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ISSN 1678-8419                                                                                                                   Ano III n.38 outubro de 2003

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::Reflexão::

Cafeicultura brasileira: questões em debate
Agenor Luiz Delazari

 
 

RESUMO: O presente trabalho se insere no âmbito do debate sobre a sustentabilidade da agricultura, tendo como foco o café na poliatividade como estratégia de suporte social e econômico.
 

                   Conforme estudo realizado, o Mercoeste (2002) registra que o café, o mais tradicional item na pauta das exportações brasileiras, caiu de uma participação de 70% na década de 20, para 50%, em 1960, e hoje representa menos de 6% no total do valor das exportações. Contudo, a participação brasileira no mercado de café mundial mantém um volume exportável de cerca de 30% do total consumido no mundo.

O mesmo estudo cita que com a extinção do IBC - Instituto Brasileiro do Café, as fortes geadas de 1994 levaram a uma redução significativa do parque cafeeiro que, de 4,1 bilhões de árvores em 1989/90, passou para 3,1 bilhões na safra 1996/97, das quais 2,1 bilhões produtivas, enquanto existiam 15,8 bilhões de pés de café no mundo.

Assim como o mercado agrícola, segundo Mesquita et al. (2000), está sujeito a grandes variações de preços dos produtos, sendo essa uma das suas características principais, o café, um dos principais produtos do setor primário apresenta características acentuadas de variações nos preços, as quais levam intranqüilidade ao mercado, principalmente considerando-se que tais variações têm sido bem mais elevadas do que as que ocorrem na oferta e demanda mundiais.

Para o referido autor, as variações nos preços têm sido mais acentuadas que as variações na produção e consumo, pois as maiores elevações dos preços ocorreram após adversidades climáticas de grandes proporções no Brasil, como a geada de 1975, a geada e prolongada estiagem de 1985 e a geada de 1994.

Assim, os preços são determinados livremente pelo equilíbrio entre a oferta e demanda, se o mercado for competitivo, e que os compradores poderão ter condições de estabelecer preços, se o mercado de fatores apresentar algum tipo de imperfeição. Em se tratando do mercado de café, a oferta é feita por um grande número de produtores, ao passo que existe uma certa concentração no lado da demanda, caracterizando assim, uma estrutura de mercado oligopsônica.

Matiello (1998) também afirma que a cafeicultura conillon (café robusta) é explorada por um grande número de pequenos produtores; a venda é feita num curto período após a colheita, com o produtor quase não estocando o produto. Os maquinistas, pequenas firmas e representantes exportadores adquirem a maior parte do café dos produtores, com sua participação variando conforme as regiões produtoras. A venda direta a torrefações ou indústrias é pequena, porém crescente nos últimos anos, o que aproxima a indústria do produtor.

Nas empresas do ramo, quando o café não é beneficiado, passa por um processo de rebeneficio, separando padrões para o uso desejado pelos  principais mercados (indústrias e exportação), conquistando um diferencial de preço.

A argumentação de Bertone (2001) é a de que o mercado, dominado pelo excesso de oferta, deveria estar assistindo à diminuição dos preços ao consumidor e melhoria da qualidade do produto ofertado, com conseqüente aumento do consumo. No entanto, segundo ele, o que se viu foi a manutenção dos preços ao consumidor dos países desenvolvidos  que, portanto, não se aproveitam da queda dos preços; uma grande piora na qualidade e a conseqüente queda no consumo mundial, o que agrava o problema.

Países consumidores começam a notar a necessidade de se ter atenção com a segurança alimentar e a querer o estabelecimento de padrões de qualidade para importação do café. A própria indústria que, sem legislação que a obrigue melhorar, é compelida a baixar a qualidade para melhorar a competitividade, começa a apoiar esse tipo de ação.

No lado do produtor, observa-se, segundo pesquisas, o surgimento de um novo produto exigido pelo mercado e que poderá vir a ser alternativa para diminuir custos do  café orgânico, preferido por uma seleta parcela da população consumidora mundial, principalmente de países desenvolvidos.

No caso da cafeicultura brasileira, Bacha (1998) afirma que ela apresenta três tipos de comportamento cíclico dos preços e/ou produção: o plurianual, o bienal e o intra-anual.     ..... Continua-- Clique aqui e leia o artigo na íntegra

::educação::
 
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AGENOR LUIZ DELAZARI, Economista, Professor Universitário, Mestre em Engenharia de Produção pela UFSC – Universidade Federal de Santa Catarina, Especialista em Economia e Administração Rural pela UEL – Universidade Estadual de Londrina e em Contabilidade e Controladoria pela UNIR – Universidade Federal de Rondônia. e-mail: agenor@unescnet.br

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