De repente da
calma fez-se o vento /Que dos olhos desfez a última chama /E da paixão fez-se o
pressentimento / E do momento imóvel fez-se o drama.(Soneto da separação, Tom Jobim
e Vinícius de Morares).
Diante do altar ou em qualquer outro lugar que se estabeleça uma união entre duas
pessoas que se amam, há as eternas juras de amor e o devaneio de uma família perfeita.
Prometemos um ao outro o amor incondicional, o amor sem fim, e com o passar dos tempos
vamos estabelecendo novas regras, diferentes daquelas juradas um dia.
Regras não acertadas geralmente terminam na tão temível separação. Os motivos que
levam um casal a se separar são muitos, podemos citar uma infinidade deles, sabemos,
também, que muitas separações acontecem por rompantes e uma vez que a decisão foi
tomada, embora exista o amor, há uma resistência em voltar atrás. Desta forma vamos
refletir sobre os "porquês" que fazem casais que ainda se amam teimarem em não
viverem novamente o amor que um dia juraram um ao outro.
E aqui, novamente, vemos mais uma grande porção de motivos, no entanto, podemos
assegurar que todos estes motivos começam e terminam no orgulho.
O dicionário nos diz que orgulho é o sentimento de dignidade pessoal, na verdade o
orgulho é a nossa incapacidade de diálogo e perdão.
Obviamente que estamos falando de casais que se amam, de casais que por algum motivo
estejam separados, que tiveram uma separação causada por uma circunstância não
prevista, mas passível de retorno.
Assim sendo por que evitar a aproximação, o diálogo, o perdão?
A vida é muito curta, o tempo passa depressa e as oportunidades de demonstrar nossos
sentimentos não podem ser perdidas. Devemos dizer que amamos enquanto há tempo, para
não sofrermos mais depois, mesmo que tenhamos que usar nossa capacidade de relevar os
acontecimentos passados.
Por que manter o orgulho e perder, definitivamente, o amor?
Alguém disse que o amor e o ódio andam juntos. E quem disse que o ódio é bom? Quem
disse que o ódio é uma boa companhia para o amor? Quantas vezes vemos pessoas
ressentidas, mas que mantém acesa a chama do amor e comete atos violentos ou diz frases
carregadas de rancor? Não podemos permitir que este sentimento ruim possa conduzir nossas
vidas. Sem entrar nos méritos da saúde e nos malefícios que o ódio produz em nós,
pergunto: Pode alguém ser feliz sobrepondo o ódio ao amor?
Muitas vezes vemos pessoas dizerem que não sentem ódio, no entanto, não querem se
reconciliar, ora, se não é ódio é amor e se é amor precisa ser vivido.
Precisamos nos destituir completamente dos nossos apegos, das nossas limitações e de
tudo que nos impede de sermos felizes.
Toda separação tem seus custos, alguns altos demais. Para aqueles que se amam e que
estão separados por uma teimosia tola é bom refletirem se vale à pena pagar preço tão
alto por pura falta de diálogo e compreensão. Ou quem sabe vaidade enrustida.
Muitas vezes não cedemos porque tendemos a ver a culpa no outro, porém, uma relação
é construída a dois e é raro que o fim chegue unilateralmente, somos co-responsáveis
pela união, por todo o processo vivido na companhia do outro; mas somos os únicos
responsáveis pelo caminho tomado depois.
Então que possam sentar e conversar, ceder, relevar, ouvir e perdoar; e assim poderem
abraçar novamente seus filhos como um todo, que não contenham as lágrimas da alegria de
voltar, que se permitam amar de novo e reconstruir uma nova vida.
O verdadeiro amor é paciente, é bom, não tem inveja, não é orgulhoso, Não se
vangloria e não se envaidece. O amor não procura seus próprios interesses, não se
irrita, não guarda rancor, não se alegra com a injustiça... Suporta todas as coisas,
crê em todas as coisas, espera por todas as coisas, resiste a todas as coisas, tudo
desculpa. As profecias falharão, as línguas se calarão, a ciência desaparecerá. Mas o
amor jamais há de falhar. (2)
Busque e viva o amor enquanto ele se deixa encontrar. O amor, o verdadeiro amor, mesmo
que escondido nas profundezas da alma, este amor é sem fim.