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I
Da janela olho em frente:
a vida. Há vida!
Imagino o espaço e as contradições
entre o sonho e a realidade.
Da janela vejo as pessoas
que em passos rápidos riscam
trapos no chão.
Quantos não fazem da arte seu instrumento de paixão!
Cruzam sonho e realidade...
A esperança no ar. Realidade? Penso,
reflito aflito.
Meio tonto e meio lúcido,
busco no olhar infinito certezas.
Mas, o mundo não é feito de
certezas.
II
Aquela vontade imensa de beber
e o mundo desabando
em tantas ilusões.
Cada dia mais silêncio
mais cabeças e homens que choram
Cada olhar assustado é um sinal.
Quantas bocas se calam
Iguais a minha boca?
III
Por que o homem foge?
Tanta vergonha de olhar para si mesmo.
Por que nega? Prega? Brega?
Como o homem é besta!
E eu continuo bebendo as últimas
noticias...
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