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ISSN 1678-8419                                                                                                                   Ano III n.35 julho de 2003

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::Nossa Língua::
Independente ou independentemente
por Maria Tereza de Queiroz
INDEPENDENTE ou INDEPENDENTEMENTE

Discussão que já deu panos pra manga: pode-se empregar independente como se fosse independentemente? Da mesma forma, é possível usar breve por brevemente? Paralelo por paralelamente? Primeiro, é preciso ver como falamos todos os dias:

• A senhora pode levar o pano que dá folgado.
• Saiu rápido.
• Caminhou tão lento...
Breve estarei aí com vocês.
• Falou bonito.
• Os motoristas que estacionarem em qualquer Zona Azul sem cartão serão multados direto.
• A mais cara tecnologia antienchente foi utilizada pela Teka, que resolveu investir pesado contra as intempéries.

As palavras grifadas são adjetivos que estão sendo usados como advérbios de modo.
Isso é normal em português. Na nota n.º 28 da Réplica, o então senador Rui Barbosa já defendia o uso de "independente" - que o gramático Dr. Ernesto Carneiro Ribeiro, em 1902, lhe havia aconselhado substituir por "independentemente" na redação do Projeto do Código Civil – "porquanto é muito da nossa língua evitar os largos advérbios em mente, substituindo-os pelos adjetivos adverbialmente empregados". E Rui dá exemplos extraídos de "Obras" de Filinto Elysio: "Fácil se vê. Comeu fino, bebeu largo. Direito se encaminha. Brando o atalha. Sem pranto um avarento raro acaba. Folgado dançariam nelas quatrocentas pessoas" e também do clássico "Nova Floresta" do Pe. Bernardes: "procedia mais discreto, portando-se impertinente, pouco nacional procede, quis portar-se fiel".

É preciso aceitar que há freqüentes casos, remanescentes do latim popular e do próprio latim clássico, em que o adjetivo – e não o advérbio - é utilizado para exprimir o modo, como por exemplo: não fale alto; pagou caro; vendeu barato; ande direito; a esperança que corre tão ligeiro.

Observe-se ainda que, quando é usado adverbialmente, o adjetivo fica sempre no gênero neutro, ou seja, no masculino. Sendo puramente adjetivo, aí, é claro, ele flexiona: saias caras, indivíduos altos, mão direita etc. Desta forma, cabe-nos a escolha entre um e outro modo de expressão nos seguintes casos:

1)Independentemente / independente de qualquer oferta, pedirei demissão.
2)A lição foi boa – aprendi fácil / facilmente.
3)Ela olhou diretamente / direto para mim.
4)Desceu solene / solenemente a rampa do Palácio.
5)Marina falou pausado / pausadamente.
6)Estás enxergando claro / claramente?


Já no caso de paralelo e diferente, recomendo o uso, no português escrito formal, apenas da variação em -mente quando eles introduzem um adjunto adverbial significando "de modo paralelo / diferente":

Paralelamente ao debate haverá uma exposição multimídia. [Embora também se fale ‘Paralelo a isso, haverá...’] Ou opte por escrever: Haverá exposição paralela ao debate.

Diferentemente dos seus avós, o ilhéu agora gosta de ser chamado de ‘mané’. [Apesar de podermos dizer ‘Diferente dos seus avós, o ilhéu agora ...’]
::educação::
O Curso "TV na Escola e os desafios de hoje":reflexões de uma professora cursista
por Alessandra Bertasi Nascimento
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Maria Tereza de Queiroz Piacentini, autora dos livros "Só Vírgula" e "Só Palavras Compostas", é diretora do Instituto Euclides da Cunha, www.linguabrasil.com.b

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