|
|
| ::Nossa Língua:: |
Verbos
em ISAR e IZAR
por Maria Tereza de Queiroz Piacentini |
|
|
Não se perde por escrever corretamente. Mas os
dicionários nem sempre estão à mão para dirimir
dúvidas. Na hora do sufoco, tem-se de partir para uma
solução de cabeça. E aí, quando o problema é decidir
entre o s ou z dos verbos da 1ª conjugação terminados
em isar ou izar, pode ser útil este
lembrete: a diferença está na palavra de que eles
derivam.
Primeiramente, os verbos em ‘isar’ são derivados de
nomes (radicais) terminados em -is [com respectivos
sufixos ou desinências, conforme o caso]. Aqui ‘ar’
não é sufixo: é sim a terminação verbal da 1ª
conjugação, que agregada a um radical terminado em -is
forma os ‘verbos em isar’ de que estamos
tratando. Para exemplificar: agregando-se ‘ar’ ao
substantivo anis tem-se o verbo ANISAR; a íris,
IRISAR e assim por diante. Para distinguir esses verbos
daqueles escritos com z (de izar), pode-se
fazer sua associação com o substantivo aparentado. Se o
nome é grafado com is, o verbo também o será:
alisar / liso
analisar / análise
avisar / aviso
bisar / bis
divisar / divisão
frisar / friso, frisa
guisar / guisado
paralisar / paralisia
pesquisar / pesquisa
pisar / piso
precisar / precisão, preciso
visar / visão
Porém escreve-se DESLIZAR porque este verbo vem de deslize.
Os verbos terminados em izar, por sua vez,
formam-se de nomes (adjetivos, principalmente) aos quais
se agrega o sufixo izar, que significa ‘tornar,
transformar em’. Assim sendo, de visual + izar
formamos VISUALIZAR; de neutro, NEUTRALIZAR; de tranqüilo,
TRANQÜILIZAR; de harmonia, HARMONIZAR.
Nessa passagem são feitas adaptações gráficas
[acréscimo, eliminação ou mudança de letras] exigidas
pela gramática, com as quais normalmente já estamos
familiarizados. Para exemplificar: robô ->
ROBOTIZAR; simpático -> SIMPATIZAR; permeável
-> PERMEABILIZAR; ênfase -> ENFATIZAR; padrão
-> PADRONIZAR; catequese -> CATEQUIZAR.
Exemplos diversos:
formal - Formalizamos o acordo.
oficial - O noivado será oficializado no domingo.
álcool - Pessoas alcoolizadas estragaram a festa.
canal - Todos os recursos foram canalizados para
essa obra.
local - Precisamos localizar os documentos.
urbano - Urbanizar a periferia é sua promessa.
estéril - O médico mandou esterilizar os
instrumentos.
poético - Quero poetizar minhas horas.
industrial - Eles industrializam tubos e conexões.
UM SUPER-HOMEM
Saber de cor o uso do hífen com os prefixos e radicais
não é tarefa fácil (daí eu ter lançado, em
setembro/2000, o livro "Só Palavras Compostas –
manual de consulta e auto-aprendizagem").
Sendo o prefixo super um dos mais usados pela
população, penso que no caso dele vale a pena memorizar
as duas situações em que o hífen é de regra. Para
isso, digo aos meus alunos: "Sempre quis me casar com
um tipo super-rico, super-honesto, superinteligente e
superlindo." Claro que a reação não pode ser
diferente: "Você está falando de um super-homem!
Isso não existe!" Mas a brincadeira facilita lembrar
que com ‘super’ o hífen é usado apenas diante de
substantivo ou adjetivo que começa com r ou com h.
Nem mesmo diante de palavra iniciada por vogal ou s
o hífen é necessário – a ligação aí é direta.
Escreva, portanto: revista superinteressante,
pessoa superdinâmica, trabalho superdidático,
ar supersaturado, avião supersônico. E
admita que você é um superpai, uma supermãe,
um filho superamado, uma avó superlegal!
|
|
 |
| ::educação:: |
Por
um ensino não-discriminatório
por Sandra Kezen |
|
|
 |
|

|
|
Maria
Tereza de Queiroz Piacentini,
autora dos livros "Só Vírgula" e "Só
Palavras Compostas", é diretora do Instituto Euclides da
Cunha, www.linguabrasil.com.br |
institucional |

|
|
|