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DEFFUNE,
Deisi; DEPRESBITERIS, Léa. Competências,
Habilidades e currículos da educação profissional:
crônicas e reflexões.
São Paulo: SENAC, 2000. 102 p.
Deisi Deffune é especialista em
planejamento econômico e social, trabalhou no
Departamento de Economia Industrial do Instituto de
Pesquisas Tecnológicas do Estado de São Paulo (IPT) na década
de 70 e no Senai na de 80. Desde 1990 atua como consultora
independente nas áreas de pesquisa de perfis
profissionais, sistemas de classificação e mercado de
trabalho.
Léa
Depresbiteris é pedagoga, mestre em Tecnologia
Educacional pelo Instituto de Pesquisas Espaciais de São
José dos Campos e doutora em Ciências da Educação pela
USP, na área de Psicologia Escolar. Formou-se como
mediadora no Programa de Enriquecimento Instrumental, nível
I e II, pelo International Center for Enhancement of Learning Potential (Icelp),
em Israel.
No
livro Competências,
habilidades e currículos da educação profissional: crônicas
e reflexões, as autoras buscam definir e comentar de forma mais
ampla termos, tais como: polivalência, competências,
habilidades, capacidades, entre outros. Para defini-los,
usam nos três primeiros capítulos, diálogos e situações
que viabilizam a compreensão de tais conceitos.
O
dilema de João (José) que perdeu o emprego e busca se
recolocar no mercado de trabalho, é exposto no capítulo
inicial para desmistificar a situação atual do emprego,
e mostrar a necessidade de indivíduos competentes e
polivalentes em prol do desenvolvimento da empregabilidade
destes. Empregabilidade é aqui entendida como a
capacidade de um indivíduo tornar-se empregável em várias
atividades e em um conjunto amplo de empresas, durante sua
vida ativa de trabalho. Em relação às competências, um
trabalhador competente é aquele que consegue mobilizar
seus conhecimentos (saberes), habilidades (saber-fazer) e
atitudes (saber ser) no seu cotidiano.
As
autoras descrevem também as três competências
profissionais imprescindíveis ao trabalhador no
enfrentamento da realidade, competências que exigem
constantes atualizações. Essas competências são competências
tecnológicas, que dizem respeito aos conhecimentos das técnicas
e tecnologias de uma profissão ou profissões afins;
competências interpessoais que dizem respeito à
capacidade de negociar, decidir em equipe, comunicar-se;
competências participativas, que são aquelas pelas quais
o trabalhador consegue organizar seu trabalho de modo
cooperativo, solidário
e pelas quais o trabalhador está sempre disposto a
assumir responsabilidades.
Ao
comentar as múltiplas inteligências, que são a
manifestação da inteligência através de variados
estilos e habilidades, as autoras ressaltam a importância
da educação e do trabalho oferecendo oportunidades para
o desenvolvimento de diversos tipos de inteligência, ao
longo da vida do indivíduo.
De
extrema importância é a descrição que as autoras fazem
do papel da escola no dilema de oferecer qualificação
sem garantia de emprego. A escola deve formar para a
polivalência, pois, a polivalência prepara o cidadão
nas capacidades mais gerais, como resolver problemas,
analisar, sintetizar, levantar hipóteses, comunicar,
tomar decisões com autonomia e outras que qualificam não
apenas para o emprego, mas para o trabalho em uma concepção
mais ampla. A escola deve, portanto, preparar para a
“trabalhabilidade”, oferecendo às pessoas múltiplas
possibilidades de construir sua polivalência. Com essa
visão, as autoras asseguram que talvez possamos
contribuir para a construção de uma sociedade mais justa
e democrática, que integre e não exclua seus cidadãos.
Para
incrementar ainda mais a idéia de competência, as
autoras dedicam o terceiro capítulo à análise das múltiplas
faces da competência. As competências agregam um
conjunto de capacidades elementares numa profissão, como
a capacidade de resolver problemas, de orientar-se, de
poder classificar, de categorizar, de ter flexibilidade de
raciocínio, de estabelecer relações, entre outras.
Assim, a educação desempenha um papel fundamental no
desenvolvimento de estratégias da educação profissional
para que as pessoas possam modificar, melhorar suas
maneiras de pensar, suas estruturas cognitivas. Segundo as
autoras é o famoso “aprender a aprender”, a
capacidade de orientação especial, necessária não
apenas para profissionais, mas para os cidadãos em geral.
Referem
que existe uma polêmica com o termo competência. Em
alguns idiomas o termo significa competir. As autoras
citam Pedro Demo que afirma que “ser competente não
significa necessariamente habilitar-se para competir, mas
habilitar-se para participar, colaborar, construir,
conviver.” (p.29)
Ao
longo do livro são descritas as capacidades, competências
e habilidades que formam o perfil do trabalhador que medra
rumo à empregabilidade.
O
segundo capítulo enfoca bem as habilidades que podem ser
básicas, específicas e de gestão. Quando um conceito é
definido no livro, as autoras buscam trazê-lo à tona na
sua forma mais “bruta”, daí o conceito é
“lapidado”, por meio de reflexões. No caso das
habilidades, esse termo (habilidades) esteve por muito
tempo relacionado à destreza manual. De forma similar,
conhecimentos e atitudes estavam ligados ao “saber técnico”.
Porém, as autoras descrevem que, “com os automatismos
introduzidos nas máquinas, o trabalhador teve de adquirir
novas habilidades, como decodificar novos símbolos,
comunicar-se tanto verbalmente como por escrito, resolver
problemas dos novos processos de trabalho, ser autônomo e
ser capaz de antecipar respostas a certos desafios”
(....). Assim a comunicação entre os trabalhadores
torna-se imprescindível, pois, não se trata mais de um
posto de trabalho, de um trabalho que envolve
conhecimentos de varias áreas correlatas.
É
preciso desenvolver habilidades que ajudarão o
trabalhador a sobreviver no mercado de trabalho, a
inserir-se de maneira mais ampla no mundo, a viver em
sociedade ou tudo isso integradamente.
Quanto
às habilidades básicas, são as necessidades necessárias
para que a pessoa possa seguir na educação profissional.
É a habilidade de decodificar textos, símbolos,
mensagens, saber passar para o papel suas idéias, saber
comunicar-se verbalmente e por escrito, enfim, fazer-se
entender. Saber-se localizar espacial e temporalmente, é
ter noções básicas de informática, é ter consciência
com a preservação do meio ambiente, saber respeitar o
outro, ser solidário, etc. Esse conjunto serve para que
as autoras definam o que significa a habilidade básica de
ser alfabetizado.
As
habilidades específicas são aquelas relacionadas o
trabalho e as habilidades de gestão vinculadas à
organização do trabalho.
Por
último, as autoras comentam a necessidade de humanização
dos currículos da educação profissional, imprimindo à
educação condições mais dignas de aprendizagem e forma
para a cidadania. Nesse processo de humanização, as
autoras ressaltam a interdisciplinaridade e a modularização
como relevantes.
A
interdisciplinaridade rompe com a fragmentação
disciplinar, que compartimenta as disciplinas,
descontextualizando-as
da realidade. A interdisciplinaridade compromete-se
a formar um contexto mais geral, no qual as disciplinas
isoladas são modificadas e passam a depender claramente
umas das outras, conforme afirmam as autoras.
A
modularização, definido pelas autoras, introduz a idéia
de grupos de educandos que escolhem percursos de formação
semelhantes. O educando não aprende de maneira
individual, pois a organização modular prevê dinâmicas
de grupo, organização de trabalhos e tomadas de decisões
em conjunto, enfim, aspectos que têm a finalidade de
gerar uma aprendizagem coletiva.
Portanto,
o livro é esclarecedor e rico em informações para
educadores e educandos. Os educadores podem auxiliar no
desenvolvimento de habilidades e competências e melhor
compreensão sobre polivalência. Os educandos podem ter
noção das habilidades e capacidades a serem
desenvolvidas por eles, em busca de assegurar a
empregabilidade. Essa leitura esclarecedora é indicada a
essas pessoas que buscam compreender conceitos tão úteis
ao ser humano.
Trabalho
apresentado à Profª Drª Áurea Adão
da Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias
Portugal, em
atendimento
a unidade curricular C.2. A formação dos modernos
sistemas educativos. Uma perspectiva histórica.
Como requisito de avaliação.
Salvador, Bahia, Brasil, 2003
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