ISSN 1678-8419                                                                                          Ano III n.36 agosto de 2003

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ALERTA - Nacionalidade - Curiosidade - Solicitar (a/de)
Maria Tereza de Queiroz Piacentini

  "As coisas estão limpas, ordenadas.
O corpo gasto renova-se em espuma.
Todos os sentidos alerta funcionam."
 

Carlos Drummond de Andrade, em seu poema "Passagem do ano", empregou a palavra ‘alerta’ da forma clássica, isto é, deixando-a invariável. Embora se refira a sentidos, alerta não está no plural.

Por outro lado, vemos manchetes nos jornais: ‘Hospitais alertas’ e ‘Ressurge febre amarela - comunidades alertas’. Está errado fazer essa concordância? Não, de acordo com padrões mais modernos de linguagem. Houve uma evolução no emprego desse termo e alguns dicionários registram tal fato.

Na sua origem italiana, ‘alerta’ é interjeição (Alerta!) que passa a ser também advérbio em português (além de substantivo, o que não está em discussão). Portanto, como todo advérbio, é palavra invariável, ou seja, não tem singular nem plural, nem flexiona no feminino. Assim consta nos dicionários de Cândido Figueiredo (1949), Antenor Nascentes e Francisco Fernandes, e nas gramáticas de Evanildo Bechara e Luiz Antonio Sacconi. Estes autores não mencionam ‘alerta’ como adjetivo e exemplificam: Estejamos alerta / São pessoas alerta.

Já o VOLP (Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa), o Dicionário Aurélio, Laudelino Freire (1954), Napoleão Mendes de Almeida e outros registram as duas possibilidades: advérbio (‘em atitude de vigilância, de sobreaviso’; ‘atentamente’) e adjetivo (‘atento, vigilante’), quando então acompanha o substantivo em número: homens alertas, hospitais alertas. Havendo, pois, controvérsia, a matéria não deve de modo nenhum fazer parte de concursos e provas. Seu uso é pessoal e a escolha depende muitas vezes do contexto.


NACIONALIDADE: brasileiro ou brasileira

Diante de um formulário em que conste a nacionalidade, você escreve ‘brasileira’ porque nacionalidade é palavra feminina? Não por isso. Ali deve ser feito o registro de acordo com o sexo da pessoa - brasileiro ou brasileira -, como se a pergunta fosse: quanto à nacionalidade, o que você é? Resposta: eu, João, sou brasileiro; eu, Maria, sou brasileira. Não é dessa maneira que se faz o reconhecimento do estado civil? Sim, casado ou casada. Isto é: quanto ao estado civil, sou casado/casada, solteiro/solteira, viúvo/viúva.
O mesmo ocorre no registro da profissão: contador/contadora, funcionário público/funcionária pública, advogado/advogada e assim por diante.
E quanto ao sexo? Seria absurdo dizer: sou feminina, sou masculino, por isso se faz a concordância com o substantivo ‘sexo’: feminino ou masculino, só.


Pergunta o leitor M. S., de Campo Grande (MS):

• A palavra curiosidade pede qual preposição?

Há três possibilidades: de, em e por. Exemplos:

- Tenho curiosidade de saber quem ficou com o dinheiro do INSS.
- Temos curiosidade em todas as matérias.
- As crianças não tiveram curiosidade pelo final da história.


• Com o verbo solicitar se usa a preposição a ou de?
As duas:

- Solicitamos a V. Exa. todo o apoio à nossa causa.
- Solicitamos de V. Exa. o apoio necessário à comemoração dos 500 Anos.


• Está certo "Deus o abençoe" mas "Deus lhe pague"?

Correto.
Abençoar é verbo transitivo direto, por isso o pronome oblíquo usado é o.
Pagar, verbo transitivo direto e indireto, pede objeto indireto de pessoa, traduzido aqui pelo pronome lhe.

::educação::
Para um diagnóstico informal da dislexia
 Vicente Martins

Maria Tereza de Queiroz Piacentini, autora dos livros "Só Vírgula" e "Só Palavras Compostas", é diretora do Instituto Euclides da Cunha, www.linguabrasil.com.br

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