ISSN 1678-8419                                                                                                                   Ano III n.40 dezembro de 2003

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::Cotidiano:

O “PAI” DE TODOS OS CRIMES
por
Adilson Luiz Gonçalves


Foto André Neves.

Como se não bastasse a transformação do povo em refém, essa letal inversão de valores retrocedeu o Poder Judiciário à Idade dos Metais: chumbo e morte para os juízes que lutam contra o crime; e ouro e ostentação arrogante para os que se alimentam dele!

O que é um crime hediondo?

Estupro, seguido de morte? Seqüestro, seguido de morte? Genocídio? Tráfico de drogas? Escravidão? Desvio de recursos públicos em proveito próprio?

O que o agrava?

Quando tem crianças e adolescentes, indefesos, como vítimas diretas ou indiretas?

Qual a pena justa para punir quem o pratica?

Quarenta chibatadas? Prisão perpétua? Amputação? Pena de morte? Congelamento? Viver com um salário mínimo?

Não! Não se trata de um teste de múltipla escolha sobre as convicções de cada um! Trata-se de um prólogo para a pergunta principal: O que fazer com quem liberta esses criminosos para que continuem sua sanha de atrocidades, pior de tudo, em troca de dinheiro?

Isso é uma nova forma de fazer o bandido “pagar” por seus atos? Ou uma nova modalidade de taxa de licenciamento ou imposto sindical?

Como, em sã consciência, uma sociedade, que pretenda ser justa e democrática, pode admitir a existência de tal tipo de postura em seu seio, sem indignar-se e rebelar-se?

Não serão eles cúmplices de todos os crimes que seus “clientes” cometeram e cometem?

Não serão eles mandantes e confessos do mais hediondo de todos os crimes: o uso do manto da justiça para ocultar e tirar proveito do crime?

Merecerão aposentadoria especial e privilégios pelos “serviços” que prestam à sociedade?

Destituídos, eventualmente, de seus cargos, poderão continuar advogando, lecionando ou em qualquer outra atividade lucrativa?

Poderão ser acionados objetivamente, pelas vítimas dos criminosos que afiançaram e dos quais, portanto, tornaram-se fiadores? Ou o contribuinte terá que arcar, como sempre, com esse ônus?

Vergonha! Vergonha! Vergonha!

A simples possibilidade de que isso ocorra já é nauseante!

A Magistratura tem que se posicionar claramente contra esse tipo de postura, sob pena de ser irremediavelmente maculada.

A escalada da criminalidade é diretamente proporcional à falta de credibilidade das instituições, e é isso que estamos assistindo hoje, fruto de leis ambíguas, processos que se arrastam e, agora, decisões que podem ser compradas ao preço das vidas das vítimas.

Como se não bastasse a transformação do povo em refém, essa letal inversão de valores retrocedeu o Poder Judiciário à Idade dos Metais: chumbo e morte para os juízes que lutam contra o crime; e ouro e ostentação arrogante para os que se alimentam dele!

No que estão transformando o Direito e a Justiça?

Será por isso que tantos ingressam nessa área: uns, abnegados, para exercerem seus magníficos desígnios de justiça para todos; outros, para aprenderem a não ser lesados por maus profissionais; e uma parcela, crescente, para aperfeiçoar seus crimes ou proteger e lucrar com a marginalidade, dos “pés-de-chinelo” aos “colarinhos brancos”, nutrindo-se, como bactérias, dos excrementos da sociedade?

Sob esses aspectos, se quem julga o crime quer - e merece - ser elevado perante a sociedade, quem usa dessa prerrogativa divina com leviandade ou má-fé tem que ser punido e rebaixado exemplarmente.

Que os fatos sejam apurados com a dignidade e honestidade que se espera de nossos magistrados; e que, sob pena de falência ética e moral do Poder Judiciário, os que forem declarados culpados arrependam-se, até o último dia de suas vidas, por tão hediondo crime!

::educação::
INCULTO E BELO : BEM-VINDOS AO PORTUGUÊS BRASILEIRO
por
Sandra Kezen 
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Adilson Luiz Gonçalves é Engenheiro e Professor Universitário - Santos - SP algbr@ig.com.br

institucional

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