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ISSN 1678-8419                                                                                                                   Ano III n.40 dezembro de 2003

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::Poesias::
de Paulo Henrique Pappen  
 

Tua cor
A cor que é tua é indefinida.
Ninguém disse que é azul ou amarela. Mas, por que não pode ser inominável?
Uma cor assim, não precisa de nome. 

A tua cor pinta teu sorriso.
E pra que dar nome à tua beleza?
Coisas que só os mortais entendem...
deixa eles, vamos pintar a poesia do mundo
com a tua cor...

Teu verso

Vai, olha pra fora agora.

Vê-me, sorrio detrás daquela janela.

Sou teu verso escondido...

 

Não, não te assustes.

Sou apenas a ilusão gostosa do teu sonho;

sonho partido e colorido

de fantasia...

 

Descansa os olhos e me chama.

Eu volto pra ti, para nós...

Vou como o dia a te acordar

e fico a te velar, de dentro para fora;

como a nuvem que tapa o sol mas não chove...

sou teu verso quieto e escondido...

::::

Hoje 

Hoje acordamos calados...

Nos olhamos cegos, sem dizer nada

com os olhos.

Creio que não acordamos. 

Ou será que acordamos mortos?

Não, ainda uma dorzinha geme cá dentro.

E o amor latente geme lá fora,

batendo à porta; não de sofrimento. 

Nós acordamos vivos, isso sim.

E o percebemos pela dor...

Mas que vida é esta!? em que nos cremos vivos pela dor?

É o que as pessoas chamam de alma. 

Viva! acordamos vivos!

Mas calados permanecemos...

surdos, cegos de resignação e medo!

Era melhor não termos dormido... 

Comemos nosso pão fajuto; saímos cada um por uma porta; atravessamos a rua por lados opostos; entramos no resto do mundo com os pés direitos que não dão nada além, senão mais um passo para o fim da “vida”, ao que chamamos morte.  

Ah, respira a fumaça do óleo queimado!

sente o inferno a corroer-te as entranhas!

Hemos de virar pó, separados.

Hemos de morrer sozinhos; com a nossa dor... 

...chamada vida, chamada alma, chamada fumaça de óleo diesel que nos corrói irrefutavelmente à sombra das desgraças “humanas”.

É..., julgamo-nos vivos. Dizemo-nos: pois é, pra quê? 

Tudo bem e aí? vamos nos suicidar?

Ah...não...

pois é, pra quê?

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Paulo Henrique Pappen está desempregado. É de Caxias do Sul, RS. Tem enviado livros à editoras porém nenhuma resposta, até agora...

 

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