|
Desenvolvimento
A política ambiental tem sido o nó do governo
de Lula. Não é fácil acomodar um sentimento
desenvolvimentista, de modernidade, de empreendedorismo
sem esquecer as questões ambientais.
Lula e o PT querem o desenvolvimento. Tudo bem. Todos
queremos. Do pobre de Guaribas ao mais abastado morador de
Alphaville, o sentimento de prosperidade é o ânimo novo
que a eleição do ex-metalúrgico trouxe para os
brasileiros.
Mudança
É bom que o governo mude e reveja suas posições na
condução da política ambiental. Antes cedo, do que
nunca (porque tarde será tarde demais). No momento os
ambientalistas são organizados e com forte presença na
sociedade civil. Marina Silva – herdeira política de
Chico Mendes - não é Benedita. Marina tem sofrido
derrotas, mas segundo algumas ONGs “ruim com ela, pior
sem ela”. Não chego a este exagero. Mas não é bom
vacilar.
A opinião pública internacional está de olho. Nossa
reputação pode ir para o brejo.
Esquerda
A esquerda brasileira sempre teve dificuldade em tratar da
questão ambiental, assim como as questões de raça, gênero
e cultura. A atual crise verde é puro reflexo desta história.
A agenda ambiental sempre foi relegada, deixada para
terceiro plano. Olhem os orçamentos públicos para o
setor.
As ONGs
Em carta aberta ao Executivo, os maiores grupos
ambientalistas do Brasil criticaram o governo e pediram
uma espécie de pacote de medidas emergenciais para o
setor. Manifestaram inconformismo em relação às decisões
que colocam em risco a sustentabilidade do país (liberação
dos transgênicos, da importação de pneus usados,
retomada da construção da usina de Angra 3).
As ONGs solicitam que seja adotada uma pauta
emergencial, que inclua medidas capazes de reverter decisões
de grande impacto ambiental e garantir o fortalecimento do
Ministério do Meio Ambiente. Procuram preservar a
ministra Marina Silva.
10 anos verdes
A Secretaria Municipal do Verde e do Meio Ambiente (SVMA)
completou 10 anos no dia 18de outubro.
Destaco entre seus inúmeros feitos, a implantação da
primeira Área de Proteção Ambiental (APA) do município
– a Capivari-Monos. A região, que representa 1/6 da área
total de São Paulo, registra 165 espécies diferentes de
vertebrados, sendo que oito delas estão ameaçadas de
extinção. A cobertura vegetal arbórea de Mata Atlântica
é bastante significativa. É uma região que precisa de
apoio e incentivo principalmente pelo seu potencial para o
ecoturismo.
A APA possui cachoeiras e rios de água cristalina, além
de três reservas indígenas Guarani.
A SVMA terminou recentemente o zoneamento geoambiental da
APA, estabelecendo a ordenação territorial da área e
desenvolvendo ações de educação ambiental junto às
comunidades indígenas e à população local. Um trabalho
bonito e feito com dedicação pelos técnicos da
secretaria.
Agenda 21
Outro ponto que merece destaque é a coordenação e
formulação por parte da SVMA da Agenda 21 do Município
de São Paulo em agosto de 1996. O documento é resultado
do trabalho de um grupo de técnicos da Prefeitura de São
Paulo, com a colaboração de instituições de outras
esferas de governo e da sociedade civil. Em linhas gerais
o documento busca orientar o poder municipal para combinar
desenvolvimento econômico, proteção ao meio ambiente e
justiça social. (olha aí, Brasília...)
Diversas ações para efetivar a Agenda 21 de São Paulo vêm
sendo realizadas pela SVMA. O objetivo maior é incentivar
a participação dos paulistanos nas questões ambientais.
É um documento base para todos que querem e precisam
entender a questão ambiental paulistana. Os funcionários
e técnicos da SVMA estão de parabéns.
Gilberto da Silva
gilberto@partes.com.br
|