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Sou
autora de um projeto de lei (PL nº11/2003) que proíbe a
veiculação de peças publicitárias em qualquer meio de
comunicação, que utilizem imagens sensuais ou pornográficas
como atrativo. Embora tenha sido apresentado há menos de
um mês, o projeto vem recebendo grande atenção da mídia
e tem provocado muita polêmica. Tenho recebido mensagens
e manifestações. A favor e contra a proposição.
A
televisão brasileira é alvo de críticas a respeito do
conteúdo veiculado em sua programação, condenando-se,
sobretudo, a exagerada exposição da sexualidade, em
geral com uma dramatização que não corresponde à
realidade, criando-se uma falsa expectativa e influência
nas crianças e jovens. Grande parte tem ocorrido nas
inserções publicitárias, não somente na TV como também
em revistas, jornais, rádios, internet etc. O uso das
imagens sensuais e de marcado conteúdo eróticas nos
comerciais de TV e de outros meios de comunicação,
estimula o consumo compulsivo e irracional. A publicidade,
neste contexto, perde por completo a sua função de
informar e construir a imagem do produto, passando a
servir apenas de mecanismo para impor uma ânsia de
consumo.
As
implicações desta postura são de extrema gravidade,
sobretudo na TV, cujo público é formado por parcela
significativa de crianças e adolescentes em todos os horários.
Eticamente não se pode admitir que, em nome da liberdade
de expressão, um veículo invasivo como é a televisão,
apresente tais conteúdos a pessoas ainda em formação,
sem as estruturas adequadas para que possam analisar o
conteúdo fantasioso que é veiculado e racionalizar a
mensagem recebida.
As
imagens sensuais e eróticas exibidas na publicidade são
baseadas, via de regra, na exploração do corpo da
mulher. Esta exploração, além de provocar falsas
expectativas em crianças e adolescentes, está mudando
radicalmente o comportamento de uma geração. Crianças
com a mais tenra idade já adotam posturas erotizadas,
principalmente as meninas. As roupas preferidas destas
crianças são perfeitas miniaturas das peças da moda
feminina adulta, repleta de transparências, brilhos,
decotes etc, que não traduz em si a ingenuidade das crianças.
E quem é mãe sabe, como é impossível, fazer estas
crianças vestirem outra roupa.
A
massificação da imagem da mulher "bonita e
sensual" na mídia, não afeta apenas as crianças em
formação, mas está abalando também a auto-estima das
brasileiras adultas. O Brasil é campeão mundial em
cirurgias plásticas e em tratamentos estéticos. Milhões
de reais são movimentados por conta da indústria da
beleza. Esta expectativa do "corpo perfeito" e
diga-se de passagem, inatingível, traz insatisfações,
angústias, problemas emocionais e psíquicos nas
brasileiras. Pesquisa realizada pela Fundação Perseu
Abramo sobre as "Mulheres Brasileiras, nos Espaços Públicos
e Privados", constatou que 77% das entrevistas
consideram ruim a exposição do corpo da mulher na TV e
56% consideram que isto é ruim porque esta exposição dá
muita importância somente ao corpo, desvalorizando as
mulheres como ser humano.
O
abuso de mulheres em trajes mínimos em comerciais de
cerveja é um exemplo da vulgarização da mulher na mídia.
O que tem a ver uma cerveja com uma mulher sem ou com
pouca roupa? Os publicitários não informam a qualidade
de seu produto, apenas usam a imagem da mulher para vendê-lo.
Deve ser mesmo bem mais fácil, pela falta de imaginação
e de competência para se realizar uma peça publicitária
mais elaborada.
Não
é de hoje que a sociedade está indignada com baixarias
nos meios de comunicação, especialmente na TV aberta.
Contudo, a quem reclamar? No tocante às relações de gênero,
continuamos tendo a invasão de músicas que desrespeitam
a mulher ao dizer que tapa não dói, que mulher gosta de
levar tapa na cara ou que legal são as
"cachorras". A forma de se coibir essa prática
é através de uma ação eficaz do Conselho de Comunicação
Social, que poderá intervir nas demais questões da área,
como as inovações tecnológicas, o monopólio das
grandes redes, enfim, sobre todo o universo da radiodifusão
e seu impacto nas relações sociais e na política.
Gosto
da polêmica provocada pelo meu projeto de lei. Tenho
convicção de que esta propositura já está prestando um
grande serviço à sociedade, que é o de provocar a
reflexão e uma maior conscientização na sociedade, nas
agências de publicidade e nos meios de comunicação. Uma
última indagação: será mesmo necessário a veiculação
de tantas imagens eróticas distorcidas em que a mulher é
o objeto que vende mais que o próprio produto anunciado?
É necessário rever os valores de nossa sociedade e,
principalmente, a formação de nosso jovens, tão vulneráveis
a estas mensagens apelativas.
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