|
|
| ::Nossa Língua:: |
ESTE, ESSE OU AQUELE (cont.)
por
Maria Tereza de Queiroz Piacentini |
|
|
Emprego dos pronomes demonstrativos em relação ao
DISCURSO:
- entre dois ou três fatos citados:
. o primeiro que foi citado -> aquele
. o do meio -> esse
. o último citado -> este
- Houve uma guerra no mar entre corsários de França e
Inglaterra: estes [desnecessário dizer que são os
corsários ingleses] venceram aqueles.
- Música de câmara e ópera são as suas preferidas: esta,
porque mexe com seus sentimentos; aquela, pelos
efeitos relaxantes.
UMA QUESTÃO DE CLAREZA - É bastante comum o uso de
este/esta no lugar do pronome pessoal ele/ela
como referência à coisa mais presente, mais à mão, mais
próxima (embora já apresentada), quando na oração anterior
aparecem outros substantivos que poderiam ser referidos
pelo mesmo pronome pessoal, o que poderia confundir o
leitor. Exemplos:
• Quando o rei D. João V faleceu e D. José ocupou o trono,
este recorreu a Sebastião José para ser Ministro da
Guerra e dos Negócios Estrangeiros.
Há dois antecedentes masculinos. Com ‘ele’ no lugar de
‘este’, à primeira vista poderíamos pensar ter D. João V,
e não D. José, nomeado Sebastião José (o Marquês de
Pombal) ministro.
• Macpherson dirige sua crítica a Rawls quando este
admite serem os princípios éticos da justiça econômica
capazes de regular o mercado.
Pelo demonstrativo, fica claro que Rawls é o sujeito de
‘admite’, não Macpherson.
• Há necessidade de romper com o conhecimento do passado
e, em conseqüência dessa ruptura, torna-se inevitável a
retificação da linguagem para que esta se torne
adequada à nova ciência.
O pronome ‘ela’ no lugar de ‘esta’ não nos permitiria
saber se o autor estava fazendo referência a ‘linguagem’,
‘retificação’ ou ‘ruptura’.
Quando os substantivos antecedentes pertencerem a número e
gênero diversos ou quando não houver ambigüidade na frase,
é melhor, mais adequado e correto usar o pronome pessoal
ele(s) ou ela(s) em vez do demonstrativo:
• Bachelard, no que se refere à necessidade de superação
de obstáculos, alerta que eles não têm origem
externa ao ato de conhecer. [e não ‘estes’]
• O metal, aquecendo-se progressivamente com o aumento da
corrente, deve derreter quando ela ultrapassar 10%
de um valor prescrito.
Mais um detalhe: ao se referirem a elemento anterior mais
próximo, os pronomes este(s) / esta(s) são
encontrados também em combinação com o termo ‘último’:
- Preocupa-se o autor com a escrita como processo, e não
como literatura ou como texto a ser lingüisticamente
analisado. Aliás, neste último caso não se leva em
consideração o tipo de processo..."
Cabe mencionar ainda que no Brasil as editoras,
principalmente, não estão sendo demasiadamente rigorosas
com o uso dos demonstrativos (a não ser na questão de
LUGAR e TEMPO), porque no aspecto de ‘localização do
DISCURSO’ muitas vezes a distinção entre o que é
‘mencionado anteriormente’ e o que é ‘lugar/tempo’ é pouco
perceptível.
Por exemplo, num texto em que vários artigos de lei estão
sendo citados, o autor pode preferir dizer este artigo
ao se referir a um já citado (quando então usaria esse
artigo) porque ele está justamente tratando "deste
último", do mais próximo (lugar), do que está presente
naquele momento (tempo).
Também no caso de uma tese em que se fala de uma empresa
ou pessoas pesquisadas, pode-se escrever "esta empresa" ou
"estas alunas" mesmo tendo sido elas mencionadas antes -
no parágrafo anterior, digamos -, desde que se pense nelas
como "as alunas tratadas aqui, nesta pesquisa", ou
"a empresa de que se fala neste trabalho, aqui e agora".
São casos em que a escolha depende do ponto de vista de
quem escreve. |
|
 |
| ::educação:: |
| |
|
|
 |
 |
|
Maria Tereza de Queiroz Piacentini é autora dos livros "Só
Vírgula" e "Só Palavras Compostas", é diretora do Instituto
Euclides da Cunha, www.linguabrasil.com.br |
institucional |
 |
|
|