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Conforme
estudo realizado, o Mercoeste (2002) registra que o café,
o mais tradicional item na pauta das exportações
brasileiras, caiu de uma participação de 70% na década
de 20, para 50%, em 1960, e hoje representa menos de 6% no
total do valor das exportações. Contudo, a participação
brasileira no mercado de café mundial mantém um volume
exportável de cerca de 30% do total consumido no mundo.
O
mesmo estudo cita que com a extinção do IBC - Instituto
Brasileiro do Café, as fortes geadas de 1994 levaram a
uma redução significativa do parque cafeeiro que, de 4,1
bilhões de árvores em 1989/90, passou para 3,1 bilhões
na safra 1996/97, das quais 2,1 bilhões produtivas,
enquanto existiam 15,8 bilhões de pés de café no mundo.
Assim
como o mercado agrícola, segundo Mesquita et al. (2000),
está sujeito a grandes variações de preços dos
produtos, sendo essa uma das suas características
principais, o café, um dos principais produtos do setor
primário apresenta características acentuadas de variações
nos preços, as quais levam intranqüilidade ao mercado,
principalmente considerando-se que tais variações têm
sido bem mais elevadas do que as que ocorrem na oferta e
demanda mundiais.
Para
o referido autor, as variações nos preços têm sido
mais acentuadas que as variações na produção e
consumo, pois as maiores elevações dos preços ocorreram
após adversidades climáticas de grandes proporções no
Brasil, como a geada de 1975, a geada e prolongada
estiagem de 1985 e a geada de 1994.
Assim,
os preços são determinados livremente pelo equilíbrio
entre a oferta e demanda, se o mercado for competitivo, e
que os compradores poderão ter condições de estabelecer
preços, se o mercado de fatores apresentar algum tipo de
imperfeição. Em se tratando do mercado de café, a
oferta é feita por um grande número de produtores, ao
passo que existe uma certa concentração no lado da
demanda, caracterizando assim, uma estrutura de mercado
oligopsônica.
Matiello
(1998) também afirma que a cafeicultura conillon (café
robusta) é explorada por um grande número de pequenos
produtores; a venda é feita num curto período após a
colheita, com o produtor quase não estocando o produto.
Os maquinistas, pequenas firmas e representantes
exportadores adquirem a maior parte do café dos
produtores, com sua participação variando conforme as
regiões produtoras. A venda direta a torrefações ou indústrias
é pequena, porém crescente nos últimos anos, o que
aproxima a indústria do produtor.
Nas
empresas do ramo, quando o café não é beneficiado,
passa por um processo de rebeneficio, separando padrões
para o uso desejado pelos
principais mercados (indústrias e exportação),
conquistando um diferencial de preço.
A
argumentação de Bertone (2001) é a de que o mercado,
dominado pelo excesso de oferta, deveria estar assistindo
à diminuição dos preços ao consumidor e melhoria da
qualidade do produto ofertado, com conseqüente aumento do
consumo. No entanto, segundo ele, o que se viu foi a
manutenção dos preços ao consumidor dos países
desenvolvidos que,
portanto, não se aproveitam da queda dos preços; uma
grande piora na qualidade e a conseqüente queda no
consumo mundial, o que agrava o problema.
Países
consumidores começam a notar a necessidade de se ter atenção
com a segurança alimentar e a querer o estabelecimento de
padrões de qualidade para importação do café. A própria
indústria que, sem legislação que a obrigue melhorar,
é compelida a baixar a qualidade para melhorar a
competitividade, começa a apoiar esse tipo de ação.
No
lado do produtor, observa-se, segundo pesquisas, o
surgimento de um novo produto exigido pelo mercado e que
poderá vir a ser alternativa para diminuir custos do
café orgânico, preferido por uma seleta parcela
da população consumidora mundial, principalmente de países
desenvolvidos.
No
caso da cafeicultura brasileira, Bacha (1998) afirma que
ela apresenta três tipos de comportamento cíclico dos
preços e/ou produção: o plurianual, o bienal e o
intra-anual.
.....
Continua--
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