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ISSN 1678-8419                                                                                                                   Ano III n.40 dezembro de 2003

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::Política::
A crise da imprensa e a cobertura jornalística
por Rodrigo de Carvalho
 

         A imprensa brasileira passa por uma crise financeira sem precedentes e acirra as contradições das elites e suas correntes de pensamento. Este fato coloca em questão a forma de cobertura dada por esta imprensa e os diversos interesses envolvidos na empresa jornalística, em especial, o debate sobre a versão do fato ou a verdade construída a partir do interesse específico.

         Em recente análise sobre a cobertura dada a Alca, verificamos as diversas tendências das coberturas sob o aspecto ideológico e de combate ao progressista pensamento de política externa do governo. Casos como a revista Veja que faz campanha aberta a favor dos interesses estadunidenses, da dissimulada Folha de São Paulo que fez crítica pontual a ala progressista do governo e ao Estado de São Paulo que tem interesse na ampliação da participação do capital externo nas empresas de comunicação, é sinal claro que há limites de cobertura relacionados não apenas ao pensamento particular dos proprietários dos veículos de comunicação e suas representações no mundo da burguesia, mas também os critérios e interesses de sobrevivência destes veículos de comunicação.

         Ainda sobre a Alca, o ultimo episódio que ganhou espaço foi a briga entre a “Folha” e o “Estado”, mais especificamente entre os colunistas Clóvis Rossi e Paulo Sotero, que se engalfinharam para passar as versões de suas fontes nas últimas rodadas de negociação.

Rossi apresentou uma cobertura mais ampla e acertada apostando na estratégia de negociação do governo federal e privilegiando fontes que representam o atual pensamento do Itamaraty.

Sotero apostou na especulação e na queda de representantes importantes como Samuel Pinheiro Guimarães a partir da rodada de Trinidad e Tobago, no isolamento brasileiro e na incapacidade de enfrentar o gigante norte-americano. Informações que não se concretizaram e diminuíram a veracidade dos fatos, embora o jornalista mereça crédito de boa fé.  

         O resultado desta peleja foi a coluna de Rossi denominando parte da imprensa como “quinta coluna” defendendo os interesses diversos do Brasil. Outra verificação factual verdadeira.

         Todas estas observações fazem parte de um rol de interesses das empresas jornalísticas, com muito endividamento e dificuldades de sobrevivência. Além de o Brasil estar vivendo um momento de viragem histórica com a ascensão de um novo pensamento político o que alvoroça e embaralha as idéias da sociedade, inclusive da própria burguesia.

         Posto estas questões, resta analisar a situação das empresas de comunicação que dependem da ação direta do governo para saírem da situação de crise, tanto na legislação que trata do assunto como a ampliação da participação do capital estrangeiro com o efetivo controle acionário das empresas brasileiras, quanto o plano de resgate das empresas a partir de empréstimos do BNDES.

         Sobre a primeira demanda do mercado jornalístico é a pressão do capital estrangeiro interessado nos lucros e no controle de um setor estratégico e sensível da estrutura social brasileira, suscetível a chantagens e campanhas de desestabilização do possível projeto popular-desenvolvimentista. Ceder a esta reivindicação é continuar jogando o Brasil no atoleiro dependente como foram os projetos de privatização.

         O segundo elemento deste debate, o resgate das empresas jornalísticas através de financiamento do BNDES, já é uma reivindicação antiga onde empresas jornalísticas já se beneficiaram no governo FHC e hoje se posicionam contra, como a Folha de São Paulo que conseguiu crédito para renovar seu parque gráfico. Hoje, Frias Filho acha que esta saída significa a subserviência da imprensa junto ao governo, não achava isso no período anterior. O assunto é polêmico e difícil de lidar. Deveria o governo Lula abrir linhas de créditos para empresas como a Globo, O Estado de São Paulo e outros grandes monopólios da mídia?

         Talvez a saída seja casada entre o resgate das empresas brasileiras, sem interferência estrangeira e, portanto, a sua não desnacionalização e a contrapartida da produção de programas de maior caráter cultural e educativo dificultando o sensacionalismo e a baixa qualidade dos atuais programas e, mais estrategicamente, uma fórmula que consiga ampliar as redes de comunicação e diminuir o atual monopólio da mídia.

         O mais correto, portanto, são as soluções caseiras com nossas próprias forças sem a dependência e interferência dos capitais e interesses estrangeiros, pouco preocupados com o nosso desenvolvimento cultural e social. O Brasil tem saídas e elas passam pelo projeto popular e desenvolvimentista, de caráter nacional.   

::educação::
INCULTO E BELO : BEM-VINDOS AO PORTUGUÊS BRASILEIRO
por
Sandra Kezen 
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Rodrigo de Carvalho é sociólogo, mestrando em comunicação social e membro da direção estadual do PC do B/SP

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