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Ao contrário do que pretendem as cruéis caricaturas que
retratam os psicanalistas como seres sisudos, o humor na
psicanálise é considerado talvez a mais importante virtude
humana desde os tempos de Freud. O próprio mestre vienense
chegou a dedicar um livro inteiro à compreensão dos
processos psíquicos envolvidos na criação de piadas e de
ditos humorísticos.
Em OUSAR RIR - Humor, criação e psicanálise -
parte da Coleção Sujeito e História, dirigida por
Joel Birman -, Daniel Kupermann busca responder o enigma
que cerca o interesse dos pensadores modernos pelo tema do
humor e do riso, e decifrar os mistérios que permeiam o
fenômeno humorístico, ora considerado fútil, ora virtuoso,
grotesco e nobre simultaneamente.
Pelo fato da cultura ocidental estar paradoxalmente
marcada pela enorme quantidade de quadros depressivos e,
ao mesmo tempo, pela difusão maciça do humor pela mídia e
pela propaganda, Daniel Kupermann realça a importância de
um estudo aprofundado sobre o tema do humor e de seu papel
na nossa vida cotidiana.
OUSAR RIR - Humor, criação e psicanálise
sintetiza de forma perfeita a concepção positiva do humor,
que "não é resignado, mas rebelde", cultivado desde Freud,
e o diferencia do humor cínico e sem ousadias que circula
na contemporaneidade. Desta forma o humor pode ser uma
arma preciosa para apontar o ridículo embutido no
privilégio exclusivo atribuído à razão pelo Ocidente,
repondo em questão as dimensões da alegria de existir, do
lúdico, da criatividade e do jogo, seja na existência de
cada dia, seja no ofício da clínica.
Dividido em três partes, a obra é desenvolvida em torno
das seguintes questões: “Em que crê o humorista?”, “Por
que contar piadas?” e “Por que rir nas análises?”. Ao
lê-lo, podem-se perder as certezas apaziguadoras, mas não
se perderá a graça de rir. |