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Problematizador de
inúmeras questões vivenciadas no cotidiano profissional, o curso "TV na Escola e os
Desafios de Hoje" possibilitou o exercício de um posicionamento reflexivo e de
efetivo reconhecimento de aspectos didático-pedagógicos a serem superados,
aperfeiçoados e preservados na busca do aprimoramento da prática diária do professor e
dos diferentes interlocutores escolares.
Embora direcionado ao uso da televisão e
videocassete, bem como dos programas exibidos na TV Escola, favoreceu ainda a um estreito
contato com as diferentes ferramentas existentes nas escolas às quais recebem o nome de
novas tecnologias da informação e comunicação (NTIC), abrindo a visão para o caminho
construtivo da tecnologia a serviço da educação, a importância do trabalho coletivo na
elaboração e realização de projetos pedagógicos voltados para o crescimento da
comunidade escolar além da qualificação pessoal. Contudo faz-se mister destacar que o
presente artigo embora utilize a expressão NTIC se referindo ao uso da televisão e
videocassete, não tratará do uso das diferentes ferramentas tecnológicas que
possivelmente se encontram disponíveis na escola.
A tecnologia, resultado da aplicação
prática de conhecimentos teóricos a serviço da humanidade, incorpora-se no cotidiano
profissional, cultural, familiar, muitas vezes sem a devida reflexão sobre sua forma de
aplicação e utilização. Simplesmente passa a fazer parte da rotina diária. Portanto,
devemos ter em mente que a tecnologia não se refere à ferramenta somente, mas essa
juntamente com os usos que destinamos a ela em cada época e a qualidade de uso atribuída
à mesma será relativa dependendo do ângulo de análise, da sua utilidade no contexto e
possibilidade de aquisição.
A ausência de reflexões e discussões
entre os atores do fazer escolar sobre os aspectos acima apresentados obstaculiza a
transformação do atual espaço escolar em local privilegiado para a prática da
aproximação das pessoas aos recursos tecnológicos, tanto para os que já possuem
contato prévio, quanto para os que necessitam se atualizar na utilização desse
patrimônio construído pela humanidade. Isso é o que Sarmento (2001: 64) nos propõe
quando sugere que encaremos a entrada das novas tecnologias nas escolas sob um novo
prisma, o de mudança de paradigma do modelo ensino-aprendizagem hegemônicos, não apenas
como sofisticação do quadro pedagógico existente.
Assim sendo, a escola deve estar
preparada para enfrentar as mudanças contínuas impostas pela velocidade do mundo
globalizado e, diante desse quadro, nem sempre encontra agilidade para acompanhar esses
desafios. Neste sentido, os objetivos desse trabalho concentram-se em:
- Redigir sobre as competências de
tematização da prática, leitura e escrita desenvolvidas durante a realização do curso
acima citado.
- Discorrer sobre a necessidade de
participação do professor em ações de formação continuada em serviço para
implementação do processo-ensino aprendizagem.
- Grafar reflexões sobre a necessidade
dos gestores escolares trabalharem em conjunto com o coordenador da TV Escola na
utilização do acervo audiovisual com fins de formação continuada dos atores escolares.
É diante deste quadro que se propõe a
problemática: Como superar os desafios de atualização didático-pedagógica e
utilização das novas tecnologias da informação e comunicação (televisão e
videocassete) impostos pela inserção das mesmas nas instituições escolares? O
referencial teórico adotado é o sócio-interacionista onde os gestores são vistos como
mediadores entre o desenvolvimento real e potencial dos atores escolares na busca de
soluções coletivas para as mudanças a serem implementadas na formação
didático-pedagógica e do processo ensino-aprendizagem existente nas escolas. Para tanto,
utilizou-se do método de abordagem indutivo e as técnicas de observação direta
assistemática, observação direta extensiva (aplicação de questionários aos
coordenadores das TV Escolas ou representante escolar) e a documentação indireta
(pesquisa documental e pesquisa bibliográfica).
Desenvolvimento de competências através
da tv escola
Através dos instrumentos de
avaliação utilizados no curso à distância "TV na Escola e os Desafios de
Hoje", os quais dependem da leitura, do registro de sua caminhada em um memorial e
das respostas dadas às atividades de consolidação da aprendizagem e de avaliação,
gradativamente conduz o cursista a revisão da sua prática pedagógica e organização
escolar. Registrar a prática, realizar leituras, repensar a atuação profissional
visando a complexidade do todo, os elementos que o compõe, a implementação de ações,
tomadas de atitude através da mobilização de habilidades, conhecimentos e atitudes,
chama-se competência. Salgado (2000: 20) descreve competência como sendo
.. a capacidade de atuar diante de situações complexas, mobilizando conhecimentos,
habilidades intelectuais e físicas, atitudes e disposições pessoais, de forma que
identifique corretamente os elementos que estão em jogo e dê-lhes tratamento
adequado".
Neste sentido é por meio da utilização
da leitura e escrita que o profissional poderá estar registrando sua formação
continuada, avançando na mesma e possibilitando o exercício da reflexão, da crítica e
da autonomia de pensar e agir. Embora saibamos que utilizamos a leitura e a escrita
constantemente em nossa atividade diária nem sempre essas habilidades são utilizadas com
competência para serem colocadas em prática de forma qualitativa, com vistas a
possibilidade de fornecer um referencial para a revisão da atuação profissional. Abreu
(2001: 3) 2 confirma este posicionamento quando afirma ao
professor que
"o seu diário e o seu
planejamento são atividades burocratizadas que, tradicionalmente, são copiadas do ano
anterior, de algum colega ou de algum profissional que orienta, mas quase sempre terminam
por não possuir nenhum sentido orientador das ações do professor".
é partindo de um registro qualitativo,
que não só o professor como todos os interlocutores escolares podem e devem realizar,
que os mesmos terão subsídios suficientes para tornar suas ações diárias objeto de
estudo para possíveis mudanças de posicionamento. A isso damos o nome de tematizar a
prática. Signorelli (2001: 8) tomando o professor como ponto central, expõe o conceito
de tematização da prática como sendo o ato de:
"... refletir sobre o que está
ocorrendo (...) considerando as condições em que o trabalho pedagógico se desenvolve na
escola, e tomar decisões sobre a melhor forma de orientar as aprendizagens dos
alunos".
Se considerarmos que todos os servidores
de uma escola estão em contato com os alunos e através de suas atitudes transmitem
informações e colaboram na formação daqueles, a escola necessita proporcionar
condições para que todos os interlocutores possam desenvolver competências em seus
diferentes ramos de atuação. É preciso, contudo, que todos também possam exercer a
prática da leitura e escrita, pontos de partida para qualquer registro. Este hábito nem
sempre é também cultivado por ser difícil e às vezes tedioso, dependendo das
habilidades dos leitores e escritores. Por isso Nóbrega (2001: 10) sugere:
"quanto mais se lê, mais se desenvolvem
estratégias de leitura e a tarefa de ler se torna mais fácil; mas em relação à
produção de textos, muitos dos escritores profissionais, como Ferreira Gullar, declaram
sentirem-se incomodados com a distância entre o que gostariam de expressar e o que de
fato conseguem escrever; portanto, quanto mais se escreve se tem consciência das
dificuldades envolvidas na tarefa...".
Logo, proporcionar espaços de formação
continuada a todos os envolvidos direta e indiretamente na formação dos alunos, favorece
a superação de obstáculos individuais e coletivos rumo a tentativa de se oferecer a
qualidade educacional almejada pelos diferentes segmentos da sociedade e a conquista da
formação dos cidadãos com os quais se sonha.
Diante desta contextualização, partindo
dos instrumentos acima citados utilizados para acompanhamento e avaliação de desempenho
do cursista e das competências desenvolvidas durante o curso, surgiu a problemática já
apresentada e a necessidade de refletir sobre as dificuldades observadas nas
instituições escolares estaduais de Pimenta Bueno RO diante do uso das novas
tecnologias da informação e comunicação (televisão e videocassete) no processo
ensino-aprendizagem do aluno e na formação continuada dos interlocutores escolares.
A tv escola e a formação continuada
Muitas são as dificuldades enfrentadas
atualmente pelas escolas estaduais de Pimenta Bueno para a adequada utilização da TV
Escola. De acordo com MEC/SEED3 (2001), o kit
tecnológico4, repassado às Secretarias Estaduais e
Municipais de Educação através de aquisição realizada pelo FNDE (Fundo Nacional de
Desenvolvimento da Educação), atualmente é realidade a todas as instituições
escolares estaduais do referido município. Entretanto, através das nove entrevistas
realizadas pode-se observar que as unidades escolares encontram-se em dois diferentes
níveis de desenvolvimento e utilização da TV Escola em seu processo educacional, a
saber:
1. Nível elementar de organização
do espaço e funcionamento: A E.E.E.F. 6 Orlando
Bueno da Silva não dispõe de espaço físico exclusivo para o funcionamento da TV Escola
uma vez que divide o local com a biblioteca e sala de reforço. A dificuldade de espaço
reservado à TV Escola também acontece com a E.E.E.F. Bom Sucesso que tem dois terços
dos horários ocupados por sala de aula regular. Já a E.E.E.F. Professor Valdir
Monfredinho dispõe de espaço físico, porém não pode contar diariamente com uma
coordenadora para o funcionamento da TV Escola, uma vez que a mesma encontra-se
freqüentemente de atestado de saúde. O Centro Estadual de Educação de Jovens e Adultos
Glicéria Maria Oliveira Crivelli não dispõe de coordenadora e cedeu temporariamente o kit
tecnológico para a representação de Ensino de Pimenta Bueno.
Observa-se aqui a necessidade de
superação de um tipo dificuldade essencial para a adequada instalação e funcionamento
da TV Escola a fim de que a posteriori se possa realizar qualquer tipo de uso
adequadamente.
2. Nível básico de funcionamento:
é o caso da E.E.E.F. Anísio Serrão de Carvalho e a E.E.E.F. Sandoval Meira que
trabalham visando fornecer subsídios ao professor no processo ensino aprendizagem do
aluno bem como a sua formação continuada, mas ainda de forma assistemática e
aleatória. Esta também é a realidade da E.E.E.F. Frei Silvestre Bizzotto e as
E.E.E.F.M.7 Raimundo Euclides Barbosa e Marechal Cordeiro
de Farias, contudo os coordenadores que as representam revelam em sua fala a importância
da TV Escola na formação continuada de todos os envolvidos no processo direto e indireto
da educação dos alunos. É o que nos mostra a coordenadora da TV Escola, professora
Maria de Fátima Souza, da Escola Raimundo Euclides Barbosa quando nos diz que:
"falta um planejamento conjunto na escola
visando ações que favoreçam a formação de qualidade tanto dos servidores da escola, da
comunidade em geral e principalmente dos alunos".
O coordenador da TV Escola professor
Raimundo Edilberto Rabelo, da Escola Frei Silvestre Bizzotto acrescenta
"... a gestão deveria se preocupar com a
formação continuada dos funcionários em geral e assim melhorando o atendimento dos que procuram a
escola, investindo mais na TV Escola e seu uso".
Nesta mesma linha de pensamento a professora Ana Luiza Teixeira Portella, coordenadora na
Escola Marechal Cordeiro de Farias, declara:
"Se nós não conseguirmos realizar um planejamento conjunto com a equipe gestora,
não conseguiremos colocar em prática todas as ações que podem ser realizadas
beneficiando os envolvidos".
Nestes casos observa-se que através de
ações isoladas e assistemáticas a TV Escola vem se preocupando com a formação
continuada dos professores e iniciando uma reflexão sobre a importância de se ampliar o
trabalho para o atendimento dos outros servidores, visando o crescimento conjunto de todos
os envolvidos no processo do pensar e fazer escolares.
Embora as escolas venham encontrando
dificuldades das mais elementares as mais complexas, todas procuram atender os professores
no processo ensino aprendizagem dos alunos através da utilização da TV Escola. É
necessário ressaltar que somente quatro coordenadores apresentavam um plano de ação
para as atividades desenvolvidas na TV Escola e, mesmo todos voltando suas ações para o
processo ensino aprendizagem do aluno, ressaltando a importância da formação continuada
do professor, em unanimidade revelam a ausência de um plano de ação conjunto com os
diferentes gestores escolares visando a utilização da TV Escola na formação continuada
de todos os interlocutores escolares. Antunes 8 (2001:
7-8) reafirma as dificuldades enfrentadas para a utilização da TV Escola:
"... temos claro que dificuldades existem sempre. A pesquisa da Unicamp sobre a
utilização do Programa TV Escola revela que os principais obstáculos registrados, além
da rejeição e resistência por parte de alguns professores, está na jornada que não
contempla um período para atividades pedagógicas e capacitação em serviço, e também
a ausência de um funcionário responsável pela gravação dos programas".
Frente a essas afirmações observamos
nas entrevistas que nenhum coordenador, mesmo os que possuem plano de ação para
desenvolvimento de suas atividades, articulou encontros de formação continuada com os
diferentes atores escolares. Os poucos encontros que aconteceram, visando discussão e
trabalho em grupo de professores, são atividades desenvolvidas de forma aleatória e
assistemática. Geralmente os professores marcam um horário individual e são atendidos
em suas necessidades de conteúdos para ampliação dos conhecimentos dos alunos
discutidos em sala de aula.
Antunes 9 (2001:
4) afirma que os programas da TV escola são voltados
"... ao aperfeiçoamento e à formação dos professores. Se desejamos, efetivamente,
oferecer um ensino de qualidade em nossas escolas precisamos começar pela formação dos
professores".
Neste sentido vemos que a as
escolas estaduais em Pimenta Bueno ainda não se encontram suficientemente articuladas
para organizar e executar programas internos de formação continuada para os diferentes
servidores. Ações isoladas de formação embora contribuam para desenvolvimento de
habilidades e competências, não são suficientes para o acompanhamento e assessoramento
constantes dos educadores, auxiliando na resolução de seus problemas e contribuindo para
o processo de construção do conhecimento que venha colaborar na sólida promoção de
qualidade educacional na formação dos alunos.
Quanto a necessidade de ter um
profissional ao lado dos professores orientando-os em suas práticas
didático-pedagógicas, Sandra Maria Ferreto Lorenzon, coordenadora na Escola Sandoval
Meira nos diz que para ela
"O papel do supervisor é colaborar no processo ensino-aprendizagem e orientação
de suporte ao professor e isso não vem acontecendo porque é preocupado com o atendimento
burocrático a ser feito. Não os culpo, pois isso é resultado de um trabalho a longo
tempo que vem acontecendo dessa forma".
No tocante a mudança de atitudes
didática pedagógica por parte do professor depois que iniciou a utilização da TV
Escola em suas práticas diárias, a mesma coordenadora acrescenta: "Houve a
utilização de trabalhos em equipe em sala de aula, utilização de projetos para
desenvolvimento de conteúdos e a visão de interdisciplinaridade".
Outros coordenadores sustentam essa
afirmação quando dizem que as ações desenvolvidas na TV Escola mesmo que de forma
assistemática e isolada possibilitaram, por exemplo, a mudança tais como as relacionadas
pela professora Ana Luiza Teixeira Portella Escola Marechal Cordeiro de Farias,
Raimundo Edilberto Rabelo Escola Frei Silvestre, Geralda Rita das Mercês
Souza Escola Orlando Bueno da Silva, Maria Das Graças Valentim de Lima supervisora
da Escola Professor Valdir Monfredinho e Maria de Fátima Souza Escola Raimundo
Euclides Barbosa, respectivamente:
"Os professores passaram a
procurar a TV Escola, planejar as atividades e tornar as aulas mais dinâmicas".
"... o professor que era muito
tradicional, com o uso da TV Escola e vídeo percebeu que poderia encontrar melhores
resultados. Ainda continua a dificuldade do professor trabalhar com vídeo".
"Os que fizeram o curso -10-
mudaram a postura de trabalho. Aprenderam a usar o vídeo como forma de enriquecer a
aula".
"... formou-se o hábito da
discussão em grupo, pois antes isso não existia".
"Os professores mudaram a forma de
pensar e organizar as aulas, houve a utilização da imagem como reforço dos conteúdos
tratados em sala e começaram a despertar para a necessidade de trabalhar os temas
transversais utilizando a TV Escola".
Destacam ainda que embora tenham
conseguido mudanças de postura e tematização de algumas práticas pedagógicas do
professor, existem em todas as escolas os professores que utilizam a TV Escola
inadequadamente como meio furtivo de não desenvolvimento das competências nos alunos,
talvez por falta de conscientização, compromisso, oportunidade de participar de
orientações contínuas ou mesmo prática proposital.
É devido a essa contextualização que
Antunes 11 (2001: 6) alerta para a necessidade de rever a
utilização da TV Escola, pois:
"Na maioria das escolas a apropriação do Programa TV Escola, visto aqui como uma
possibilidade de crescimento do professor enquanto profissional e de trazer a vida
cotidiana para dentro da sala de aula tem sido realizada de forma isolada, e portanto,
vulnerável".
A falta de ações conjuntas traz os
resultados tais como os acima apresentados: enquanto parte do corpo de profissionais
investe em sua formação continuada, a outra parte permanece alheia às modificações a
serem implementadas diante dos desafios que o mundo globalizado nos proporciona. É visto
que a contribuição de cada profissional que investe em sua formação irá com certeza
colaborar no processo de transformação escolar e social embora possam também se sentir
desamparados em seus esforços quando observam que não recebem orientação e apoio
suficiente para continuar a trilha que escolheram.
É deste modo que, chegando ao fim de um
trabalho ou mesmo bimestre, ao realizar avaliações e auto-avaliações com os alunos
quanto a atuação pessoal e do professor na disciplina, elencando pontos positivos e
negativos, acabamos por ler e ouvir relatos 12 ts como os
de M.B.S., J.L.C. e S.G., alunas do terceiro ano do curso Magistério em nível de Ensino
Médio, ora apresentados:
"Nem sempre todos os professores
fazem com que a aula se torne interessante, vivem sempre dando o mesmo tipo de avaliação
e trabalhos, onde não motiva o aluno a perguntar, pesquisar e se desempenhar".
"Em nossa escola já tem algumas
tecnologias como a sala de TV Escola e sala de computação. Antes de ter um conhecimento
de como eram utilizados esses recursos eu achava que era um local onde o professor
passaria fitas na hora que quisesse ou até quando ele não tinha tempo de preparar outra
aula e para não ter trabalho de explicar. (...) Mas mesmo tendo essas tecnologias na
escola não está havendo um bom aproveitamento por parte de alguns professores. Muitos
até talvez por falta de conhecimento não utilizam como deveriam".
"Não adianta nada a escola ter os
recursos (tv,vídeo, computadores, internet) se os professores não souberem como fazer
uso correto deles. Acaba ficando um trabalho incompleto. Em nossa escola, acho que o uso
das novas tecnologias está melhorando, existem professores que se preocupam e trabalham
utilizando os poucos recursos que a escola tem, outros porém, deixam a desejar".
Os alunos são testemunhas das
diferenças gritantes na condução das várias disciplinas aos quais são submetidos e
por vezes massacrados em sua fantasia de aprendizes. Existem aulas que dispensam
perfeitamente a figura do professor que poderia ser substituído por um gravador, pois os
alunos são apenas ouvintes. Algumas avaliações são comparadas a mera formalidade ao
invés de verificação de aprendizagem que favoreça ao próprio aluno constatar seu
empenho durante o período e ainda oferecer pontos de recuperação de conteúdos
defasados, ao invés da prática de recuperar nota, tão comumente observada. Ele faz a
avaliação para o professor e não para ele próprio. Procedendo desse modo o aluno
obtém nota para satisfazer a terceiros e não a si mesmo como ser ativo que deveria ser.
A saída apontada para os obstáculos
acima apresentados é a incorporação da utilização do Programa TV Escola no Projeto
Político Pedagógico, conforme Antunes 13(2001: 7) nos orienta, já que
deste modo a iniciativa de utilização isolada dos programas é modificada e passa a ser
"... estratégia da escola como
um todo, na direção da construção da qualidade de ensino".
É nesta linha de raciocínio que neste
momento nos voltamos para o terceiro objetivo deste artigo: a importância da
participação dos gestores escolares no trabalho conjunto com o coordenador da TV Escola
na utilização do acervo audiovisual com fins de formação continuada dos atores
escolares.
As resignificações como horizontes
O curso "TV Escola e os Desafios de
Hoje" é organizado de tal forma que concluí-lo sem tematizar a prática torna-se
impossível. Nesse processo tem-se a oportunidade de constatar uma atuação profissional
repleta de falhas e meios de supera-las partindo de um trabalho coletivo bem estruturado,
organizado e que pode ser mobilizado via TV Escola. Através do referido curso que exigia
trabalhos em grupo, pesquisa e conhecimento dos diferentes programas oferecidos pela TV
Escola, surgiu a compreensão de sua importância na formação continuada de professores,
servidores e gestores escolares favorecendo a ampliação das reflexões sobre a
utilização das NTICs a serviço da educação e conseqüente formação de cidadãos.
Uma vez garantida a utilização da TV Escola no Projeto Político Pedagógico, as ações
podem se tornar sistematizadas, beneficiando os envolvidos.
Para que a conscientização dos gestores
escolares ocorra e por sua vez esta venha proporcionar ações que favoreçam a
resignificações de: papéis profissionais, atribuições de funções, reorganização
do espaço e tempo escolares entre outras questões de cunho administrativo, pedagógico e
financeiro, eles necessitam se aproximar das ações desenvolvidas na TV Escola e/ou
participar do curso "TV na Escola e os Desafios de Hoje" ampliando horizontes
quanto ao papel efetivo deste setor escolar no desenvolvimento organizacional como um
todo. Investindo na própria formação continuada, poderão vir a reconhecer na TV Escola
uma ferramenta de gestão que faz uso da imagem, movimento e som, na transmissão de
mensagens ou mesmo como ponto de partida para discussões a serem inseridas dentro do
contexto escolar com seus diferentes segmentos. Antunes (2001: 10)14 nos
propõe rever nossos paradigmas educacionais dizendo:
"Para exercitar sua autonomia a
escola precisa romper com a gestão educacional tradicional, para, a partir de um outro
olhar sobre a realidade, construir um novo padrão de política, planejamento e
gerenciamento das questões que envolvem a comunidade escolar. Mais do que manter a
casa em ordem, trata-se de uma nova maneira de pensar a escola, com a participação
dos diferentes segmentos e estabelecendo novas relações sociais, em contraposição às
relações autoritárias existentes".
Pautados na necessidade premente de
resignificar a estrutura e funcionamento escolar os gestores escolares devem assumir papel
fundamental na mediação de todo o trabalho a ser realizado. Da postura que assumirão
frente a essa demanda, da relação que ele estabelecerá com as NTIC e da relação que
ele estabelecerá com os diferentes profissionais, pais e alunos é que a comunidade
escolar poderá se perceber ou não como autônoma e protagonista do processo, construtora
da escola que pretendem para o futuro, embora saiba nem sempre estar segura do futuro. As
dificuldades sempre estarão presentes, mas soluções devem ser pensadas em conjunto para
que se possa romper com imagens desgastadas de escola alheia ao contexto social e a
utilização de comunicação unidirecional onde diferentemente de procurarmos trazer o
aluno para nossa linha de pensamento, sem interação e participação com ele,
concebendo-o como receptor passivo, possamos fazer uso de novos modelos de aprendizagem
que abram espaço para outras formas de obter informação por meio multisensorial possam
ser utilizadas.
Repensar e reconstruir o processo de
educar, acompanhar, formar a criança e/ou adolescente contribuirá para a revisão e
ampliação da concepção sobre a função social da escola bem como de sua
organização. Só assim podermos oferecer aos educandos espaços escolares mais ricos no
aprendizado, valorizando o uso da criatividade de todos os indivíduos envolvidos no
processo (pais, diretor, coordenadores pedagógicos, professores, funcionários em geral,
alunos, comunidade local).
Os gestores escolares serão o fundamento
básico para toda a revisão a ser realizada, propondo ações que favoreçam a
articulação de meios para mobilização da comunidade escolar e local na busca de
desconstruir e reconstruir a escola através de significações próprias. Neste aspecto
Sarmento (2001: 63) nos propõe que:
"... a humanidade não pode
limitar-se a aceitar os avanços positivos que as novas tecnologias proporcionam e tratar
suas conseqüências negativas como inevitáveis. Ela precisa estar atenta, prever
acontecimentos e ser conscientemente ativa. Mais que informação e conhecimento, o
que precisamos é aumentar nossa capacidade pessoal de entender as coisas, de aprender e
descobrir, de adaptar e inventar sob uma perspectiva crítica".
Para que as NTIC sejam utilizadas
adequadamente na escola, o professor deve conscientizar-se da importância de ter
desenvolvido em si competências como leitura, escrita, trabalho em equipe e gestão de
sua formação. É através da formação continuada que os atores da escola e não
somente os professores terão a oportunidade de desenvolver e aprimorar suas competências
e receber os subsídios necessários para aperfeiçoamento da prática profissional
diária seja pedagógica, administrativa, de apoio. Os gestores escolares devem favorecer
a promoção deste desenvolvimento humano, incentivando a organização de ações
conjuntas com vistas a estabelecer um projeto pedagógico que contemple as necessidades de
todos os segmentos escolares na construção de um processo qualitativo de ensino e
aprendizagem.
É também através do posicionamento que
os gestores assumem que existirá ou não a valorização dos profissionais, a
possibilidade de uma gestão participativa e compartilhada, descentralizando atividades,
obtendo a participação geral, construindo a autonomia escolar, com o uso da criatividade
diante de situações problemas a serem enfrentadas pelas instituições e a realização
de ações que toquem os interlocutores em relação a prática, atitudes e valores
efetivos que colaborarão para mudanças verdadeiras na qualidade do ensino.
A capacitação em serviço deverá
trazer aos envolvidos a possibilidade de mudanças organizacionais, o desenvolvimento de
competências, uma avaliação contínua e sistemática que favoreçam ampliações e
implementações de um projeto político pedagógico consistente, autônomo e que
possibilite as definições coletivas do cidadão que se deseja formar e das ações
necessárias para tal. Isso dependerá é evidente, do envolvimento das pessoas que dele
participam, mas também é nele que a formação continuada deverá estar assegurada, com
reuniões periódicas de estudo ao invés de ações isoladas e assistemáticas, a qual
possibilite a troca de experiências com enriquecimento mútuo e a compreensão de todos.
É exatamente aí que será assegurado inclusive o papel da TV Escola vista como
estratégia para a melhoria da qualidade de ensino através do uso de suas diferentes
programações, por exemplo, a escola aberta destinada a integração da comunidade
escolar, fortalecimento de vínculos para a participação da construção do projeto
político pedagógico e o trabalho diário dos gestores escolares.
A competência de trabalhar em equipe
empregando as NTIC como meio de formar cidadãos deverá ser utilizada não só para o
processo ensino-aprendizagem dos alunos, mas pode e deve servir ao aperfeiçoamento e
atualização dos atores escolares favorecendo a inclusão desses no patrimônio
científico-cultural, principalmente ao levarmos em conta a localização geográfica da
região norte em relação aos locais onde eventos dessa ordem são mais acessíveis e
freqüentes.
A educação para que possa atender seu
triplo papel: econômico, científico e cultural, apresentados pela Comissão
Internacional sobre Educação para o século XXI e incorporados na Lei de Diretrizes e
Bases (LDB) 9394/96 só será realidade quando houver a compreensão e prática
profissional pautada nos quatro alicerces propostos nos Parâmetros Curriculares Nacionais
(PCN) aprender a conhecer, aprender a fazer, aprender a viver e aprender a ser,
aspectos também considerados pela comissão supracitada. O aluno, nesse contexto, não
deverá ser encarado como mero expectador, mas como participante ativo, que questiona,
interage, modifica o conteúdo apresentado e necessitará de movimento não somente
físico e sim intelectual, emocional e de envolvimento social. O professor deverá dar a
si mesmo a oportunidade de poder compreender o seu meio social atuando sobre ele e
favorecendo o desenvolvimento da pessoa enquanto ser. Essa oportunidade está garantida na
LDB quando propõe a participação dos professores na elaboração do projeto político
pedagógico. A mesma oportunidade deve ser dada ao aluno o qual deverá exercer o
protagonismo juvenil através de atividades previstas em projetos interdisciplinares que
avancem além muros escolares, bem como ser participante ativo dentro da escola. Para
tanto, os conteúdos programáticos deverão ser utilizados como mediadores da aquisição
de habilidades, competências e autonomia no processo de crescimento cognitivo,
facilitando a adaptação social e emocional do aluno o qual deverá conhecer a
informação, mas também saber o que fazer com ela, onde encontrá-la, como transforma-la
e quando adapta-la.
Rever a postura frente ao novo, a
infra-estrutura tecnológica, a comunicação utilizada interna e externamente, a
articulação e parcerias interinstitucionais, a flexibilidade e atualização permanente
dos profissionais da escola são, portanto, aspectos prioritários a serem contemplados
teoricamente no projeto político pedagógico do estabelecimento de ensino, mas
principalmente a serem colocados em prática.
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da Rede Pública UniRede e Seed/MEC. Coordenação de Leda Maria Rangearo Fiorentini e
Vânia Lúcia Quintão Carneiro. 2. ed. Brasília: Editora Universidade de Brasília,
2001. vol I, II e III.
SIGNORELLI, Vinícius Ítalo. Escola e competência para
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