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Mudam os tempos, mudam as idéias,
mudam as práticas educativas, enfim, tudo muda.
O que não muda é a
necessidade de uma boa educação. Não me refiro apenas
à educação formal e acadêmica, aquela que recebemos na
escola. Refiro-me àquela educação que está nos
exemplos, nas palavras, nas atitudes. O que está nos
livros, qualquer bom explicador sabe passar. O que não
está nos livros, isto sim, é preciso saber passar :
é preciso saber passar valores, atitudes, exemplos. Nós,
professores, somos modelos para nossos alunos. Além de não
darmos exemplos negativos, temos que nos preocupar em
criar modelos positivos de comportamento.
Temos que fazer um esforço contínuo para não
repassarmos o que aprendemos de maneira automática, ou
para não repetirmos coisas já cristalizadas em nosso
subconsciente, mas trazer à consciência o que é
realmente relevante. Preste atenção ao seu comportamento
de todo dia. Seus alunos percebem como você lida com seus
sentimentos e expressa-os. Observam como você administra
seus relacionamentos. Crianças são muito sensíveis :
elas saberão se suas palavras e linguagem corporal
transmitem mensagens de conflito. Se acentuarmos as nossas
melhores habilidades e atitudes, estaremos fazendo um bem
para nossas próprias vidas e oferecendo uma lição
valiosa a nossos alunos. Acredito que o controle direto do
comportamento (disciplina/punição) ensina a uma criança
como manipular as ações dos outros. Não importa a(s) técnica(s)
que usemos : elas nos imitarão sempre. Pensemos em
duas meninas brincando com suas bonecas em casa : uma
diz « Boa menina » enquanto sorri, e a outra
grita « Burra » enquanto bate na boneca. Estarão
criando ou repetindo tais comportamentos ? Portanto,
pense em comportamentos dos quais você se orgulhará ao
ver florescer em seus alunos, características como
consideração, compreensão e comunicação aberta.
Uma das mensagens mais fortes
que transmitimos às crianças é a nossa visão básica
da vida. Que
tipo de pessoas somos nós ? Procuramos tirar o
melhor de cada dia ou vivemos lamentando o que a vida ou
alguém nos fez ? Antes de criticar seus alunos, olhe
para você mesma(o) : quem sabe eles estão se
espelhando em você?
Há um poema de Dorothy Nolte
que demonstra os aspectos fundamentais do exemplos :
Se as crianças convivem com a
censura, aprendem a censurar.
Se as crianças convivem com a
hostilidade, aprendem a brigar.
Se as crianças convivem com a
tolerância, aprendem a ser pacientes.
Se as crianças convivem com o
estímulo, aprendem a ter confiança.
Se as crianças convivem com o
elogio, aprendem a admirar.
Se as crianças convivem com a
integridade, aprendem a justiça.
Se as crianças convivem com a
segurança, aprendem a confiar.
Se as crianças convivem com a
aprovação, aprendem a gostar de si mesmas.
Se as crianças convivem com a
aceitação e a amizade, aprendem a encontrar amor no
mundo.
O exercício diário do magistério
Ser professor é um desafio diário.
Nos dias atuais, em que pais e mães trabalham fora,
muitas vezes o tempo todo e mal vêem suas crianças, o
professor faz o papel de pai/mãe, conselheiro/a, psicólogo/a,
amigo/a, etc. Mas estará preparado para isto ? Não
seria esta uma tarefa sobrehumana ? Onde obter
treinamento para desempenhar tal tarefa a contento ?
Os cursos de graduação treinam profissionais do ensino
em suas diversas áreas do conhecimento, mas na prática,
o trabalho do professor vai além do que ele foi treinado
para ser ou fazer. Daí a necessidade de gostar da profissão,
de total dedicação e do entendimento e conscientização
de seu papel. Às muitas dificuldades que enfrentamos,
une-se a confusão, já que as opiniões sobre disciplina
variam muito, além, é claro, da opinião de cada um. A
disciplina começa como atenção. Temos que entender seu
objetivo. As palavras « disciplina » e
« castigo » são freqüentemente trocadas uma
pela outra, mas elas não são palavras sinônimas.
Disciplinar é ensinar. Curiosamente, tem como base semântica
a palavra « discípulo », alguém que gosta e
respeita tanto o outro que modela a si mesmo como essa
pessoa. Portanto, temos que assumir responsabilidade por
nossos discípulos : para eles, somos o modelo. Nosso comportamento regular de todo dia, que molda o sistema
de valores de nossos filhos, aplica-se também a nossos
alunos, de quem esperamos um comportamento socialmente
aceitável.
O investimento emocional na educação
Os pais educam e punem para o
bem da criança, mas também para satisfazer muitas de
suas necessidades. Temos fortes sentimentos sobre como
« educar » bem nossos filhos e sobre que
« tipo » de pais seremos, mas, na prática,
repetimos muitos dos modelos que ficaram em nosso
subconsciente. Na verdade, como pais, podemos nos « reeducar »
da maneira que gostaríamos de ter sido educados. O mesmo
se dá com os professores. Podemos querer firmemente ser
diferentes daquele modelo tradicional de professor ao qual
tecemos críticas, porém, no exercício do dia-a-dia do
magistério, muitas vezes nos acomodamos e esquecemos
nossos propósitos iniciais. É aqui que se instala o
perigo : a necessidade mórbida de exibir poder,
humilhar, mostrar quem está no comando é uma das
posturas mais comuns aos professores tradicionais.
Acostumados a não serem questionados, eles só querem se
fazer obedecer, a qualquer custo. Cabe agora uma reflexão :
por que essa necessidade de provar seu poder sobre os
alunos é tão grande ?
Auto-estima
Crianças bem ajustadas possuem
uma consciência saudável de auto-estima. Estas crianças
se sentem satisfeitas com o que são. Foram muito amadas,
então se sentem dignas de amor. Elas gostam de si mesmas
e lhes parece natural que outras pessoas gostem delas.
Podemos dizer às crianças o quanto as amamos, mas elas
também chegam às suas conclusões sobre nosso amor
baseadas em nossas palavras, atitudes, linguagem corporal
e estilo.
Uma das maneiras mais
eficientes de demonstrar a importância que uma outra
pessoa tem para você é dar-lhe atenção. Ela é uma força
poderosa no estabelecimento da auto-estima e é um
instrumento valioso em todas as relações pessoais.
Outra habilidade poderosa que
você pode desenvolver é a capacidade de separar seus
sentimentos sobre a criança de seus sentimentos em relação
ao comportamento dela e transmiti-los claramente. Os
professores devem reagir ao mau comportamento sem rotular,
julgar ou se referir ao caráter doa alunos. Uma abordagem
preferível seria :
1.
Descrever o
comportamento específico inaceitável.
2.
Dizer à criança como
isso faz com que você se sinta (e por que faz com que se
sinta dessa forma).
3.
Fornecer uma descrição
do comportamento apropriado e substituto que você espera
_ em outras palavras, o limite.
Empregando-se a fórmula acima obteremos melhores resultados :
a auto-estima das crianças não é danificada porque não
há nenhuma referência a seu caráter, e elas não têm
razão para se sentirem ressentidas.
O valor deste tipo de comportamento é que as crianças
acabam compreendendo a mensagem de que seu amor por elas
é uma entidade separada dos seus sentimentos em relação
à maneira como se comportam. O valor pessoal delas não
está em julgamento e isso aumenta sua autoconfiança.
Técnicas
de modificação de comportamento
Existem três fatores básicos que modificam o
comportamento : reforço positivo, reforço negatico
e adaptação. São normas que estão sempre acontecendo,
mas podemos escolher como usá-las em nosso proveito ou de
nossos alunos.
Reforço Positivo (usado
para estimular um comportamento desejado) : o reforço
positivo aumenta a possibilidade de um comportamento ser
repetido, porque proporciona algo desejado em resposta a
um determinado comportamento de alguém. Reforços sociais
são sorrisos, elogios, abraços, etc. Reforços não-sociais
ou materiais são bom-bons, brinquedos, etc. Reforços
mistos combinam os sociais com os materiais. Qualquer
reforço positivo deve apresentar duas qualificações :
deve ser algo que a pessoa quer e gosta, e deve parecer
ligado ao comportamento especial.
Reforço Negativo
(usado para desestimular um comportamento indesejável) :
este não está ligado a surras ou gritos. Um reforço
negativo precisa estar relacionado àquilo que se quer
evitar e acabar logo que a açãoa aindesejada termine.
Adaptação (usada para gerar um novo
comportamento) : a adaptação é uma espécie de
reforço positivo do tipo um passo de cada vez, na qual
você reforça até mesmo as menores tentativas na direção
de um comportamento que quer desenvolver. Você continua a
reforçar cada sucesso parcial até que a criança tenha
apresentado o comportamento por inteiro.
Ironicamente, o elemento mais crucial nos três
processos é a escolha do momento exato. O reforço
positivo é o instrumento mais eficiente para modificar um
comportamento, contudo, se você o realizar cedo demais,
pode parecer que você está querendo « comprar »
um bom comportamento. Um reforço atrasado confundirá a
criança, que pode não se lembrar por qual comportamento
está sendo recompensada e imaginar sua última ação,
por exemplo, que pode ter sido algo não desejado.
A escolha do momento certo é também essencial no
uso do reforço negativo, caso contrário ele parecerá
pura punição.
Um outro erro é comentar sobre a mudança de
comportamento antes ou depois que ele acontece. A informação
antecipada transforma o reforço positivo num suborno (« Se
vocês se comportarem, não passo dever de casa ».)
e o reforço negativo em ameaça (« Quem não se
comportar ficará depois da aula »). E após um
comportamento já estar aprendido, não há mais
necessidade de reforço.
Professores eficientes se esforçam para encaixar
reforços positivos nas suas interações diárias com
seus alunos. Eles acham que isso reforça a autoconfiança
e promove bons sentimentos. E além disso, isso também
substitui a punição como método de controle e é uma
forma de não incitar o ressentimento.
É muito difícil implantar qualquer tipo de mudança
de comportamento em nós mesmos, portanto, também não é
tarefa fácil para realizarmos com nossos alunos. Não
importa o quanto pareça simples : os métodos
antigos estão tão enraizados em nosso subconsciente que
é preciso um esforço muito específico e consciente para
mudar. Se você realmente desejar, a mudança será
gradativa, mas pode acontecer. Dê-se um tempo para mudar,
para aprender como fazer a mudança à sua maneira.
Certamente você atingirá seus objetivos.
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para a autora : sandrakezen@fdc.br
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