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ISSN 1678-8419                                                                                                                   Ano III n.40 dezembro de 2003

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::Livros::
Competências, Habilidades e currículos da educação profissional: crônicas e reflexões
por Dulcinéia Maria Sabino Silva
 
Resenha bibliográfica do livro. Competências, Habilidades e currículos da educação profissional: crônicas e reflexões. DEFFUNE, Deisi; DEPRESBITERIS, Léa São Paulo: SENAC, 2000. 102 p.

DEFFUNE, Deisi; DEPRESBITERIS, Léa. Competências, Habilidades e currículos da educação profissional: crônicas e reflexões. São Paulo: SENAC, 2000. 102 p. 

Deisi Deffune é especialista em planejamento econômico e social, trabalhou no Departamento de Economia Industrial do Instituto de Pesquisas Tecnológicas do Estado de São Paulo (IPT) na década de 70 e no Senai na de 80. Desde 1990 atua como consultora independente nas áreas de pesquisa de perfis profissionais, sistemas de classificação e mercado de trabalho. 

Léa Depresbiteris é pedagoga, mestre em Tecnologia Educacional pelo Instituto de Pesquisas Espaciais de São José dos Campos e doutora em Ciências da Educação pela USP, na área de Psicologia Escolar. Formou-se como mediadora no Programa de Enriquecimento Instrumental, nível I e II, pelo International Center for Enhancement of Learning Potential (Icelp), em Israel. 

No livro Competências, habilidades e currículos da educação profissional: crônicas e reflexões, as autoras buscam definir e comentar de forma mais ampla termos, tais como: polivalência, competências, habilidades, capacidades, entre outros. Para defini-los, usam nos três primeiros capítulos, diálogos e situações que viabilizam a compreensão de tais conceitos. 

O dilema de João (José) que perdeu o emprego e busca se recolocar no mercado de trabalho, é exposto no capítulo inicial para desmistificar a situação atual do emprego, e mostrar a necessidade de indivíduos competentes e polivalentes em prol do desenvolvimento da empregabilidade destes. Empregabilidade é aqui entendida como a capacidade de um indivíduo tornar-se empregável em várias atividades e em um conjunto amplo de empresas, durante sua vida ativa de trabalho. Em relação às competências, um trabalhador competente é aquele que consegue mobilizar seus conhecimentos (saberes), habilidades (saber-fazer) e atitudes (saber ser) no seu cotidiano. 

As autoras descrevem também as três competências profissionais imprescindíveis ao trabalhador no enfrentamento da realidade, competências que exigem constantes atualizações. Essas competências são competências tecnológicas, que dizem respeito aos conhecimentos das técnicas e tecnologias de uma profissão ou profissões afins; competências interpessoais que dizem respeito à capacidade de negociar, decidir em equipe, comunicar-se; competências participativas, que são aquelas pelas quais o trabalhador consegue organizar seu trabalho de modo cooperativo, solidário  e pelas quais o trabalhador está sempre disposto a assumir responsabilidades. 

Ao comentar as múltiplas inteligências, que são a manifestação da inteligência através de variados estilos e habilidades, as autoras ressaltam a importância da educação e do trabalho oferecendo oportunidades para o desenvolvimento de diversos tipos de inteligência, ao longo da vida do indivíduo. 

De extrema importância é a descrição que as autoras fazem do papel da escola no dilema de oferecer qualificação sem garantia de emprego. A escola deve formar para a polivalência, pois, a polivalência prepara o cidadão nas capacidades mais gerais, como resolver problemas, analisar, sintetizar, levantar hipóteses, comunicar, tomar decisões com autonomia e outras que qualificam não apenas para o emprego, mas para o trabalho em uma concepção mais ampla. A escola deve, portanto, preparar para a “trabalhabilidade”, oferecendo às pessoas múltiplas possibilidades de construir sua polivalência. Com essa visão, as autoras asseguram que talvez possamos contribuir para a construção de uma sociedade mais justa e democrática, que integre e não exclua seus cidadãos.

Para incrementar ainda mais a idéia de competência, as autoras dedicam o terceiro capítulo à análise das múltiplas faces da competência. As competências agregam um conjunto de capacidades elementares numa profissão, como a capacidade de resolver problemas, de orientar-se, de poder classificar, de categorizar, de ter flexibilidade de raciocínio, de estabelecer relações, entre outras. Assim, a educação desempenha um papel fundamental no desenvolvimento de estratégias da educação profissional para que as pessoas possam modificar, melhorar suas maneiras de pensar, suas estruturas cognitivas. Segundo as autoras é o famoso “aprender a aprender”, a capacidade de orientação especial, necessária não apenas para profissionais, mas para os cidadãos em geral. 

Referem que existe uma polêmica com o termo competência. Em alguns idiomas o termo significa competir. As autoras citam Pedro Demo que afirma que “ser competente não significa necessariamente habilitar-se para competir, mas habilitar-se para participar, colaborar, construir, conviver.” (p.29)

Ao longo do livro são descritas as capacidades, competências e habilidades que formam o perfil do trabalhador que medra rumo à empregabilidade.  

O segundo capítulo enfoca bem as habilidades que podem ser básicas, específicas e de gestão. Quando um conceito é definido no livro, as autoras buscam trazê-lo à tona na sua forma mais “bruta”, daí o conceito é “lapidado”, por meio de reflexões. No caso das habilidades, esse termo (habilidades) esteve por muito tempo relacionado à destreza manual. De forma similar, conhecimentos e atitudes estavam ligados ao “saber técnico”. Porém, as autoras descrevem que, “com os automatismos introduzidos nas máquinas, o trabalhador teve de adquirir novas habilidades, como decodificar novos símbolos, comunicar-se tanto verbalmente como por escrito, resolver problemas dos novos processos de trabalho, ser autônomo e ser capaz de antecipar respostas a certos desafios” (....). Assim a comunicação entre os trabalhadores torna-se imprescindível, pois, não se trata mais de um posto de trabalho, de um trabalho que envolve conhecimentos de varias áreas correlatas.

 

É preciso desenvolver habilidades que ajudarão o trabalhador a sobreviver no mercado de trabalho, a inserir-se de maneira mais ampla no mundo, a viver em sociedade ou tudo isso integradamente. 

Quanto às habilidades básicas, são as necessidades necessárias para que a pessoa possa seguir na educação profissional. É a habilidade de decodificar textos, símbolos, mensagens, saber passar para o papel suas idéias, saber comunicar-se verbalmente e por escrito, enfim, fazer-se entender. Saber-se localizar espacial e temporalmente, é ter noções básicas de informática, é ter consciência com a preservação do meio ambiente, saber respeitar o outro, ser solidário, etc. Esse conjunto serve para que as autoras definam o que significa a habilidade básica de ser alfabetizado. 

As habilidades específicas são aquelas relacionadas o trabalho e as habilidades de gestão vinculadas à organização do trabalho. 

Por último, as autoras comentam a necessidade de humanização dos currículos da educação profissional, imprimindo à educação condições mais dignas de aprendizagem e forma para a cidadania. Nesse processo de humanização, as autoras ressaltam a interdisciplinaridade e a modularização como relevantes.

 

A interdisciplinaridade rompe com a fragmentação disciplinar, que compartimenta as disciplinas, descontextualizando-as  da realidade. A interdisciplinaridade compromete-se a formar um contexto mais geral, no qual as disciplinas isoladas são modificadas e passam a depender claramente umas das outras, conforme afirmam as autoras. 

A modularização, definido pelas autoras, introduz a idéia de grupos de educandos que escolhem percursos de formação semelhantes. O educando não aprende de maneira individual, pois a organização modular prevê dinâmicas de grupo, organização de trabalhos e tomadas de decisões em conjunto, enfim, aspectos que têm a finalidade de gerar uma aprendizagem coletiva. 

Portanto, o livro é esclarecedor e rico em informações para educadores e educandos. Os educadores podem auxiliar no desenvolvimento de habilidades e competências e melhor compreensão sobre polivalência. Os educandos podem ter noção das habilidades e capacidades a serem desenvolvidas por eles, em busca de assegurar a empregabilidade. Essa leitura esclarecedora é indicada a essas pessoas que buscam compreender conceitos tão úteis ao ser humano. 

Trabalho apresentado à Profª Drª Áurea Adão da Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias Portugal, em    atendimento  a unidade curricular C.2. A formação dos modernos  sistemas educativos. Uma perspectiva histórica.  Como requisito de avaliação.
Salvador, Bahia, Brasil, 2003

::educação::
INCULTO E BELO : BEM-VINDOS AO PORTUGUÊS BRASILEIRO
por
Sandra Kezen 
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Dulcinéa Sabino é formada em Ciências Agrárias pela UFRRJ-RJ, Pedagogia com Administração e Supervisão escolar pela FFCL/USP-SP, pós-graduação em Planejamento de Ensino e mestrado (em fase de escrita da dissertação) em Cências da Educação pela ULHT-PT.
É professora da UNEB - Universidade do Estado da Bahia; da FAMEC- Faculdade Metropolitana de Camaçari (graduação e pós) e desenvolve atividades de assessoria educacional em empresas, universidades corporativas, etc

institucional

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