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Pré-julgamentos,
opiniões precipitadas, intolerância, ignorância,
ausência de conhecimento sobre determinado assunto,
enfim, são várias as definições que podemos dar de
preconceito. Nascido pela educação que recebemos, pelas
injunções de nossos pais, por um "modus vivendi"
da sociedade, e assim, tantas outras justificativas.
Mas
afinal, o que pode o preconceito gerar em nós?
A
proposta deste artigo não é levantar uma bandeira contra
o preconceito, pura e simplesmente e carregar o texto de
afirmações preconceituosas, o que seria uma grande
incoerência, mas refletirmos sobre nossos comportamentos
e conseqüências deste modo de agir que,
indubitavelmente, é uma chaga da humanidade e que tem, ao
longo do tempo, causado inúmeros conflitos e mortes.
Por que
aceitamos como verdade estes estereótipos que passam de
geração em geração, sem questionamentos? Não será a
hora de colocarmos um parêntesis em nossas vidas, para
abrirmos espaço a novas discussões e confrontar antigos
princípios e valores arraigados em nosso coração?
Acredito que o ponto inicial é olharmos para nós mesmos
e enxergarmos as mais íntimas dobraduras da nossa alma e,
quem sabe, perceber o quanto de pureza se faz necessário.
Será que
não estamos confortavelmente acostumados a obedecer sem
argüir? Acredito que sim, até pelo fato, que muitos
cresceram sem fazer as perguntas necessárias, de tanto
que ouviram dos adultos a frase: "Para menino (a) de
fazer pergunta!". E então crescemos acreditando e
adotando como verdade tudo o que ouvíamos e víamos.
Mas o que
leva um adulto a não questionar, duvidar, colocar à
prova, contestar estas fórmulas prontas e rótulos que
impregnam como tatuagem? Será que são os nossos medos? O
medo de mudar de opinião e ser censurado por outros
intransigentes, incapazes de compreender a mudança de
idéias?
Feliz
aquele que tem a coragem de mudar de ponto de vista quando
reconhece que seu pensamento era injusto e sem
justificativa plausível que o amparasse como legítimo e
verdadeiro.
Será que
rejeitar o novo e o desconhecido não é se privar da
companhia agradável e edificante de quem não conhecemos
e que certamente nos tem muito a oferecer? Ou será que
estamos sendo hipócritas e escondendo nossos preconceitos
em nome de atitudes politicamente corretas? Infelizmente
não há quem nunca tenha sido preconceituoso; no entanto,
o cuidado está em não fazer deste comportamento um
caminho de ofensa, humilhação, exclusão e destruição.
Segundo
pesquisas da ONU (Organizações das Nações Unidas), o
maior obstáculo no combate à AIDS é o preconceito, e
com isso, milhões de pessoas morrem no mundo porque são
isoladas do convívio humano, do carinho e do amor; tal
como acontece com as portadoras da Síndrome de Down, que
também vivem marginalizadas.
Até
quando vamos permitir que nossas convicções teimosas,
injustas e desumanas provoquem fome, ódio, miséria,
inveja e egoísmo? Exagero? Não! Basta ouvir o que tem a
dizer os negros, judeus, homossexuais, nordestinos,
índios e tantas outras minorias subjugadas.
Os negros
são amparados pela Constituição, e mesmo sendo crime
qualquer ato racial, ainda vemos o quanto se comete de
injustiças numa sociedade mal informada e cínica que os
afasta das mais significativas oportunidades do mercado de
trabalho. E quando ocupam um cargo diferenciado a mídia
explora o fato como sendo algo anormal. Até quando?
E o que
dizer dos homossexuais, que mesmo com tantos debates,
novelas e movimentos que acontecem no mundo inteiro, ainda
são obrigados a viver à margem da sociedade,
"disfarçados" para garantir um lugar no
emprego, na família e nas amizades? E enquanto leis mais
rígidas não são promulgadas, estes morrem assassinados.
Talvez
fosse preciso mais campanhas educativas para que a
autoconsciência humana pudesse ser despertada, visando
todo tipo de preconceito (étnico, sexual,
sócio-econômico, etc.), levando as pessoas a refletirem
sobre suas atitudes moralmente agressivas, danosas,
dissimuladas e com insinuações que passam
"despercebidas" no ambiente de trabalho, na
escola, na família, na fila do banco, na propaganda...
com uma permissividade assustadora.
Uma
educação que mostrasse que somos todos iguais!
Parece
utópico que o combate às desigualdades, a formação de
uma sociedade capaz de livrar-se do preconceito, mais
justa e humana, sem os "apartheids" velados, as
declarações sutis e perversas, onde todos possuam
igualdade de condições e direitos, venha um dia
acontecer. É fundamental o respeito às escolhas
individuais e a todo tipo de diferenças que convivemos, e
cabe a cada um fazer a sua parte e contribuir para um
mundo sem divisões.
Esperamos
que a Era da Informação e do Conhecimento incite em nós
profundas e expressivas transformações, que nos faça
ver além do visível e que nos esclareça aquilo que
julgamos conhecer. E que possamos lançar para bem longe
as rotulações implícitas e explícitas e que nos
impedem de perceber o melhor de cada pessoa: seus desejos,
receios e sua vontade de amar e ser amada.
E
finalmente, destituirmos por completo a célebre frase de
Einstein: "Época triste a nossa, em que é mais
difícil quebrar um preconceito do que um átomo".
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