O jogo
Santos x Nacional, em 07/05/03, foi o final feliz de um drama vivido pelo jovem time do
Santos. Tudo começou em Montevidéu, no jogo de ida, com a tradicional
"catimba" dos cisplatinos, suas cusparadas, suas mordidas, faltas desleais e a
cumplicidade de uma arbitragem parcial - crônica contra times brasileiros - que deu cinco
minutos de acréscimo e mais um de lambuja, ensejando o empate.
O jogo da Vila foi dramático e cheio de incertezas, mas a torcida
estava presente no melhor estilo das "inchadas" argentinas: cantando e
incentivando, mesmo quando o Santos desandava, como no caso do segundo gol do Nacional,
numa infelicidade de Fábio Costa. O goleiro, visivelmente abalado com o erro, foi
aclamado e aplaudido!
Tirando o arremesso de objetos, que quase prejudicou o andamento do
jogo, o entusiasmo dos torcedores foi exemplar e motivador, demonstrando que não é
apenas o time que está cada vez mais maduro: a torcida também!
A arbitragem, que já puniu Robinho por considerar suas fintas
humilhantes, não usou da mesma medida para punir o joelho na bola de Peralta frente a
Alex; a entrada de jogadores uruguaios com o objetivo explícito de provocar os santistas
foi ignorada; e a lentidão nas substituições, a "cera" ostensiva e o desfile
de "cartola" uruguaio pelo campo foram punidas com míseros e precisos três
minutos de prorrogação, que sentenciaram a disputa de pênaltis.
Não gosto de disputa de pênaltis! Nunca gostei!
Durante o jogo a adrenalina flui; nos pênaltis ela se concentra e o
jogador "sente mais a responsabilidade".
Os jogadores santistas fazem uma corrente, se ajoelham, e lá vai
Fábio Costa em direção ao que pode ser seu pódio ou seu patíbulo: o gol.
Subitamente, a torcida passa a gritar em uníssono: "PQP, o Fábio
Costa é o melhor goleiro do Brasil!". Eu estava vendo o jogo pela televisão, mas
era como se estivesse no estádio. Olhando o caminhar solitário e concentrado do goleiro
- e ainda indignado pela condução da arbitragem e pela acintosa e tradicional
comemoração dos gols uruguaios por vizinhos corintianos - tive a certeza de que justiça
seria feita, pois "ali tinha goleiro"!
Gritei até esbaforir a cada cobrança assinalada pelos nossos
competentes e frios batedores, mas não me lembro - nem na final da Copa de 1994 - de
haver comemorado tanto os "não-gols" dos uruguaios, interceptados pelas mãos
precisas do grande Fábio Costa.
O Santos já teve grandes goleiros: Athié, Gilmar, Manga, Laércio,
Cláudio, Cejas, Rodolfo Rodrigues, Zetti e outros; mas defender três pênaltis é uma
façanha de poucos e já permite a inscrição de Fábio Costa no "hall of fame"
do Santos Futebol Clube.
Parabéns, Fábio Costa! Parabéns, torcida santista!
E viva o não-gol!