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ISSN 1678-8419                                                                                                                   Ano III n.39 novembro de 2003

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Da crise ao Verde paulistano
por Gilberto da Silva
 

Desenvolvimento

A política ambiental tem sido o nó do governo de Lula. Não é fácil acomodar um sentimento desenvolvimentista, de modernidade, de empreendedorismo sem esquecer as questões ambientais.
Lula e o PT querem o desenvolvimento. Tudo bem. Todos queremos. Do pobre de Guaribas ao mais abastado morador de Alphaville, o sentimento de prosperidade é o ânimo novo que a eleição do ex-metalúrgico trouxe para os brasileiros.

 

Mudança
É bom que o governo mude e reveja suas posições na condução da política ambiental. Antes cedo, do que nunca (porque tarde será tarde demais). No momento os ambientalistas são organizados e com forte presença na sociedade civil. Marina Silva – herdeira política de Chico Mendes - não é Benedita. Marina tem sofrido derrotas, mas segundo algumas ONGs “ruim com ela, pior sem ela”. Não chego a este exagero. Mas não é bom vacilar.
A opinião pública internacional está de olho. Nossa reputação pode ir para o brejo.

Esquerda
A esquerda brasileira sempre teve dificuldade em tratar da questão ambiental, assim como as questões de raça, gênero e cultura. A atual crise verde é puro reflexo desta história. A agenda ambiental sempre foi relegada, deixada para terceiro plano. Olhem os orçamentos públicos para o setor.

As ONGs
Em carta aberta ao Executivo, os maiores grupos ambientalistas do Brasil criticaram o governo e pediram uma espécie de pacote de medidas emergenciais para o setor. Manifestaram inconformismo em relação às decisões que colocam em risco a sustentabilidade do país (liberação dos transgênicos, da importação de pneus usados, retomada da construção da usina de Angra 3).

As ONGs solicitam que seja adotada uma pauta emergencial, que inclua medidas capazes de reverter decisões de grande impacto ambiental e garantir o fortalecimento do Ministério do Meio Ambiente. Procuram preservar a ministra Marina Silva.

10 anos verdes
A Secretaria Municipal do Verde e do Meio Ambiente (SVMA) completou 10 anos no dia 18de outubro.
Destaco entre seus inúmeros feitos, a implantação da primeira Área de Proteção Ambiental (APA) do município – a Capivari-Monos. A região, que representa 1/6 da área total de São Paulo, registra 165 espécies diferentes de vertebrados, sendo que oito delas estão ameaçadas de extinção. A cobertura vegetal arbórea de Mata Atlântica é bastante significativa. É uma região que precisa de apoio e incentivo principalmente pelo seu potencial para o ecoturismo.
A APA possui cachoeiras e rios de água cristalina, além de três reservas indígenas Guarani.
A SVMA terminou recentemente o zoneamento geoambiental da APA, estabelecendo a ordenação territorial da área e desenvolvendo ações de educação ambiental junto às comunidades indígenas e à população local. Um trabalho bonito e feito com dedicação pelos técnicos da secretaria.


Agenda 21

Outro ponto que merece destaque é a coordenação e formulação por parte da SVMA da Agenda 21 do Município de São Paulo em agosto de 1996. O documento é resultado do trabalho de um grupo de técnicos da Prefeitura de São Paulo, com a colaboração de instituições de outras esferas de governo e da sociedade civil. Em linhas gerais o documento busca orientar o poder municipal para combinar desenvolvimento econômico, proteção ao meio ambiente e justiça social. (olha aí, Brasília...)
Diversas ações para efetivar a Agenda 21 de São Paulo vêm sendo realizadas pela SVMA. O objetivo maior é incentivar a participação dos paulistanos nas questões ambientais.
É um documento base para todos que querem e precisam entender a questão ambiental paulistana. Os funcionários e técnicos da SVMA estão de parabéns.

 

Gilberto da Silva
gilberto@partes.com.br

 
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Gilberto da Silva é jornalista, sociólogo e professor universitário. 
É editor da Revista Partes.
gilberto@partes.com.br

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