ISSN 1678-8419                                                                                                                   Ano III n.38 outubro de 2003

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Amor sem fim
por Madalena Carvalho
Alguém disse que o amor e o ódio andam juntos. E quem disse que o ódio é bom? Quem disse que o ódio é uma boa companhia para o amor?

De repente da calma fez-se o vento /Que dos olhos desfez a última chama /E da paixão fez-se o pressentimento / E do momento imóvel fez-se o drama.(Soneto da separação, Tom Jobim e Vinícius de Morares).

Diante do altar ou em qualquer outro lugar que se estabeleça uma união entre duas pessoas que se amam, há as eternas juras de amor e o devaneio de uma família perfeita.

Prometemos um ao outro o amor incondicional, o amor sem fim, e com o passar dos tempos vamos estabelecendo novas regras, diferentes daquelas juradas um dia.

Regras não acertadas geralmente terminam na tão temível separação. Os motivos que levam um casal a se separar são muitos, podemos citar uma infinidade deles, sabemos, também, que muitas separações acontecem por rompantes e uma vez que a decisão foi tomada, embora exista o amor, há uma resistência em voltar atrás. Desta forma vamos refletir sobre os "porquês" que fazem casais que ainda se amam teimarem em não viverem novamente o amor que um dia juraram um ao outro.

E aqui, novamente, vemos mais uma grande porção de motivos, no entanto, podemos assegurar que todos estes motivos começam e terminam no orgulho.

O dicionário nos diz que orgulho é o sentimento de dignidade pessoal, na verdade o orgulho é a nossa incapacidade de diálogo e perdão.

Obviamente que estamos falando de casais que se amam, de casais que por algum motivo estejam separados, que tiveram uma separação causada por uma circunstância não prevista, mas passível de retorno.

Assim sendo por que evitar a aproximação, o diálogo, o perdão?

A vida é muito curta, o tempo passa depressa e as oportunidades de demonstrar nossos sentimentos não podem ser perdidas. Devemos dizer que amamos enquanto há tempo, para não sofrermos mais depois, mesmo que tenhamos que usar nossa capacidade de relevar os acontecimentos passados.

Por que manter o orgulho e perder, definitivamente, o amor?

Alguém disse que o amor e o ódio andam juntos. E quem disse que o ódio é bom? Quem disse que o ódio é uma boa companhia para o amor? Quantas vezes vemos pessoas ressentidas, mas que mantém acesa a chama do amor e comete atos violentos ou diz frases carregadas de rancor? Não podemos permitir que este sentimento ruim possa conduzir nossas vidas. Sem entrar nos méritos da saúde e nos malefícios que o ódio produz em nós, pergunto: Pode alguém ser feliz sobrepondo o ódio ao amor?

Muitas vezes vemos pessoas dizerem que não sentem ódio, no entanto, não querem se reconciliar, ora, se não é ódio é amor e se é amor precisa ser vivido.

Precisamos nos destituir completamente dos nossos apegos, das nossas limitações e de tudo que nos impede de sermos felizes.

Toda separação tem seus custos, alguns altos demais. Para aqueles que se amam e que estão separados por uma teimosia tola é bom refletirem se vale à pena pagar preço tão alto por pura falta de diálogo e compreensão. Ou quem sabe vaidade enrustida.

Muitas vezes não cedemos porque tendemos a ver a culpa no outro, porém, uma relação é construída a dois e é raro que o fim chegue unilateralmente, somos co-responsáveis pela união, por todo o processo vivido na companhia do outro; mas somos os únicos responsáveis pelo caminho tomado depois.

Então que possam sentar e conversar, ceder, relevar, ouvir e perdoar; e assim poderem abraçar novamente seus filhos como um todo, que não contenham as lágrimas da alegria de voltar, que se permitam amar de novo e reconstruir uma nova vida.

O verdadeiro amor é paciente, é bom, não tem inveja, não é orgulhoso, Não se vangloria e não se envaidece. O amor não procura seus próprios interesses, não se irrita, não guarda rancor, não se alegra com a injustiça... Suporta todas as coisas, crê em todas as coisas, espera por todas as coisas, resiste a todas as coisas, tudo desculpa. As profecias falharão, as línguas se calarão, a ciência desaparecerá. Mas o amor jamais há de falhar. (2)

Busque e viva o amor enquanto ele se deixa encontrar. O amor, o verdadeiro amor, mesmo que escondido nas profundezas da alma, este amor é sem fim.  

1.Toda tolice tem um fundo de vaidade
2.Texto extraído e ligeiramente adaptado da Primeira carta de São Paulo aos Coríntios
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RAZÃO OU EMOÇÃO ?
Uma reflexão sobre os sistemas educacionais ocidental e oriental

 
por Sandra Kezen
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Madalena Carvalho é Consultora Organizacional, atuando em projetos de desenvolvimento e gestão de pessoas.  Carreira executiva em empresas nacionais e multinacionais, destacando-se a Ford Brasil, onde exerceu suas atividades por 10 anos.  Palestrante e conferencista em temas como Formação de Lideres, Motivação, Gestão Estratégica, Mudança Organizacional, Trabalho em Equipe, entre outros.  Articulista em jornais e revistas eletrônicos.  Consultora do portal Businesscom.  Formada em Administração de Empresas (87) e Pós Graduada em Recursos Humanos, (89) pela ESAN Escola Superior de Administração de Negócios - São Paulo.  Diretora da Carvalho & Lima Consultores Associados.

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