|
Hoje
Hoje
acordamos calados...
Nos
olhamos cegos, sem dizer nada
com
os olhos.
Creio
que não acordamos.
Ou
será que acordamos mortos?
Não,
ainda uma dorzinha geme cá dentro.
E
o amor latente geme lá fora,
batendo
à porta; não de sofrimento.
Nós
acordamos vivos, isso sim.
E
o percebemos pela dor...
Mas
que vida é esta!? em que nos cremos vivos pela dor?
É
o que as pessoas chamam de alma.
Viva!
acordamos vivos!
Mas
calados permanecemos...
surdos,
cegos de resignação e medo!
Era
melhor não termos dormido...
Comemos
nosso pão fajuto; saímos cada um por uma porta; atravessamos
a rua por lados opostos; entramos no resto do mundo com os pés
direitos que não dão nada além, senão mais um passo para o
fim da “vida”, ao que chamamos morte.
Ah,
respira a fumaça do óleo queimado!
sente
o inferno a corroer-te as entranhas!
Hemos
de virar pó, separados.
Hemos
de morrer sozinhos; com a nossa dor...
...chamada
vida, chamada alma, chamada fumaça de óleo diesel que nos
corrói irrefutavelmente à sombra das desgraças
“humanas”.
É...,
julgamo-nos vivos. Dizemo-nos: pois é, pra quê?
Tudo
bem e aí? vamos nos suicidar?
Ah...não...
pois é, pra quê? |