem participar de algum modo da comunidade financeira internacional.

Contudo, esses constrangimentos não podem significar renúncia à nossa soberania.

Duas medidas são particularmente preocupantes em relação a este aspecto: a negociação da ALCA e a pretendida autonomia do Banco Central.

A primeira, como alguns de nós já argumentaram em extensos e repetidos arrazoados, exporá nossos produtores industriais, agrícolas e de serviços a uma concorrência absolutamente desigual, cuja primeira conseqüência será uma desnacionalização ainda maior do nosso parque produtivo. E por sua abrangência que extrapola acordos comerciais, mas envolve a agricultura, investimentos, compras estatais, moeda, serviços, deixa clara a intenção do Governo Estadunidense em recolonizar o continente de acordo com seus interesses apenas.

A segunda implica a entrega do controle da nossa moeda aos capitais externos e, portanto, a renúncia ao projeto nacional. Não se pode ocultar que, estando os setores mais dinâmicos da nossa economia em mãos de empresas estrangeiras, a autonomia do Banco Central significa transferir para elas a fixação do valor da nossa moeda.

Por estas razões, tomamos a decisão de enviar-lhe esta carta. Em nosso entender, tanto a ALCA quanto a autonomia do Banco Central são questões inegociáveis, posto que implicam na intocabilidade da própria soberania da Nação. Decisão de tamanha magnitude deve ser tomada pelo detentor dessa soberania: o povo brasileiro. Assim, cada brasileiro e cada brasileira deveriam ser chamados a se pronunciar sobre ambas questões em um plebiscito convocado para esse expresso fim.

O plebiscito ensejaria um grande debate nacional sobre os dois temas, dando assim fundamento a uma decisão verdadeiramente democrática sobre os mesmos.

Estamos convencidos de que uma atitude firme do Brasil mudará a postura das forças que nos estão pressionando e abrirá caminho para que possamos construir autonomamente os caminhos que mais convém ao nosso desenvolvimento.

Porém, se assim não for, e o governo vier a ser colocado na contingência de romper com as forças que o estão pressionando, creia Sr. Presidente, que as represálias não serão insuportáveis. Nossa economia já é suficientemente forte para resistir a elas e nosso povo suficientemente politizado para dar-lhe o apoio necessário nesse enfrentamento.

Brasil, 1 de maio de 2003

 Alfredo Bosi; Ana Maria Freire; Ana Maria Castro; Ariovaldo Umbelino de Oliveira; Augusto Boal; Benedito Mariano; Bernardete de Oliveira, ; Carlos Nelson Coutinho; Chico Buarque; Dom Demetrio Valentini; Dom Paulo Arns; Dom Pedro Casaldaliga; Dom Tomas Balduino; Emir Sader; Fabio Konder Comparato, Fernando Morais; Francisco de Oliveira; Haroldo Campos; Joanna Fomm, Leonardo Boff;Luis Fernando Verissimo, Margarida Genovois; Maria Adelia de Souza; Manuel Correia de Andrade; Marilena Chauí; Nilo Batista; Pastor Ervino Schmidt/IECLB; Plínio Arruda Sampaio; Oscar Niemeyer; Ricardo Antunes; Sergio Haddad; Sergio Ferolla, brigadeiro; Tatau Godinho; Valton Miranda.

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Gilberto da Silva: é jornalista, sociólogo e professor universitário. Editor da Revista Partes.
gilberto@partes.com.br

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